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Andrea não quis repetir os erros dos livros antigos, que têm uma visão única sobre a História | Henry Mileo/Gazeta do Povo
Andrea não quis repetir os erros dos livros antigos, que têm uma visão única sobre a História| Foto: Henry Mileo/Gazeta do Povo

Proposta é fazer o aluno participar e se envolver com o tema discutido

A coleção História em Projetos, voltada para estudantes de 5ª a 8ª série do ensino fundamental, não segue o modelo "texto + questionário com base no texto". A proposta, como o título sugere, é que os estudantes, a partir de uma discussão apresentada, desenvolvam atividades próprias e criativas. "E quando há uma pergunta, a resposta não é uma frase pronta. O aluno terá que pensar e analisar para responder", acrescenta a autora Andrea de Paula.

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Escolas locais já adotaram a coleção "nativa"

Alguns dos exemplares distribuídos pelo MEC vieram parar em Ponta Grossa. Na cidade, cinco escolas adotaram a coleção História em Projetos. A professora Mirian Ferreira de Almeida Santos, quando selecionou a obra para o colégio Estadual Munhoz da Rocha, não fazia idéia de que o livro havia sido planejado na mesma faculdade onde ela se formou há 15 anos. "O livro que eu tinha achado mais interessante não tinha boa avaliação do MEC. Então prestei atenção naquele que era o único que recebeu conceito ótimo e achei a proposta inovadora", conta.

Mirian afirma que o livro não é cansativo. "É como se fosse uma viagem, em que a criança vai descobrindo aos poucos. Tem menos texto e mais atividades", diz. Além do modelo de aprendizagem, a professora destaca que a didática força o discernimento. "Na área de História, atividades que fazem pensar são as mais importantes", avalia. A estudante Rafaela Hilgenberg, de 11 anos, também não sabia que a autora do livro que usou durante toda a 5ª série era também moradora de Ponta Grossa. Ela conta que se empolgou com os relatos sobre o jeito de viver dos egípcios e dos fenícios.

Para a aluna Evelyn Assis de Andrade, 14 anos, o livro História em Projetos colaborou para que ela passasse no teste seletivo para o ensino técnico em uma instituição federal. "Ele me ajudou a pensar cada vez que perguntava qual era a minha opinião sobre um tema. É bem explicado e tem bastante conteúdo atual", afirma. (KB)

Ponta Grossa - Foi no ônibus, no trajeto de toda semana entre Ponta Grossa e São Paulo, que a professora Andrea de Paula escreveu boa parte do texto de um livro didático. Ela só não imaginava que a obra se tornaria referência nacional, seria premiada e ainda mudaria a relação de tantas crianças com a disciplina. Andrea só queria mostrar que é possível ensinar História de um jeito diferente. "A idéia é formar cidadãos críticos, que não apenas decorem relatos oficiais", afirma. Escrita praticamente na estrada, a coleção História em Projetos é apresentada na perspectiva de uma viagem, com capítulos divididos em "Nosso itinerário", "Ponto de partida", "Orientando-se no tempo e no espaço", "Panorama", "As paradas" e "Ponto de chegada".

A iniciativa calcada apenas na visão ideológica acabou ganhando destaque. Foi segundo lugar no Prêmio Jabuti, na categoria livro didático, neste ano; o único da disciplina dentre os 19 títulos avaliados pelo Ministério da Educação a conquistar o conceito ótimo em todos os dez critérios analisados e atingiu uma vendagem de fazer inveja a muitos escritores, com 1,2 milhão de exemplares negociados (300 mil coleções). "Nunca calculei que ia sair da periferia de São Paulo e conquistar isso", comemora. Andrea já havia sido selecionada pelo Prêmio Jabuti, em 1998, com um livro-reportagem sobre a Marcha dos Sem-terra.

A intenção de escrever um livro didático surgiu quando Andrea ainda cursava o antigo segundo grau. "Os livros eram horríveis. E eu estudei no fim do período da ditadura, quando a história era baseada apenas em heróis. Os livros diziam que o passado foi assim e assado, numa visão única. E eu só pensava: não é possível que estudar História seja tão chato", conta.

Andrea conheceu na faculdade as duas outras autoras da coleção. As historiadoras Carla Miucci Ferraresi e Conceição de Oliveira estudaram na Universidade de São Paulo (USP) e também comungavam da idéia de que era necessário repensar a forma de ensinar História às crianças. "Nós sempre tivemos como base fazer um material diferente daquele que recebemos, que priorizava decorar conteúdo", diz.

A coleção levou quatro anos para ser escrita. E agora as historiadoras trabalham na revisão para a segunda edição, que deve chegar às mãos dos professores e dos alunos em 2011. "É trabalho para uma década. Também, são mais de mil páginas e precisamos ter a certeza de que o material esteja sempre atualizado", conta. Andrea passa parte da semana no Paraná, onde dá aulas na Universidade Estadual de Ponta Grossa, mas sempre volta para São Paulo, por causa da família e das aulas no pós-doutorado.

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