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Polêmica, versão final de currículo do ensino médio é entregue pelo MEC

O governo espera a conclusão da BNCC para seguir com a polêmica reforma do ensino médio que, após protestos de estudantes em todo país, foi sancionada em julho de 2017

Discussão da Base Nacional Comum Curricular no Paraná, em agosto de 2016 | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Discussão da Base Nacional Comum Curricular no Paraná, em agosto de 2016 (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

O Ministério da Educação (MEC) entregou a última versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino médio ao Conselho Nacional de Educação (CNE), na tarde desta terça-feira (3). 

A previsão é a de que o documento, que deverá orientar as instituições de ensino médio de todo o país, seja discutido em cinco audiências públicas antes de ser devolvido ao MEC e aprovado definitivamente ainda este ano.

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O governo espera a conclusão da BNCC para seguir com a polêmica reforma do ensino médio que, após protestos de estudantes em todo país, foi sancionada em julho de 2017.

Até 2021, o governo federal quer colocar em prática dois pontos da reforma descrita na Lei 13.415 de 2017. O primeiro é fazer com que o aluno deixe de ter as 13 disciplinas previstas hoje nos 1º, 2º e 3º do ensino médio para escolher uma área do conhecimento para se aprofundar. 

Ou seja, em 40% do tempo dos três anos do ensino médio o aluno deverá se aprofundar em um dos seguintes cinco itinerários formativos: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica e Profissional. 

Seriam obrigatórias nos três anos apenas as disciplinas de Português e Matemática. Filosofia, Sociologia, Educação Física e Artes devem ser dadas, mas é a BNCC que definirá quanto da carga horária caberá a cada uma dessas matérias.

A segunda meta do governo é implantar a educação integral do ensino médio, das 2.400 horas nos três anos adotadas hoje para 4.200 (1.400 horas por ano). Espera-se também que a BNCC a ser entregue hoje ajude a delimitar quanto tempo deve ser gasto com o quê. A BNCC para os ensinos infantil e fundamental foi aprovada em dezembro do ano passado.

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Questionamentos

A discussão sobre como melhorar a aprendizagem dos jovens de 15 a 17 anos, obrigados a estudar em quatro ou cinco horas diárias um currículo enciclopédico, criado na época da ditadura, é pauta de especialistas em educação há mais de 10 anos. Educadores, porém, veem com cautela as modificações aprovadas pelo governo e esperam que a BNCC resolva algumas das críticas feitas à reforma dessa etapa da educação.

Ninguém questiona que é preciso dar menos horas para algumas matérias, mas os educadores veem o risco de uma aposta muito forte no Português e na Matemática, apenas para conquistar notas melhores no Ideb (avaliação nacional dos estudantes) ou nos rankings internacionais, empobrecendo o currículo.

“É preciso tomar cuidado para não induzir que só Português e Matemática são importantes e o restante não ser dado com qualidade”, disse o presidente da comissão que discute a Base no Conselho Nacional de Educação (CNE), Cesar Callegari, em fevereiro ao Estadão Conteúdo.

Outra crítica está vinculada ao sucateamento da educação no Brasil. Se hoje, com o ensino de meio período, o Brasil não consegue garantir qualidade em sala de aula – o país está entre os piores do mundo – conseguirá oferecer um ensino de excelência em cinco itinerários formativos, sem perder em valor nas matérias básicas de português e matemática?

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Esta é uma pergunta ainda sem resposta. O que se sabe é que dificilmente todas as escolas de ensino médio oferecerão as cinco áreas de conhecimento propostas na lei pela falta de demanda ou pela falta de recursos. O MEC se comprometeu a transferir recursos para as Secretarias Estaduais de Educação interessadas em aderir ao programa, com subsídio de R$ 2 mil por aluno, mas o órgão estaria esperando a BNCC ser aprovada definitivamente para dar seguimento ao edital para esse fim.

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