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Novo ano: novas aulas, professores, amizades e um novo recomeço. | U.S. Air Force
Novo ano: novas aulas, professores, amizades e um novo recomeço.| Foto: U.S. Air Force

O começo de um novo ano letivo pode ser um tempo de novas possibilidades: novas aulas, novos professores, novas amizades, um novo recomeço. 

A experiência real na sala de aula pode muitas vezes transmitir uma mensagem menos promissora: professores que não parecem muito convencidos de que todas as crianças – principalmente você ou as suas crianças – podem ter sucesso. Notas decepcionantes, currículo sem ambição e comparações cruéis com estudantes de outros países demonstram perspectivas diminuídas e expectativas não muito boas. 

Muitos pais lutam pelos seus filhos e confrontam professores e gestores diretamente quando as coisas não estão indo bem – ou mudam de escola, ou contratam tutores, ou mudam-se para uma região com escolas melhores. 

Mas algumas das maiores melhorias acontecem ao desafiar diretamente os modos de pensar que limitam a capacidade de sucesso dos estudantes. Nessa luta, houveram vitórias notáveis e duradouras. 

Aqui vai uma. Quando Henry Fowle Durant fundou a Wellesley College (para mulheres) em 1875, ele incluiu um elemento considerado arriscado para a época: esportes para mulheres. A visão predominante era de que muito esforço físico poderia prejudicar a capacidade reprodutiva das mulheres. Em 1908, esportes na Wellesley incluíam basebol, basquete, hóquei sobre a grama, tênis, remo, tiro com arco e corrida. Em 1972, o Congresso aprovou uma lei (Título IX) que determina que mulheres e homens devem ter as mesmas oportunidades de participar em práticas esportivas. 

Algumas das linhas de pensamento limitadoras para crianças são tão sutis quando uma linha incluída em um longo relatório. Na virada do século 20, apenas um em cada dez estudantes nos EUA passou da oitava série para o ensino médio. Um movimento no segundo ciclo do ensino fundamental, a chamada middle school, buscou mudar os métodos de ensino para ajudar a diminuir essa lacuna. 

Mas em 1982, o documento de fundação da National Middle School Association, no estado de Ohio, defendeu que existem riscos em pressionar os estudantes para o sucesso acadêmico, argumentando que o desenvolvimento cerebral desaceleraria durante esse período escolar. Esse “platô escolar” tornaria arriscado introduzir álgebra ou matemática avançada na sala de aula durante essa fase – uma afirmação que não foi contestada até o final do século. 

Talvez a mudança mais significativa no modo de pensar educação desde então tenha sido contestar a noção de que a inteligência pode ser mensurada por um teste padronizado. Em 1925, o College Board, organização que prepara e administra os testes utilizados em processos seletivos de universidades, criou o Teste de Aptidão Escolar, projetado para mensurar a capacidade do estudante de aprender – isto é, “entender as relações entre fatos discretos e aplicá-las a situações novas e inesperadas”. 

Conforme as notas do SAT se transformaram em portões de entrada para universidades, uma indústria de cursos preparatórios para testes cresceu em volta disso. O que os cursos provaram foi que os estudantes poderiam melhorar significativamente a sua pontuação pagando para praticar habilidades de resposta a testes (hoje os valores são entre US$ 600 e US$ 1000). 

Em cada época, as opiniões de especialistas que limitam os estudantes sempre parecem imutáveis. Hoje, muitas estão refutadas. Essas vitórias sobre limitações devem ser relembradas, especialmente na volta às aulas.

Tradução: Andressa Muniz

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