|
| Foto:

Nesse momento, nos Estados Unidos, milhões de estudantes estão retornando para as instituições de educação superior para o começo do semestre, enquanto outros estão começando a frequentar as aulas pela primeira vez. 

Nos últimos meses, diversas universidades têm visto revezes para a liberdade de expressão e debate, com palestrantes tendo convites cancelados por administrações de universidades com medo da controvérsia, e outros sendo impedidos de discursar por estudantes que discordam dos seus pontos de vista. 

Se nós quisermos responder a esses acontecimentos de modo inteligente, primeiro precisamos entender por que a liberdade de expressão é necessária para uma universidade. Para que ela serve? A resposta está ligada ao entendimento do próprio propósito da universidade. 

A universidade moderna e plural – isto é, a universidade que não é sectária e não pretende estar a serviço de uma perspectiva religiosa ou moral específica – se coloca em uma busca para transmitir aos seus estudantes um corpo de conhecimento, assim como a habilidade de pensar criticamente sobre esse corpo de conhecimento e enriquecê-lo. 

Essa iniciativa não pode ocorrer com sucesso sem liberdade de expressão – sem a capacidade de os professores e alunos debaterem abertamente os méritos e deméritos, pontos fortes e fracos de diversos pontos de vista, até mesmo aqueles que possam ser considerados extremos ou fora da opinião dominante da maioria. 

A universidade pode buscar transmitir um corpo de conhecimento – e, portanto, requerer que os estudantes aprendam sobre isso – porque tem confiança de que aquele corpo de conhecimento geralmente vale a pena. 

Mesmo assim, sabendo que esse corpo de conhecimento foi construído por seres humanos imperfeitos, a universidade também deve admitir que é de certo modo imperfeita, capaz de ser questionada e melhorada. 

O pensamento crítico e racional necessário a esse processo de questionamento requere um ambiente com diferentes opiniões que podem ser estabelecidas, examinadas e criticadas. 

A maioria das pessoas concorda com isso, de modo geral, mas algumas insistem em exceções à liberdade de expressão, argumentando, por exemplo, que as universidades têm a obrigação de corrigir o pensamento de alguns estudantes ou proteger os sentimentos de outros estudantes. 

Eu afirmaria, no entanto, que essas outras considerações, apesar de poderem algumas vezes ter méritos próprios, não justificam de fato os desvios da política geral de liberdade de expressão em universidades. 

Por exemplo: alguns professores podem pensar que é parte do seu trabalho não apenas transmitir conhecimento fomentar o pensamento racional, mas também curar os estudantes do que eles, os professores, consideram opiniões retrógradas ou injustas. 

Alguns podem argumentar que isso seja a função real de um professor universitário. Mas, se for, isso ainda exige liberdade de expressão. 

De modo geral, as pessoas não podem ser constrangidas para abandonarem as suas opiniões. Se a própria universidade, ou professores específicos, tentarem silenciar certas opiniões utilizando sua autoridade para classificá-las como inválidas, os estudantes que têm essas opiniões vão apenas guardá-las para si, enquanto continuam a agir de acordo com elas e provavelmente expressá-las de modo anônimo na internet ou de modo privado para os seus amigos mais próximos. 

Se o objetivo é solucionar erros, não se ganha nada prevenindo a liberdade de expressão, que permite que os erros sejam cometidos livremente, examinados, criticados, entendidos e corrigidos. 

Em um espírito de compaixão compreensível, algumas pessoas pensam que a universidade deveria proteger alguns dos seus membros de ideias que eles possam considerar prejudiciais. Apesar da compaixão ser louvável, seus objetivos não são realmente atingidos ao destruir a liberdade de expressão nos campi universitários. 

Como as lideranças de universidades frequentemente nos lembram, nós vivemos em um mundo vasto, diverso e cada vez mais interconectado. Nenhuma universidade pode proteger os seus estudantes – que passam um tempo considerável fora da universidade e têm acesso à internet – de ideias que eles consideram preocupantes. 

O único modo de proteger os estudantes de ideias ruins é oferecendo a eles as ferramentas intelectuais para examiná-las criticamente, o que, novamente, requer liberdade de expressão para essas ideias.

Publicado originalmente no Daily Signal. Tradução: Andressa Muniz

Políticas de “universidade gratuita” resultaram nos estudantes mais ricos recebendo uma parcela desproporcional de subsídios do governo.Via Ideias

Publicado por Gazeta do Povo em Sábado, 7 de outubro de 2017
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]