i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Entrevista

Mensalidade em universidade pública teria alto custo político e pouco retorno, diz Weintraub

    • Gazeta do Povo
    • 22/08/2019 11:15
    O ministro da Educação Abraham Weintraub.
    O ministro da Educação Abraham Weintraub.| Foto: Gabriel Jabur / MEC

    O ministro da Educação Abraham Weintraub afirmou, em entrevista ao Poder 360, que cobrar mensalidades dos estudantes das universidades públicas acarretaria um alto custo político sem retorno suficiente que justificasse esse “estresse”. Como o custo de um aluno em uma universidade pública pode ser o dobro de uma boa instituição particular, nas palavras de Weintraub, “quem pode pagar não ia querer”.

    VÍDEO: Assista à entrevista completa

    “Uma família rica que possa pagar o custo de uma universidade federal, que não é mais do que 10% dos alunos, não ia querer pagar porque hoje uma universidade pública federal ela tem um custo mais ou menos o dobro ou três vezes mais do que uma escola do mesmo gabarito da iniciativa privada. Não vejo por que as famílias iriam pagar”, explicou.

    Segundo Weintraub, o custo de um aluno, na média, dentro de uma universidade federal, corresponde atualmente a R$ 35 mil por ano e deve chegar a R$ 40 mil por ano em 2020.

    As universidades públicas são caras, entre outros motivos, segundo o ministro, porque a evasão é grande (mais de 50%) e a média de permanência dos alunos nos cursos é de 6 anos e meio. Contando com outros problemas, a média de um diploma em universidade pública no Brasil pode chegar a R$ 450 mil.

    Professores com dedicação exclusiva encontrariam trabalho fora da universidade?

    Outro fator que encarece os cursos e precisa ser repensado, na opinião de Weintraub, é o custo dos professores que dão, em média, 8 aulas por semana e recebem de R$ 15 mil a R$ 20 mil, em regime de dedicação exclusiva, e de R$ 8 mil a R$ 12 mil, quando são apenas titulares. Além disso, frisou Weintraub, em geral são 12 alunos por professor, ou seja, a produtividade dos professores seria baixa pelo salário recebido.

    “Provavelmente esses números pela primeira vez alguém tem a coragem de chegar e falar”, disse. E, olhando para a câmera, disse:

    “Pagador de imposto, você que esta aí: paga imposto para um cara trabalhar, ir uma vez por semana, dar aula, ganha de R$ 15 a R$ 20 mil, não tem compromisso se ele reprova 80% dos alunos, 90% dos alunos ele pode reprovar; não tem muitas vezes uma linha didática clara, e o aluno desiste no meio do curso. Quantos [desistem]? 50%. Em alguns cursos, 90% dos alunos desistem. Então você pega eventualmente um curso de história, filosofia e geografia aonde 90% dos alunos desistem, o aluno formado, o diploma desse aluno é muito caro”, disse.

    Weintraub deu a entender ainda que muitos professores com dedicação exclusiva não encontrariam outro trabalho. “Tem faculdade que o professor mesmo que queira não consegue fazer nada [fora da faculdade]”.

    “Um professor de Medicina normalmente quer clinicar, não quer só dar aula; um bom professor em escola de negócios quer fazer consultoria”, comparou. “Os professores dessas faculdades [com baixa produtividade] quase todos têm dedicação exclusiva e recebem muito mais do que professores de faculdade onde o pessoal tenta trabalhar além de dar aula”.

    “Como você melhora isso? Cobrando indicadores de desempenho. Por que você está perdendo 90% dos alunos? O que está acontecendo? Para quantos alunos você deu aula nesse semestre, para três, para cinco? Só de mostrar daria uma boa melhora nos números”, disse.

    E continuou: “Assim que passar o Future-se e começar a ter adesão, a gente pari passu vai passar alguns critérios [aos professores]. ‘Você pode ter número menor de aulas se publicar papers em revistas de melhor relevância. Não publica? Tem de dar mais aula”, disse Weintraub.

    O ministro afirmou ainda que tirar as bolsas ociosas da Capes de cursos de pós-graduação ruins, com notas 3 e 4 nos últimos 10 anos, vai melhorar o aproveitamento desse recurso. Ele citou alguns nichos de excelência nas universidades, mas apontou que há muito “joio com o trigo”. “Aumentou-se muito a produção de papel e o impacto caiu. objetivamente o MEC hoje é uma grande universidade federal, uma grande folha de pagamento de professor de universidade federal”.

