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“Vão estudar”, diz viúva de Paulo Freire em manifestação em SP

Ato é reação à tentativa de remover título de patrono da educação dado ao educador

  • Renata Rondino, especial para a Gazeta do Povo
Pouco mais de 200 pessoas compareceram ao ato em defesa do educador Paulo Freire na PUC-SP. | Renata Rondino.
Pouco mais de 200 pessoas compareceram ao ato em defesa do educador Paulo Freire na PUC-SP. Renata Rondino.
 
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Cerca de 250 pessoas participaram nesta segunda-feira de um ato em defesa do educador Paulo Freire na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. A manifestação teve a presença da deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) e de Ana Maria Araújo Freire, viúva do pedagodo falecido em 1997, além do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

O ato foi uma resposta à proposta apresentada no site do Senado que pede a revogação da lei que institui Paulo Freire patrono da educação brasileira. A lei, que tem Erundina como autora, foi sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2012. 

Para Erundina, que durante o evento atacou o governo do presidente Michel Temer e criticou a proposta de reforma do ensino médio, “grupos conservadores” se incomodam com a “força emancipatória” que as ideias de Paulo Freire garantem aos seus “educandos” -  Freire foi secretário municipal de Educação durante a gestão de Erundina à frente da prefeitura de São Paulo, entre 1989 e 1993. 

“A formação que ele transmitia era tão definitiva que, mesmo após 20 anos do seu falecimento, pessoas que passaram pelas mãos dele transmitem o que aprenderam. Por isso essas forças do atraso querem eliminar Paulo Freire, expulsá-lo mais uma vez do país, tirando dele aquilo que o povo lhe conferiu, o título de patrono”, disse a deputada à Gazeta do Povo, referindo-se ao período de 16 anos em que o educador viveu exilado durante o regime militar. 

Para os críticos, a metodologia pedagógica de Paulo Freire é “ideologizada”. Entre eles, está o movimento Escola Sem Partido, adepto da ideia de revogar o título de patrono da educação.


O componente ideológico de esquerda é parte significativa do método Paulo Freire. É possível separar uma coisa da outra?

Publicado por Gazeta do Povo em Domingo, 1 de outubro de 2017

“Os críticos não leram Paulo Freire. Querem aparecer, são medíocres. Algumas pessoas que conheço desse movimento conservador são absolutamente medíocres, não conhecem nada do mundo do conhecimento”, disse Ana Maria Araújo Freire à reportagem. “Vão estudar, vão aprender coisas. Estudem Paulo e depois façam sua triagem. Paulo é reconhecido no mundo todo e um dos autores mais lidos nos países de língua inglesa”, acrescentou. 

Sobre a acusação de que Freire abriu as portas para a ideologia em sala de aula, Erundina rebate com uma pergunta: “A posição dos grupos conservadores também não é ideológica?”, questiona. “Não há neutralidade em posição alguma no ser humano. Mesmo aquele que se diz neutro, é uma forma de fazer política. Querer negar a ideologia é querer negar a condição da influência do sujeito sobre aquilo que se expressa na objetividade dos fatos”, afirma. 

Patrono?

A petição que pretende revogar o título de Paulo Freire já atingiu as 20 mil assinaturas necessárias para que o tema seja debatido pelo Senado Federal. O tema será discutido em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação participativa da Casa. 

“Paulo Freire é considerado filósofo de esquerda e seu método de educação se baseia na luta de classes”, argumenta Stefanny Papaiano, autora da proposta.“Os resultados são catastróficos e tal método já demonstrou em todas as avaliações internacionais que é um fracasso retumbante”, prossegue. 

Para Erundina, não se pode culpar Paulo Freire pelo quadro atual da educação brasileira. “A diferença para nosso método de ensino atual e o da Idade Média é que hoje temos luz elétrica”, avaliou a deputada. Para melhorar a situação, Nita sugere: “É preciso que os professores tenham uma formação pedagógica dentro dos princípios e fundamentos de Paulo. É preciso que os estudantes sejam sujeitos da história.” 

Mas Paulo Freire não é aplicado no método de ensino brasileiro há décadas? “Não, é claro que não. Ou alguém imagina que esse governo tenha interesse na emancipação dos alunos?”. Ao ser questionada sobre os 13 anos de governo do PT antes de Michel Temer, Nita respondeu: “Em alguns municípios ainda temos Paulo Freire aplicado.” 

Contra o impeachment 

O movimento Escola Sem Partido foi muito criticado durante o evento. Uma das participantes lamentou a aprovação de projeto em Campinas, no interior de São Paulo. “Se permitirmos que qualquer escola adote isso, estaremos desrespeitamos tudo aquilo que compreendemos sobre Paulo Freire e sobre a pedagogia”, disse uma delas, que discursou durante o ato. 

Uma professora aposentada pela rede estadual de ensino e pertencente ao Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment se disse “emocionada” com os “ataques” que vem sofrendo de movimentos como o da Escola Sem Partido. 

“Temos que lutar por uma coisa maior que se chama democracia, para anular o impeachment da ex-presidente Dilma. O ex-ministro José Eduardo Cardozo, que é advogado de Dilma, nos orientou a coletar assinaturas para uma ação popular, que não é competência do Supremo. Se conseguirmos um milhão de assinaturas, ele incluirá nossa ação em um mandado de segurança e vamos anular esse impeachment. Juridicamente ele é anulável.” 

O ato foi organizado pela Cátedra Paulo Freire, da PUC, e pelo Coletivo Paulo Freire por uma Educação Democrática. Durante o evento, foi divulgado um manifesto em apoio ao educador, que pretende reunir pelo menos 20 mil assinaturas.


Criador da Pedagogia do Oprimido via educação a serviço da causa revolucionária e elogiou a “capacidade de amar” de Che Guevara. #GazetadoPovo via #Educação

Publicado por Gazeta do Povo em Quinta-feira, 1 de junho de 2017

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