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É inevitável: o colégio sempre passa valores para os alunos junto com o conteúdo formal. "Todas as escolas, tanto as confessionais [religiosas] como as não confessionais, trabalham com valores, princípios e ética", esclarece a psicoterapeuta familiar Lea Rocha Lima e Marcondes, mestre em educação na abordagem confessional. "A diferença é que as confessionais são pautadas para os valores, princípios e ética da confissão (religião) adotada, enquanto as não confessionais são pautadas por valores não religiosos", completa Lea.

Por isso, um cuidado na hora de escolher um colégio é verificar como as propostas de valores apresentadas no projeto pedagógico se relacionam com o que a família procura. "Os pais devem ter claro se a ideologia da escola está coerente com o que eles querem, de acordo com convicções próprias. O pai leva o pacote inteiro, então deve prestar atenção nisso", diz o professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e pós-doutor em ciências da religião Sérgio Junqueira.

Para Junqueira, é preciso pesquisa para saber como as propostas são de fato aplicadas no cotidiano da instituição. "É importante saber o que a escola chama de orientação religiosa e como isso é materializado nas aulas. Em uma visita à escola, o pai tem que perguntar para tentar saber se aquilo que foi apresentado é o que o filho vai ter." Nessa situação, fazer perguntas mais práticas e ver na grade de aulas como valores ou religião serão abordados é um passo fundamental para a compreensão do trabalho que será realizado com os alunos.

Os colégios da rede Marista, por exemplo, adotam o ensino confessional católico, mas abordam uma visão mais abrangente nas aulas de religião. "Entendemos que as diferentes religiões são uma apropriação cultural que nossos antepassados deixaram, por isso é importante o estudo das diferentes manifestações. É muito importante na relação do sujeito com o mundo, que se completa com o transcendente", diz Flávio Antonio Sandy, diretor educacional da rede Marista de Curitiba.

"É um grande facilitador quando os pais escolhem uma escola confessional, por querer que os filhos aprendam princípios que já são comuns à família, já que todos estão falando a mesma língua no aspecto da religiosidade. Quando a família não segue a confissão, mas mesmo assim opta por uma escola confessional, a família vai acabar se submetendo também a esses valores", diz Lea.

É possível até escolher um colégio que siga princípios religiosos diferentes dos adotados pela família, mas alguns cuidados devem ser tomados. "Esses casos precisam ser muito conversados. Nem sempre os pais conversam tanto com os filhos, por vezes por não ter clareza da orientação da escola. Na prática, pode ser conflitante para o aluno e criar constrangimentos quando o que dizem na escola é diferente do que é dito em casa", diz Junqueira.

Lea acredita que esses momentos de diferenças podem ser usados pelos pais para afirmar suas próprias convicções. "Quem tem a responsabilidade de educar os filhos são os pais, outras instituições são apenas co-participantes. Assim, pais devem escolher a escola que vai participar com eles. Em algum momento, a criança vai trazer para casa alguma coisa com a qual a família não concorda. Esse momento pode ser encarado como uma oportunidade para afirmar valores."

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