    Leia também: Dez países que cobram mensalidades em universidades públicas

    E também: Após protestos, universidade federal divulga análise favorável ao “Future-se”

    Escolha de reitores

    Sobre a escolha de reitores, Weintraub disse que, na opinião dele, criou-se uma falsa imagem que o dinheiro da universidade “brota como o maná do Céu”, fazendo referência ao texto bíblico. O orçamento das universidades sobe, segundo o ministro, cerca de 8% ao ano acima da inflação.

    “Quem paga é o povo. Se o povo paga, nós pagamos, a universidade não é dos professores, não é dos técnicos e não é dos alunos. A universidade é do povo, de todos nós. E na discussão da escolha para reitor, falta a sociedade entrar. Estamos tentando meios que a sociedade possa participar da lista tríplice”, afirmou. O Ministério da Educação estuda tentar essa mudança no Congresso, com a apresentação de um projeto de lei, feito pela própria pasta ou em parceria com deputados e senadores.

    9 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
    Use este espaço apenas para a comunicação de erros
    Máximo de 700 caracteres [0]

    Receba Nossas Notícias

    Receba nossas newsletters

    Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

    Receba nossas notícias no celular

    WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

    Comentários [ 9 ]

    O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.

    • C

      Charles Bonemer Junior

      ± 5 horas

      E outra, profissões abarrotadas, em que não há interesse da sociedade em incentivar mais bacharéis (Direito, por exemplo), tem que cobrar caro!

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

      • C

        Charles Bonemer Junior

        ± 5 horas

        Tem que cobrar valor de mercado. Se não vai cobrir o custo, são outros quinhentos... A alta evasão decorre justamente por ser “grátis”. Ninguém dá valor ao que não paga!

        Denunciar abuso

        A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

        Qual é o problema nesse comentário?

        Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

        Confira os Termos de Uso

        • C

          Carlos Indio do Brasil de Paula Neves.

          ± 8 horas

          É hora de separar o joio do trigo, simples assim! O contribuinte paga, e paga muito caro.

          Denunciar abuso

          A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

          Qual é o problema nesse comentário?

          Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

          Confira os Termos de Uso

          • L

            Luciano Panagio

            ± 8 horas

            Tem professor que se enquadra no que o ministro disse, tem também professor que trabalha mais que 40hs semanais. Deve haver cuidado no que se fala, para não ser injusto com os bon professores, que além de aulas fazem atividades de extensão, pesquisa e prestações de serviços. Em nome da boa admnistração, todos os pontos devem ser levados em conta.

            Denunciar abuso

            A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

            Qual é o problema nesse comentário?

            Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

            Confira os Termos de Uso

            • W

              William Bones

              ± 9 horas

              Finalmente alguém excelente para o ministerio da educação, o Weintraub é excelente. Nas federais tem professor que trabalha 1 dia por semana e ganha 15mil por mês, não se atualiza e fica dando umas aulas ******* 90% dos alunos ele reprova (sendo que 90% claramente mostra que o problema é o professor despreparado que ganha 15mil).

              Denunciar abuso

              A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

              Qual é o problema nesse comentário?

              Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

              Confira os Termos de Uso

              3 Respostas
              • B

                BRUNO ALEX BRANCO

                ± 3 horas

                O sistema gratuito de universidades públicas do Brasil talvez seja, no mundo, o maior mecanismo de contribuição para a má distribuição de renda conhecido! A maioria dos alunos que estão matriculados em universidades públicas possuem condições financeiras de pagar uma universidade privada, enquanto a população carente, com acesso a um ensino de baixa qualidade durante os anos escolares, não consegue boas notas no ENEM e outros processos seletivos exigidos para ingressar na universidade pública. Sem dúvidas cobrar de quem pode pagar seria uma das alternativas para melhorar esse cenário, independente se o valor cobrado irá cobrir os custos por aluno. É uma questão de equalizar o sistema!

                Denunciar abuso

                A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

                Qual é o problema nesse comentário?

                Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

                Confira os Termos de Uso

              • R

                Robson Rigonati

                ± 4 horas

                Helio: Eu sei vários, mas não to querendo dis****r um processo judicial com quem tem muito mais dinheiro que eu.

                Denunciar abuso

                A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

                Qual é o problema nesse comentário?

                Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

                Confira os Termos de Uso

              • H

                Helio

                ± 6 horas

                Cite alguns exemplos pra nós aqui. Sabe de algum nome?

                Denunciar abuso

                A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

                Qual é o problema nesse comentário?

                Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

                Confira os Termos de Uso

            Fim dos comentários.