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Opinião

O muro da educação: militantes de jaleco travestidos de professores

É evidente que estudantes estão sofrendo com o comportamento opressivo dos professores militantes e também com a ausência de uma abordagem justa a respeito de temas defendidos por conservadores e liberais

  • Leonardo Lopes*
Alemães no Muro de Berlim dias antes de sua demolição. |
Alemães no Muro de Berlim dias antes de sua demolição.
 
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A queda do muro de Berlim em 1989 foi um alento de liberdade que fez brotar a esperança de que a repressão de pensamento e o isolamento social e cultural sofrido por quem vivia nos países comunistas tinha chegado ao fim. 

Quem assistia atônito à queda, não imaginava que um outro muro já estava em construção há anos pela esquerda. Cada pedaço de concreto que ruía em Berlim já havia sido substituído por livros, artigos, músicas e toda forma de arte, conhecimento e cultura de influência marxista: o marxismo se rendeu no âmbito político para vencer no cultural. Uma estratégia que distraiu a todos, dando a impressão de que eles estavam derrotados, quando na verdade, estavam ressurgindo em outro front. 

Sun Tzu, em “A Arte da Guerra”, diz: “Toda campanha militar repousa na dissimulação. Finge desordem. Jamais deixes de oferecer um engodo ao inimigo, para ludibriá-lo.”. Certamente, se vivo, Sun Tzu ficaria fascinado ao ver seu ensinamento sendo utilizado de forma tão sagaz. 

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O marxismo opressor, vil e genocida ressurgiu travestido de fraternidade e benevolência. A ideologia que outrora era imposta pelo medo e pela violência, utiliza-se agora dos meios acadêmicos e culturais para incutir ideias paulatinamente, a partir de uma releitura de sua histórica interpretação dicotômica de mundo - que divide a humanidade entre oprimidos e opressores – separando, a partir deste momento, a sociedade entre "bons e maus", deixando exclusivamente a um lado do espectro todas as virtudes e a redenção, e a quem se opusesse à qualquer de seus preceitos, o ódio, em uma latente paródia bíblica da luta entre o bem e o mal. 

Com esta retórica, as massas são induzidas a acreditar que suas opiniões não podem transitar entre diversas linhas ideológicas. São compelidas a adotarem como suas próprias verdades posicionamentos das quais discordam, mas que o fazem para figurarem ao lado dos virtuosos: quem não apoia o sistema de cotas, é racista. Quem não apoia o aborto, é machista. Quem não apoia o casamento gay, é homofóbico. 

Para a esquerda, nesta guerra ideológica, não há lugar em cima do muro. Se a pessoa defende ferrenhamente todas suas pautas é aceita no grupo dos virtuosos. Caso negue algumas delas, estará automaticamente do lado negro do muro. 

Releitura 

Esta releitura do marxismo não renegou seus valores originais de luta de classes, mas a manteve sob uma versão mais humanista e inclusiva, trazendo para si outras categorias de “oprimidos sociais” e posicionando-se como uma ideologia de amor e igualdade. 

Neste contexto, se fez necessário também mudar de estratégia de disseminação, uma vez que seria incompatível com seu posicionamento humanista impor sua ideologia por uma violenta revolução armada como Karl Marx defende: era necessário estabelecer uma nova estratégia que pudesse conquistar lenta e gradativamente o inconsciente coletivo sem o uso da força, estratégia esta que ficou conhecida como Revolução Passiva, termo reelaborado e cunhado pelo filósofo italiano Antônio Gramsci. 

Gramsci, aliás, foi um dos principais influenciadores deste processo de reinserção do marxismo sobre uma nova roupagem. Segundo ele, deveria ser criada uma Escola Unitária ou Formação Humanista, que teria a função de substituir o modelo educacional que existia à época e que, segundo Gramsci, era fortemente influenciado pela igreja e pela burguesia. 

Em “Cadernos de Cárceres, Volume II” ele diz que “Toda a escola unitária é escola ativa, embora seja necessário limitar as ideologias libertárias neste campo e reivindicar com certa energia o dever das gerações adultas, isto é, do Estado, de “conformar” as novas gerações.”. 

