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Entrevista

“Escolas levam as crianças ao museu e passam voando por tudo”

Maria Isabel Leite, consultora e pesquisadora em Educação e Infância, doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e editora do blog www.repensandomuseus.blogspot.com.br

A ida ao museu faz parte do calendário das escolas, mesmo que seja uma visita anual para cada turma. Como esse momento deve ser aproveitado?

O museu é espaço educativo não formal e que muito contribui para a produção de conhecimento. Se museu não é escola, em um museu não deveria haver "aula". Lá aprendemos "com os objetos" e não apenas "sobre eles". O espaço, a forma como se expõe e organiza o saber ali presentificado, bem como os objetivos envolvidos, são diferentes de aula. "Pedagogizar" a relação com o museu é um equívoco comum, pois poucos educadores de museu têm formação voltada para esta prática específica. Então, recorrem às suas experiências como alunos e professores escolares.

Acompanhando visitas de escolas à exposição de Escher, em Curitiba, se observa um ritmo acelerado. Cada criança tem poucos segundos para contemplar as obras. Essa correria não prejudica o aproveitamento?

Esse é um dos maiores equívocos. Devemos ficar de olho na qualidade e não na quantidade. Não importa ver tudo, mas ver "vendo"! Observar, comentar, refletir. Caso contrário, entramos na lógica do consumo e da descartabilidade. Escolas acabam às vezes favorecendo essa lógica quando levam as crianças ao museu e passam voando por tudo, o que é uma pena!

Em exposições interativas, como pais e professores deveriam conduzir as atividades?

Sou um pouco radical nisso. Não acredito que devamos "conduzir" atividades com crianças pequenas nos museus. Creio que o conceito a ser buscado incessantemente é o de "experiência". A visita deve envolver prazer, curiosidade, descoberta, encantamento. Deve ser memorável! Nas crianças pequenas, os processos de apropriação e os de produção cultural são muito interligados, por isso, enquanto vê, ela também dança, fala, se mexe, quer mexer. Tudo junto. Quanto menor a criança, mais interconectados estão esses processos.

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