i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Após críticas

Fundação Lemann, Undime e Consed confirmam plano do governo para alfabetização

  • Isabelle BaronePor Isabelle Barone
  • Brasília
  • 21/08/2020 10:15
Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa.| Foto: Unsplash

Sem citar qualquer das ações da Secretaria de Alfabetização (Sealf) do MEC iniciadas em 2019, o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a Fundação Lemann confirmaram, pela primeira vez, as evidências científicas nas quais o atual governo ancora suas políticas de alfabetização.

Em evento realizado pelas organizações na tarde desta quinta-feira (20), de nome "Escrevendo o Amanhã", especialistas confirmaram, por exemplo, a efetividade de componentes precursores da alfabetização amparados pela nova Política Nacional de Alfabetização (PNA) e pelos programas Tempo de Aprender e Conta pra Mim. São eles: a) consciência fonêmica; b) instrução fônica sistemática; c) fluência em leitura oral; d) desenvolvimento de vocabulário; e) compreensão de textos; e f) produção de escrita.

No programa Educar pra Valer, da Fundação Lemann, cujo objetivo "é oferecer boas práticas de gestão pública com apoio técnico, ajudando secretarias de educação e suas escolas no avanço da aprendizagem", também são contemplados componentes como "consciência fonêmica".

Críticas às políticas do MEC

Ao longo do último ano, Consed e Undime manifestaram críticas e ressalvas ao teor da PNA. Interlocutores afirmam que o "aceno indireto" no evento apenas revela que a resistência às ações do governo em alfabetização é política, como tentativa de desestabilizá-lo.

Em 2019, por exemplo, as organizações consideraram a PNA como "polêmica", além de afirmarem que o governo estava a impor o chamado "método fônico" aos entes federativos. Segundo Consed e Undime, ainda, a nova proposta do MEC para a alfabetização teria trechos (em referência aos seis componentes precursores da alfabetização citados na PNA) que causam "ruídos por estar em desacordo com o que é proposto pela BNCC". O edital do PNLD infantil 2022 também foi recebido com ressalvas.

A falta de diálogo com o Ministério também foi criticada várias vezes pelas organizações no último ano, enquanto o ex-ministro Abraham Weintraub esteve à frente da pasta. Representantes do Consed e da Undime, no entanto, não costumam citar que foram convidados, por exemplo, a apresentar suas contribuições à PNA. Embora também não mencionem, as duas organizações fazem parte de grupos de trabalho do governo para discutir políticas de alfabetização.

Em menos de dois anos, a Secretaria de Alfabetização (Sealf) do MEC já entregou à sociedade seis ações consolidadas e amparadas nos mais recentes achados da ciência cognitiva da leitura. E, embora em nenhum momento o plano do governo para a alfabetização tenha sido citado, as evidências contempladas pelas políticas do MEC foram tidas, durante o encontro, como "modelo a ser seguido".

Precursores da alfabetização foram criticados, à época do lançamento da PNA

Professora na Faculdade de Educação em Harvard e referência em alfabetização, Catherine Snow, que também colaborou com a PNA e participou da Conabe, enfatizou os componentes que garantem o sucesso da alfabetização - já chancelados mundo afora e que, após 20 anos, foram adotados pelo governo brasileiro. "É possível prevermos habilidades que resultarão em êxito. Por exemplo, componentes chave como consciência fonológica, correspondência entre letras e sons (grafema e fonema), e o que chamamos de automaticidade", disse. "Essas habilidades são pré-requisito para aprender a ler".

"Crianças precisam aprender a decodificar a língua", disse, em referência a um (não é o único) dos objetivos aos quais se propõe a abordagem fônica. "É preciso compreender e dominar o princípio alfabético. Compreender significa que alguém te explicou como algo se relaciona". Críticos, em geral correntes construtivistas, que derivam de autores como o psicólogo Jean Piaget, o educador Paulo Freire e a psicóloga Emília Ferreiro, costumam desprezar a necessidade de um professor que transmita o conhecimento. Elas também são contrárias ao ensino explícito e acreditam que os alunos devem descobrir os conteúdos por conta própria. "Muitas crianças precisam de apoio sistemático para aprender", lembra Catherine.