Entende-se neste contexto o termo “conformar” como “modelar” uma nova geração. Ainda nesta obra, ele deixa claro que esta mudança ideológica deveria ser iniciada dos altos níveis acadêmicos (universidade) para os mais baixos (ensino primário): "A organização acadêmica deverá ser reorganizada e vivificada de alto a baixo". 

Complementando mais adiante que "seria útil possuir o elenco completo das academias e das outras organizações culturais hoje existentes", e ainda que "a colaboração entre estes organismos e as universidades deveria ser estreita... A finalidade é obter uma centralização e um impulso da cultura nacional que fossem superiores aos da Igreja Católica.". Gramsci sugere assim que a remodelação da sociedade deveria partir dos meios acadêmicos. 

Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, reverenciado mundialmente pela sua obra “Pedagogia do Oprimido” - sendo o terceiro mais citado em obras acadêmicas no mundo - e pelo método pedagógico que carrega seu próprio nome, defendia uma Educação Libertadora e que possibilitasse aos alunos extrapolar o aprendizado mecânico fazendo-o questionar sua posição na sociedade. 

Em “Educação na Cidade” (1991) ele diz: “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”. Nesta citação, o autor sugere uma problematização alinhada ao pensamento marxista de exploração de mão-de-obra e refere-se ao lucro de forma pejorativa. O pretenso pensamento crítico que Paulo Freire defende estimular nos alunos não é realmente crítico, uma vez que se limita a questionar diversos assuntos sociais sob uma única ótica, a marxista. 

Nota-se assim que a estratégia de Antônio Gramsci obteve êxito nos meios acadêmicos e parece ter atingido seu auge ao deter a hegemonia do pensamento nas escolas e universidades, não deixando nenhum espaço para o contraditório. O muro erguido para separar a sociedade entre bons e maus se tornou uma muralha que divide os alunos e que também torna instransponível o acesso ao conteúdo que não esteja alinhado ao pensamento marxista. 

Experiências 

Durante o período em que estagiei como professor de História tive naturalmente contato com diversos professores. Minha monitora - que preservo o nome - era uma ótima professora. Mesmo se declarando abertamente de esquerda, era querida e respeitada pelos alunos, pelos seus pares e sempre tivemos um bom relacionamento. 

Embora suas aulas fossem bem ministradas, quando surgia em sala algum tema que demandasse uma opinião pessoal, ela, creio que inconscientemente, exaltava e elogiava as ideias de esquerda e recriminava ou ridicularizava ideias de direita, privando os alunos de um conhecimento mais amplo e plural e limitando-os a uma única abordagem ideológica sobre o tema. Talvez ela, e tantos outros professores que conheci e que agem da mesma maneira, não note, mas está praticando uma doutrinação velada. 

Creio que não seria um problema o professor emitir sua opinião pessoal em sala de aula caso houvesse um certo equilíbrio de ideologias entre os docentes, afinal, em outra aula outro professor apresentaria uma visão alternativa e o aluno poderia assim formar a opinião dele a partir de diversas visões conflitantes e que foram abordadas com seriedade, profundidade e equilíbrio. 

Mas isto é impossível dada a hegemonia de professores de esquerda no meio acadêmico e a estratégia dicotômica como os temas são abordados, o que impede esta pluralidade e limita o debate acadêmico à uma discussão entre pessoas que concordam entre si, silenciando quem possui uma opinião divergente. 

Com décadas de domínio no meio acadêmico, a esquerda conseguiu produzir uma legião de professores doutrinadores que agem de forma inconsciente, uma vez que também foram privados do contraditório na universidade (como Gramsci sugeriu). Conteúdos conservadores e liberais são quase que inexistente nas universidades e, quando estes temas são abordados em aula, aparecem sob chacota, desdém ou repulsa. 

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Estes docentes, mesmo que quisessem, não conseguiriam ensinar seus alunos sobre o pensamento liberal ou conservador de forma equivalente com que abordam as ideias marxistas e progressistas, pois também foram privados deste mesmo conhecimento quando eram estudantes: conhecimento é algo que se compartilha e é impossível compartilhar o que não se tem. Desta maneira, estes professores são vítimas e vilões de um ciclo vicioso, onde não se ensina o contraditório, pois não o conhece, e não o conhece porque não lhe foi ensinado. 

