
Ele busca a simplicidade e tem orgulho de apenas ter de atravessar a rua para chegar ao seu escritório, no Rio de Janeiro. O carioca Felipe Taborda, 55 anos, único designer latino-americano a entrar para o livro dos 100 melhores designers gráficos do mundo Graphic Design for the 21st Century 100 of the Worlds Best Graphic Designers, de 2003 , gosta do luxo de poder ir ao cinema a pé e de fazer reuniões de negócio pelo telefone fixo. Celular, ele não tem e nem vai ter. "Se o Steven Spielberg quiser falar comigo, em algum momento ele vai me encontrar no telefone fixo. Mas também qual é a probabilidade do Spielberg querer falar comigo?", brinca.
Seja em casa ou nas muitas viagens que faz pelo mundo participando de palestras e exposições, Taborda também dispensa o computador. Carro? Nem pensar. "Não é nada de espiritual ou de religião ou de seitas ou de fanatismo. É puro conceito de vida mesmo", diz o designer, que por ser filho de militar morou em várias cidades do país, inclusive em Curitiba, em 1975.
Se é para falar de trabalho, a praticidade toma o lugar da cerimônia. Felipe não se submete mais a almoços de negócios. "Comer é que nem sexo: você tem de fazer com quem tem intimidade. Você passa o almoço todo com uma pessoa que não conhece, com aquela conversa morna, para que, na hora da sobremesa, se feche o negócio. Eu não. Faço tudo pelo telefone. Simplifico a vida", afirma.
Design
O maior nome do design gráfico brasileiro mantém a simplicidade também na hora de considerar a relevância de seu trabalho para a área. "Tendo a acreditar que o trabalho que faço tem conteúdo. Cada vez mais estamos expostos a design sem conteúdo e nada disso sobrevive." Estudar o Design, mas também investir em conhecimentos gerais e ler muito são dicas que ele deixa escapar para quem pretende seguir a profissão.
"Diria aos estudantes para que tenham trabalhos antes de terem atitude e que não tenham atitude. Oscar Niemeyer não tem atitude. Os Beatles fizeram seis fotos na Abbey Road e voltaram para as gravações no estúdio. A única coisa que eles sabiam é que na manhã seguinte iam fotografar para a capa do álbum e fizeram uma das coisas mais marcantes do planeta. Então vamos voltar à simplicidade, na nossa vida pessoal, profissional, amorosa. E é preciso ser curioso. A curiosidade é fundamental para qualquer profissão."
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Formado em Design Gráfico pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ), Felipe Taborda também estudou Cinema e Fotografia na London International Film School (Inglaterra), Communication Arts no New York Institute of Technology e Design Gráfico na School of Visual Arts (EUA). É professor da UniverCidade, do Rio de Janeiro, e desde 1990 tem seu próprio escritório, atuando principalmente na área cultural, editorial e fonográfica. Já teve trabalhos publicados no World Graphic Design, The Anatomy of Design e Contemporary Graphic Design.




