Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
A turma de Psicologia adaptou os planos para trabalhar melhor com as crianças do Pequeno Cotolengo. | Aniele Nascimento / Gazeta do Povo
A turma de Psicologia adaptou os planos para trabalhar melhor com as crianças do Pequeno Cotolengo.| Foto: Aniele Nascimento / Gazeta do Povo

Ultrapassando os limites

Relato de Carla Cristina Kunicki Henning, 41 anos, estudante do 7º período de Psicologia das Faculdades Pequeno Príncipe

No primeiro Projeto Solidariedade que participamos, trabalhamos a afetividade com crianças de 4 anos e, no segundo, temas de prevenção, como bullying, drogas, sexualidade e transtornos alimentares com adolescentes de uma casa lar. Esse projeto com as adolescentes foi bem importante para nós, pois tivemos a oportunidade de apresentá-lo em modalidade pôster em Lisboa, Portugal, no 5º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente.

Atualmente, estamos no terceiro Projeto Solidariedade, cujo título é Rompendo Barreiras, um trabalho com paratletas. A proposta foi trabalhar com pessoas com deficiência. Foi neste momento que percebemos que nós teríamos de romper barreiras, pois, a princípio, pensávamos que não saberíamos o que fazer, como agir, o que falar com essas pessoas. Tivemos o grande privilégio de poder participar deste grupo, que conta com pessoas com deficiência visual e pessoas com deficiência intelectual. Logo no primeiro contato percebemos que precisaríamos adaptar as dinâmicas e atividades, pois existe pouca coisa em literatura para paratletas. Ao mesmo tempo, percebemos que o grupo não era exatamente como pensávamos, triste por ter uma deficiência. Muito pelo contrário, presenciamos muitas coisas boas que serviram como exemplo para nós, como a resiliência.

Foi uma lição de vida. Acompanhamo-nos em uma viagem ao Rio de Janeiro e pudemos vivenciar um pouco da rotina e presenciar as provas das modalidades de atletismo e natação. Foi uma experiência gratificante e que desmistificou a utopia de que todo indivíduo com deficiência, seja ela qual for, é um "coitado". Também ficou claro que devemos tomar consciência a respeito das reais capacidades, habilidades e potencialidades das pessoas com deficiência, com propósito de reduzir situações e atitudes preconceituosas por parte da sociedade como um todo.

Acredito que assim como nós, acadêmicos, tínhamos uma expectativa de como seriam esses encontros com os paratletas, eles também tinham uma expectativa de como seria ter acadêmicos de Psicologia em seu grupo e essa parceria resultou em aprendizagem para ambas as partes. Nos relatavam que sabiam da importância de estarem bem, não só fisicamente, mas psicologicamente para conseguirem o seu objetivo final que é competir e superar os seus limites e tempos no atletismo.

Medicina

Em março, as Faculdades Pequeno Príncipe foram autorizadas a oferecer o curso de Medicina, que se tornou a graduação mais disputada no vestibular de inverno na instituição. São 119,5 candidatos por vaga. As provas ocorrem no próximo domingo (15).

Longe de arrecadar chocolates para a Páscoa ou brinquedos no Natal, as atividades que fazem parte do Projeto Solidário, das Faculdades Pequeno Príncipe, promovem transformações socais. Há oito anos, milhares de pessoas têm sido impactadas pelas ações, das quais estudantes de todas as graduações participam obrigatoriamente.

O projeto faz parte da grade curricular, cursada pelos alunos de Enfermagem, Biomedicina e Farmácia a partir do 5.º período e de Psicologia durante quatro períodos. Os universitários de Medicina, o mais recente curso da instituição aprovado pelo Ministério da Educação (MEC), também participarão da disciplina, ajudando diferentes instituições. Além deles, alunos dos cursos técnicos e de pós-graduação também podem participar. Quando cursam a matéria, os estudantes têm atividades teóricas e práticas com foco principalmente nos direitos humanos e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segundo a diretora-geral da faculdade, Patricia Forte Rauli, professora da disciplina no curso de Psicologia, é feito um exercício para estudar ideias de transformação da realidade, de forma a aproximá-la do que é preconizado pelo direito. "O foco principal é levar o aluno a fazer o diagnóstico de uma realidade e atuar para melhorá-la, com base nos conhecimentos de sua formação." Entre os locais já beneficiados pelos projetos estão abrigos, creches, ONGs de prevenção ao uso de drogas, asilos e grupos de catadores de papel, sempre com a intenção de permitir uma reorganização da comunidade.

Destaque

Alguns projetos recebem grande destaque, como o que trabalhou com adolescentes de um abrigo e foi apresentado neste ano em forma de pôster no 5.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, em Lisboa, Portugal. Outro projeto destacado focava em adolescentes grávidas e carentes. Além de oferecer suporte psicológico às jovens, que em sua maioria não tinham apoio do parceiro ou da família, os estudantes envolvidos conseguiram organizar a documentação delas, para que entrassem no protocolo de atendimento da sua unidade de saúde e fizessem os exames necessários. "Temos experiências inovadoras que representam resultados tanto para a formação do aluno, quanto para as instituições envolvidas", acrescenta Patricia.

"Vale muito mais do que receber uma nota no fim do semestre"

Para o estudante de Psicologia Fabrício Álvaro da Silva, 32 anos, a experiência provou que é preciso mais que teoria para ser um bom profissional. Ele e mais sete colegas se prepararam antes de atuar no Pequeno Cotolengo, mas o choque com a realidade levou a turma para outro caminho. "Nosso plano de ação era possibilitar o acesso à cultura e ao lazer, mas chegando lá vimos que tudo era diferente do que se tem no livro. A necessidade deles era outra", diz.

O trabalho, que começou com teatro de marionetes direcionado ao coletivo, deu lugar a um contato próximo de um a um. "Vimos a importância do contato físico, do carinho, e conseguimos trazer para as crianças mais dignidade pelo afeto e ternura. São moradores que foram ou estão afastados da família, alguns abandonados por ela. Nos adaptamos. Valeu muito mais do que receber uma nota no fim do semestre. Ganhamos muito mais", conta.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]