Mais nocivo para os alunos do que os professores doutrinadores inconscientes são os doutrinadores militantes. Estes têm total consciência de seus objetivos e agem dolosamente. Se um aluno perguntar em sala de aula sobre algum personagem conservador ou apresentar algum tema liberal, o professor militante irá ridicularizá-lo ou, não raramente, será agressivo e cuidará de silenciar este aluno para que a sala não seja contaminada com ideias contra-revolucionárias, tal qual um oficial da Alemanha Oriental que não hesitaria em disparar contra um alemão do lado ocidental que tentasse atravessar pelo muro um livro, revista ou carta que ousasse contrapor o regime socialista. 

Frequentemente são veiculados nas redes sociais vídeos onde aparecem alunos sendo oprimidos e silenciados em sala de aula apenas por questionarem algum dos preceitos da esquerda virtuosa. São humilhados e por vezes sofrem punições, como perda de nota, por terem um posicionamento mais conservador ou liberal. 

Este cerceamento truculento por parte de professores militantes não tem se limitado apenas aos discentes. Ainda tímidos, alguns professores têm denunciado comportamento semelhante entre os docentes. 

Em abril deste ano ingressei em um grupo de professores de História e Historiadores no Facebook. Para ser aceito, precisei confirmar que era realmente formado em História, além de informar onde cursei a faculdade e quando me formei. Estas indagações me fazem crer que existe um certo critério para garantir que apenas Historiadores e Professores de História participem do grupo. 

Uma vez aceito, e ao notar uma dominação de postagens de esquerda no grupo que, entre outros clichês, versavam sobre temas como “Golpe de 2016”, “Lula foi preso sem provas” e até o “Sérgio Moro é agente da CIA”, resolvi criar uma enquete para conhecer melhor o perfil dos meus colegas de formação. 

A enquete contou com a participação de 220 professores e apresentou o seguinte resultado: 73% se disseram socialistas (um percentual menor do que o relatado neste estudo), 6% liberais, 3% conservadores – 18% disseram não ter nenhuma ideologia. 

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A postagem causou certo incômodo e, após acusações absurdas por parte de alguns integrantes, foi retirada do ar. Sem aceitar, procurei a administradora do grupo (que curiosamente tinha em sua foto de perfil o texto "Lula Livre"), que mesmo percebendo que se tratava claramente uma militante de esquerda, acreditei que pudesse ter uma posição imparcial na análise do caso. Mero engano. 

Ao invés de analisar minha reclamação e a postura de quem me denunciou, ela optou por me investigar: foi até minha timeline, analisou minhas postagens e pronunciou-se em público no grupo acusando-me de ser "neoliberal", explicitando que aquele era um grupo de maioria progressista e marxista e que o grupo não aceitaria quem defendesse o “Golpe de 2016", as reformas, o Escola Sem Partido, etc. 

Indignado, questionei o fato de ela ter optado por me investigar ao invés de analisar minha reclamação e questionei: 

“Se eu fosse seu aluno, você iria agir da mesma maneira?” 

Fui expulso do grupo. 

Se eu, colega de profissão, fui investigado, julgado e expulso de um grupo de professores de História pelo que sou e não pelo que fiz, seria muita inocência acreditar que este tipo de opressão não acontece também com alunos em sala de aula? 

É evidente que estudantes estão sofrendo com o comportamento opressivo dos professores militantes e também com a ausência de uma abordagem justa a respeito de temas defendidos por conservadores e liberais. Com efeito, alunos que desejam exercer seu pensamento crítico e questionar a ideologia dominante optam pelo silêncio; eles conhecem as penas aplicadas a quem se insurge. 

É preciso romper com este muro na educação que separa ideologicamente os alunos e bloqueia o acesso ao conhecimento contraditório. Mas em um cenário onde a maioria esmagadora daqueles que ensinam História são de esquerda, sendo uma parcela significativa militante, opressora e agressiva, não há outro caminho senão adotar medidas legais que protejam o aluno e que defendam o acesso justo, amplo e plural ao conhecimento, garantindo assim o desenvolvimento de um verdadeiro pensamento crítico. 

*Leonardo Lopes é empresário, possui MBA em Gestão de Negócios e é graduado em História pela Unisa (Universidade Santo Amaro).

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