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Escolas particulares americanas estão falando sobre algo chamado transcrição de domínio – um modo de substituir as notas tradicionais por registros digitais baseados em evidências do desempenho acadêmico e pontos fortes de cada estudante. E isso seria usado nos processos seletivos de universidades. 

Quando instituições como Andover, Miss Porter’s, Chapin e Holton-Arms – onde a anuidade é acima de US$ 40 mil – começam a falar sobre mudanças nos processos de admissão em universidades, é compreensível que comentaristas se perguntem se elas querem derrotar aqueles que só têm condições de frequentar a escola do bairro. 

Minha colega no Washington Post, Catherine Rampell, concluiu que a transcrição de domínios “teria pelo menos um efeito maligno: provavelmente ajudaria jovens medíocres (geralmente ricos) de escolas privadas e prejudicaria estudantes de alto desempenho (geralmente menos abastados) de escolas públicas”. 

Ela está errada. As faculdades mais seletivas revelam anualmente a porcentagem dos seus novos ingressos que vieram de escolas de ensino médio privadas. Já recebendo críticas por admitirem poucos estudantes de baixa renda, elas nunca deixariam aumentar a porcentagem de jovens ricos. 

A Associação de Transcrição de Domínio inclui 160 escolas privadas e planeja aceitar escolas públicas em breve. É inteligente e corajoso esses educadores desafiarem o padrão americano de avaliação de A a F e se comprometerem a avaliar o domínio de cada estudante. Alguns dos melhores professores que conheço querem se certificar de que cada estudante aprenda o básico, não importa quanto tempo isso demore. Apenas colocar uma nota em um boletim ao final do ano escolar faz eles se sentirem como se tivessem desistido. 

A abordagem de domínio é inexistente em quase todas as nossas escolas de ensino médio, incluindo aquelas que oferecem seus serviços para os filhos de senadores e bilionários. Por que não podemos adotar em relação ao ensino secundário de matemática, ciências, história e inglês a mesma atitude que adotamos em relação à aprendizagem de leitura? A maioria das escolas primárias tem especialistas para orientarem as crianças a passarem por esses obstáculos, enquanto empurramos os estudantes com dificuldades nas disciplinas de ensino médio para a próxima série lançando apenas um olhar preocupado e uma nota baixa.

A Universidade está matando a criatividade, mas deveria encontrar formas de incentivá-la //bit.ly/2oojlAs

Publicado por Ideias em Sábado, 16 de dezembro de 2017

Defensores da aprendizagem de domínio querem incentivar a adoção de projetos – como projetar um prédio escolar ou reconstituir a Convenção Constitucional – que não se apoiam em boletins de avaliação. Eles esperam que o novo modelo destaque as características dos alunos que são ignoradas pelo sistema de avaliação tradicional. Um júri em cada escola teria a palavra final na transcrição de cada aluno. Os estudantes e suas famílias poderiam escolher se desejam utilizar a nova transcrição de domínio ou permanecer com o sistema antigo. 

A associação diz que foi “organizada em prol do desenvolvimento e disseminação de um modelo alternativo de avaliação, acreditação e geração de transcrição” que irá “demonstrar o domínio de habilidades, conhecimentos e hábitos de reflexão apresentando evidências que serão então avaliadas de acordo com um padrão institucional específico de domínio”. 

Tentativas de fazer isso no passado falharam porque consumiram muito tempo. Mas D. Scott Looney, diretor da Hawken School, em Cleveland, e fundador e membro do conselho da associação, diz que o sistema antigo não oferece quase nenhum retorno “para o estudante descobrir como pode melhorar”, e algum tempo extra teria grande importância para aumentar “a qualidade e a profundidade do diálogo entre o estudante e o professor”. 

Looney disse que os escritórios de admissão universitária podem ler as transcrições online em dois minutos. Se desejarem, com mais alguns cliques, eles podem ver um pouco do trabalho real do estudante. 

Ele disse que cada escola poderia decidir como deseja mensurar o domínio. Mensurações independentes de desempenho, como Advanced Placement e exame SAT, permaneceriam. Poderíamos aprender muito com as escolas que tentarem esse modelo. 

Mas isso não tornaria o sistema de admissão universitária mais racional ou menos estressante, pois as faculdades mais desejadas continuarão seletivas e muitos candidatos continuarão decepcionados. Looney reconhece que as faculdades não aceitarão as novas transcrições a menos que as ajude a decidir quem são os melhores candidatos de cada escola de ensino médio. 

Looney disse que algumas escolas têm tantos estudantes com notas perfeitas que a transcrição poderia separar os verdadeiros gênios dos carnificadores de notas como eu. Talvez, mas quando uma estudante descobrir que uma colega de sala a derrotou na disputa por uma vaga na Universidade de Yale porque tem melhores “hábitos de reflexão”, isso a magoará do mesmo jeito. 

*Jay Mathews é colunista de educação e blogueiro no Washington Post, onde trabalha há 40 anos.

Tradução: Andressa Muniz

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