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Alfabetização

Não é suficiente aprender a ler apenas memorizando palavras, diz especialista

  • PorTiago Cordeiro, especial para a Gazeta do Povo
  • 01/12/2019 10:07
Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa| Foto: Unsplash

Quando o assunto é alfabetização, a professora Linnea C. Ehri é uma autoridade mundial. Formada em psicologia educacional pela Universidade da Califórnia em Berkeley, há 49 anos, ela já foi presidente da Society for the Scientific Study of Reading (SSSR) e, por três anos, consultora do Congresso americano a respeito de métodos de alfabetização cuja eficácia foi cientificamente comprovada.

Antes de conceder entrevista à Gazeta do Povo, a professora participou de um evento do Ministério da Educação (MEC) que visava precisamente elencar informações concretas, segundo o que há de mais atual na produção acadêmica sobre a alfabetização. Dias depois de realizar sua palestra nesse evento, a Conferência Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências (Conabe), realizada em outubro, em Brasília, a professora atendeu à reportagem, por escrito.

Por que é importante que os leitores iniciantes tenham contato com o alfabeto escrito?

Para se tornarem capazes de compreender a linguagem escrita, os iniciantes precisam aprender a ler palavras usando o conhecimento do sistema alfabético escrito. Esse é o único caminho para aprender a ler e escrever. É impossível construir um dicionário mental de palavras para ler e escrever se o iniciante apenas tenta memorizar a forma não alfabética das palavras.

São muitas palavras, a forma de pronunciá-las não fica clara visualmente o suficiente. Os leitores experientes sabem disso, eles não ficam confusos diante de palavras cujo desenho das letras é visualmente parecido. Os iniciantes precisam ser expostos às letras para aprender a lê-las.

Qual é a melhor estratégia para ensinar o alfabeto?

O melhor método consiste em seis ingredientes. Em primeiro lugar, é preciso ensinar os nomes e as formas de cada uma das letras. Depois, ensinar os fonemas – ou seja, os menores sons das palavras faladas. Em terceiro, ensinar as crianças a decodificar palavras que nunca viram antes, convertendo as letras em sons e combinando a sequência de sons para formar uma palavra com significado.

É importante que esse processo de reunir os fonemas de forma a construir uma palavra inteira pronunciada corretamente se torne intuitivo, automático. Em quinto lugar, os professores devem entregar às crianças livros com vocabulário simples, para que elas leiam sozinhas, formando palavras e frases com significado. Por fim, os professores devem ensinar a criança a lidar com os fonemas que ainda não são familiares. Muitos desses ingredientes não estão presentes em programas de ensino que minimizam, incorretamente, a importância dos fonemas para a formação da leitura.

É tão importante assim ensinar as crianças a pronúncia das palavras?

Sim, muito. Aprender a ler palavras e a pronunciá-las são dois lados da mesma moeda. As pronúncias são ativadas quando as crianças utilizam seu conhecimento do alfabeto escrito para formar palavras e pronunciá-las – e a própria pronunciação colabora para que elas sejam consolidadas na memória. Ensinar as crianças a pronunciar palavras é um passo fundamental para a alfabetização.

As vogais devem ter prioridade?

Sim, aprender o som das conexões entre letras é essencial, e as vogais são importantíssimas em todas as palavras. Na língua portuguesa, em especial, as vogais são tão salientes na fala que o ensino pode começar por elas, e depois seguir para as conexões com as consoantes.

Qual é o melhor momento para ensinar crianças a ler?

Aprender a ler é resultado de um percurso, que inclui uma série de diferentes momentos de aprendizado, que não podem acontecer ao mesmo tempo, precisam ser ensinados em sequência. As crianças começam aprendendo formas, nomes e sons. As primeiras letras aprendidas são tipicamente as que formam os nomes das crianças.

Para aprender a escrever palavras, as crianças precisam aprender a fazer a relação entre letra e sons. Quando elas escrevem palavras, elas selecionam letras que representam os sons que elas detectam nas palavras. Inicialmente, elas podem escrever apenas partes das palavras, por exemplo as letras do início e do fim.

Os alunos deveriam aprender a desenhar letras com dois anos de idade, como acontece em muitas escolas?

Eu não recomendo que crianças de dois ou três anos aprendam a escrever letras e palavras. Manejar um lápis é difícil nessa idade. Em geral, as crianças começam a adquirir as habilidades fundamentais para aprender a ler e escrever por volta dos quatro anos.

Alguns métodos de instruções fônicas começam ensinando as crianças apenas algumas letras, talvez quatro ou cinco, incluindo alguma vogal, e então os professores ensinam os alunos a decodificar palavras pronunciadas com essas letras.

Gradualmente, mais letras são adicionadas, e as crianças aprendem a ler palavras que contêm a combinação dessas letras. Eventualmente, as relações mais amplas entre letras e sons são aprendidas e aplicadas para escrever e ler palavras. Outros programas fônicos ensinam mais letras e sons antes de ensinar a decodificar palavras. Já outros programas ensinam as crianças a escrever os sons na forma de palavras. Em todos os casos, no entanto, o foco está em aprender o sistema alfabético de escrita e então aplicá-lo à leitura.

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Comentários [ 1 ]

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  • K

    katia benedetti

    ± 0 minutos

    Parabéns pela matéria. Um dos gravíssimos problemas de nossos alunos é não conseguirem, no decorrer da leitura, identificar as sílabas tônicas das palavras (isso devido ao tipo de alfabetização e ensino de língua que temos hoje no país) e, dessa forma, não conseguirem acessar a pronúncia dos vocábulos. Sendo assim, durante a leitura, eles não conseguem reconhecer a maioria das palavras que leem e, por isso, a compreensão leitura fica profundamente comprometida. O livro "A Falácia socioconsturtivista: por que os alunos brasileiros deixaram de aprender a ler e escrever", Kírion, 2020, explica detalhadamente essa questão.

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