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Letícia mora em Curitiba desde o tempo de cursinho, mas ainda sente falta do clima do interior | Giuliano Gomes/ Gazeta do Povo
Letícia mora em Curitiba desde o tempo de cursinho, mas ainda sente falta do clima do interior| Foto: Giuliano Gomes/ Gazeta do Povo

Rotina

Viagens são frequentes durante o ano

Mesmo com a independência adquirida, Letícia e Marília não deixam de visitar os pais sempre que podem. "Sentir saudades é o lado ruim desse processo. Se eu pudesse, traria todo mundo de lá para morar comigo aqui", comenta Letícia. Para Marília, morar sozinha também tem o lado ruim da solidão. "É difícil chegar em casa e não ter ninguém para conversar. Aí acabo ligando sempre para a minha família", afirma.

As viagens frequentes de uma cidade para outra não parecem atrapalhar a estudante. Pelo contrário, voltar para casa é algo reconfortante. "Tento ir para lá a cada 15 dias. É muito boa a sensação de realmente me sentir em casa", conta. Letícia também gosta das viagens e fica ansiosa quando chegam as férias. "Estou contando os dias para voltar para casa. Aquele clima de interior e encontrar as pessoas que você ama são coisas muito boas", explica.

  • Marília volta para casa a cada 15 dias

Fazer um curso superior numa cidade diferente da sua é algo bastante comum entre os universitários. A busca por novas oportunidades e as aventuras de morar sozinho são desafios que atraem muitos deles. Mas aguentar a saudade de casa e conseguir se adaptar a um novo estilo de vida nem sempre é fácil. Para quem gosta da independência, mas não abre mão do carinho da família, a programação de final de ano inclui fazer as malas e voltar correndo para casa.

Letícia França, 21 anos, aluna do terceiro ano de Jornalismo na Uni­versidade Federal do Paraná (UFPR), é de Pariquera-Açu, no interior de São Paulo, e conta que se mudou para Curitiba há quatro anos para fazer cursinho pré-vestibular. "Minha irmã já morava aqui, então foi um incentivo a mais. Mesmo assim não consigo gostar daqui e sinto saudades do clima de interior", afirma. A cidade natal de Letícia tem pouco mais de 20 mil habitantes e fica perto da praia. "Curitiba é uma cidade cinza e quase sempre faz frio. Isso me incomoda", conta.

Mesmo com essas dificuldades, Letícia acredita que não vai voltar para Pariquera-Açu depois de se formar. "Pelo mercado de trabalho eu tenho certeza de que aqui encontro mais opções", afirma. Esse foi também um dos motivos que fizeram Marília Camponogara Torres, 20 anos, mudar-se de Ja­­raguá do Sul, em Santa Catarina, para a capital paranaense. Ela está no quinto período do curso de Letras da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). "Acre­dito que aqui tenho muito mais oportunidades do que no interior. Sempre quis fazer uma federal, por isso também é um sonho que estou realizando", explica.

Começo difícil

A adaptação a uma nova cidade pode ser bastante complicada. Além da solidão, é preciso conhecer a cidade, os lugares, andar de ônibus e fazer novos amigos. Marília contou com a ajuda do pai quando se mudou. Ele acompanhou os primeiros passos da filha na nova vida, mas depois a deixou seguir sozinha. "Hoje ainda estou me adaptando, não conheço bem a cidade nem os ônibus, mas aos poucos vou aprendendo a me virar sozinha", conta.

Organizar uma rotina em que você é responsável por todas as tarefas de casa também não é simples e exige um esforço redobrado para quem sai da casa dos pais. "Você aprende a decidir as coisas sozinha, deixa de ser a filhinha da mamãe. Eu não falo com meus pais todos os dias e preciso resolver meus problemas", explica Letícia. Na opinião de Marília, o aprendizado de morar sozinha vai além da faculdade. "Você aprende a se virar por conta própria. Também adquire responsabilidade, o que vou levar para a vi­­da toda", explica.

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