A especialista também citou a politização que permeou o debate sobre alfabetização nos Estados Unidos, como ocorre no Brasil, e falou sobre o notório National Reading Panel (NRP), documento elaborado nos EUA tido como a revisão sistemática mais consolidada, e que serviu como bússola para a elaboração do currículo de outros países, incluindo a PNA.

"Há algo muito influente que chamamos de Simple View of Reading e que afirma que a compreensão de leitura é o produto da capacidade de decodificar palavras e capacidade de compreensão", explica Catherine. "Nenhum dos dois lados deve ter apoio exclusivo. Por que não podemos ensinar ambos?".

Críticos à PNA também costumam afirmar, erroneamente, que a política seria focada apenas na decodificação das letras e voltada exclusivamente ao método fônico, sem ajudar alunos a compreender o que leem.

"Os elementos citados pela professora Catherine, e que estão presentes na literatura internacional, são o que chamamos de precursores da leitura e da escrita. São habilidades que servem de base para o processo de alfabetização, ajudam a alicerçar, facilitar a leitura e escrita", disse, no encontro, Paula Louzano, diretora da Faculdade de Educação da Universidade Diego Portales . "Há muito consenso sobre esses componentes no processo de alfabetização. Buscamos a presença desses elementos nos currículos".

Alfabetização na primeira infância

Segundo Cecília Motta, presidente do Consed, a "primeira infância é fundamental, neurologicamente falando, para a aprendizagem do estudante. A educação infantil, o começo dos anos iniciais, é onde nós podemos trabalhar alfabetização dos estudantes. Parece que o Brasil se acostumou com o analfabetismo". O Consed não manifestou apoio ao edital do Programa Nacional do Livro Didático Infantil 2022, que trata justamente da abordagem dos precursores da alfabetização na educação infantil.

Também à época do lançamento do edital, Undime demonstrou "preocupação com o enfoque preparatório para o ciclo de alfabetização" e a proposta de "conteúdos ligados à literacia e numeracia" no PNLD 2022. Ainda, afirmou que o edital teria incoerências, "pois desconsidera o desenvolvimento da criança na sua integralidade, os fundamentos da BNCC e as Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil". O edital contempla aspectos da BNCC e da PNA.

"O direito à educação começa a acontecer no primeiro minuto em que a criança entra na escola. E isso começa com a alfabetização", disse Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann.

Para os especialistas, além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tida por muitos educadores como o documento mais consolidado até agora, possui lacunas que precisam ser levadas em conta. "Ela [BNCC] não é perfeita. E vamos ter discussões de como ela pode ser melhorada, o que não foi bem construído", afirmou Denis Mizne.

"Não significa que, como todos os países fazem, nós não tenhamos o dever de buscar seu aprimoramento [BNCC]", disse Paula Louzano.

Questionada por e-mail sobre as políticas do MEC, a Fundação Lemann afirmou que "acredita e apoia políticas públicas que garantam educação de qualidade independentemente da ideologia do governo ou partido político", mas não respondeu se corrobora com o plano do governo para a alfabetização.

"No evento Escrevendo o Amanhã foram apresentados diversos estudos que fornecem diretrizes valiosas para a melhoria da alfabetização no país, a partir da experiência internacional. Entendemos que o Brasil avançou nesse tema, mas pode e deve melhorar muito mais e esse é um dos focos principais do trabalho da Fundação Lemann e de seus parceiros: garantir educação pública de qualidade para todos", disse, por meio de nota.

Durante o evento, perguntas enviadas pela reportagem à Catherine Snow e Paula Louzano não foram atendidas. Procuradas por e-mail, as especialistas também não retornaram. O MEC foi convidado a participar do evento.

10 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 10 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.

  • J

    João Mello

    ± 18 minutos

    Esse tal Lehmann deve voltar para a Suíça e ficar lá nos Alpes, chupando um picolé de gelo. Deixa a educação dos brasileiros conosco.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • D

      Dmcc

      ± 22 minutos

      Antes tarde do nunca... quando q ser consertar algo os comunas se "revoltam" ... ninguém usa essa praga construtivista! temos que nos libertar disso... quero ver meus netos(que ainda não tenho) lendo e entendo textos com mais de 5 linhas.

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

      • F

        Felipe S. Lima

        ± 46 minutos

        Parabéns, Gazeta do Povo pela matéria!! Muito esclarecedora!!!! Parabéns Secretário Carlos Nadalim!!!

        Denunciar abuso

        A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

        Qual é o problema nesse comentário?

        Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

        Confira os Termos de Uso

        • D

          D. L. Paiva

          ± 1 horas

          Parabéns, Gazeta pela reportagem. Pessoalmente considero um cr.me contra os estudantes esses programas de alfabetização ineficientes. O resultado disso hoje é milhares de profissionais ineficientes. Se o governo conseguir implementar esse novo sistema, embora não haja uma placa, será a sua obra mais valiosa.

          Denunciar abuso

          A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

          Qual é o problema nesse comentário?

          Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

          Confira os Termos de Uso

          • E

            Eufrásio Moraes

            ± 2 horas

            Carlos Nadalin tem demonstrado serenidade, equilíbrio e disposição na condução dessa Secretaria tão sensível ao futuro do nosso país. Aos poucos vai quebrando a resistência ao mostrar que seu propósito não é político, mas técnico. Grande alegria!

            Denunciar abuso

            A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

            Qual é o problema nesse comentário?

            Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

            Confira os Termos de Uso

            • M

              Márcio Leite

              ± 3 horas

              Acompanho o Carlos Nadalin há uns 5 anos pelo Youtube e pelo site Como educar seus filhos. Todas as abordagens dele sobre o assunto foram muito precisas e ao mesmo tempo, de fácil compreensão. Estamos atrasados na correção, mas tenho fé que ainda tempos tempo de reverter as décadas de "desalfabetização" que vivemos.

              Denunciar abuso

              A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

              Qual é o problema nesse comentário?

              Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

              Confira os Termos de Uso

              • D

                DENISSON HONORIO DA SILVA

                ± 4 horas

                Parabens pelo brilhante trabalho de esclarecimento. Tivessemos tido esse debate há pelo menos trinta anos, não teriamos perdido gerações de crianças para o analfabetismo. Mas não, no intuito de prevalecer aquele ponto de vista tido progressista, criaram esse monstro. Mais a frente, pode-se estabelecer novos autores para os jovens do ensino medio. Ao que parece, Minas Gerais terá como leitura obrigatória autores conservadores e instigadores do livre mercado. É preciso interromper o ciclo vicioso de doutrinação esquerdista. Congratulações à Gazeta também.

                Denunciar abuso

                A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

                Qual é o problema nesse comentário?

                Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

                Confira os Termos de Uso

                • F

                  Fernanda

                  ± 7 horas

                  olha só! mas o que o governo esta fazendo nao era ruim e opressor?

                  Denunciar abuso

                  A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

                  Qual é o problema nesse comentário?

                  Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

                  Confira os Termos de Uso

                  • M

                    mup

                    ± 7 horas

                    BINGO! A máscara caiu. A questão é ser oposição ao governo. Que se dane a educação, esse governo não é o que a gente quer, então vamos sabotar, vamos criticar, vamos queimar o ministro e secretários que não seguem o que a gente quer. Conclusão: Os opositores são uns farsantes e a educação é apenas um meio para tentar encurralar o governo que está fazendo um esforço imenso para dar um novo rumo para o ensino no país. Imenso desafio, depois de tantos anos de desmandos, ideologização e teorias que fizeram o Brasil virar um vexame nos rankings internacionais. Chega parasitas, fora sangue sugas

                    Denunciar abuso

                    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

                    Qual é o problema nesse comentário?

                    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

                    Confira os Termos de Uso

                    • M

                      mup

                      ± 7 horas

                      BINGO! A máscara caiu. A questão é ser oposição ao governo. Que se dane a educação, esse governo não é o que a gente quer, então vamos sabotar, vamos criticar, vamos queimar o ministro e secretários que não seguem o que a gente quer. Conclusão: Os opositores são uns farsantes e a educação é apenas um meio para tentar encurralar o governo que está fazendo um esforço imenso para dar um novo rumo para o ensino no país. Imenso desafio, depois de tantos anos de desmandos, ideologização e teorias que fizeram o Brasil virar um vexame nos rankings internacionais. Chega parasitas, fora sangue

                      Denunciar abuso

                      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

                      Qual é o problema nesse comentário?

                      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

                      Confira os Termos de Uso

                      Fim dos comentários.