Acordar cedo, desempenhar tarefas nada fáceis como cuidar de um guepardo ou carpir debaixo de um sol escaldante e não receber nada por isso. Parece mentira, mas muitos estudantes estão trocando as viagens internacionais tradicionais por intercâmbios voluntários, em que se envolvem com a comunidade local, ajudando-a em programas de desenvolvimento social e de preservação ambiental.
Entre os universitários que deixaram de lado a ideia de férias convencionais no exterior e partiram para um programa de voluntariado está a estudante de jornalismo da Universidade Positivo Giulia Lacerda, 18 anos. Durante três semanas ela ficou em uma fazenda localizada no Kruger Park, na África do Sul, e desempenhou tarefas que nunca imaginaria realizar. "Fazia de tudo um pouco, desde a limpeza das cercas que isolavam a casa para nos proteger dos grandes animais até o combate à erosão no solo", diz.
A estudante de Medicina da UFPR Natália Mendes, de 21 anos, também visitou o país da Copa, mas não viu nem sinal de Jabulanis e vuvuzelas. "Trabalhei durante duas semanas com a reabilitação de guepardos e ajudando nas tarefas na fazenda", conta. Para ela, a experiência é incomparável. "Eu já tinha feito um intercâmbio, fiz high school na Austrália quando tinha 15 anos, mas nada se compara com a viagem para a África. O contato com os animais, a possibilidade de se inserir em outra realidade, outra cultura, tudo é incrível. É uma experiência que não se tem viajando simplesmente a turismo."
Vantagem profissional
Mas não é só a satisfação pessoal que tem atraído cada vez mais universitários para esse tipo de viagem. Os intercâmbios voluntários também têm grande peso no currículo. "As empresas valorizam as pessoas que largam sua rotina para fazer um trabalho voluntário em outro país, porque isso mostra que elas são abertas e flexíveis e que estão dispostas a lidar com as diferenças", afirma a gerente comercial da Experimento Intercâmbio, Emília Miguel.
A experiência de Giulia comprova esta abertura. Enquanto esteve na África, pode não apenas conhecer a cultura de lá, mas de outras partes do mundo. "Há muita rotatividade, sempre tinha dez pessoas na fazenda, em média. Conheci outra brasileira, um inglês, uma holandesa e muitos suecos. Absorvi a cultura deles. Hoje o diferencial não é só falar inglês, mas vivenciar a realidade de outras pessoas."
A gerente de produto da CI Intercâmbio, Gisele Mainardi, reforça a importância deste tipo de atividade para o currículo e afirma que ela é cada vez mais comum entre universitários brasileiros. " Começamos a oferecer os programas em 2006, ao perceber que as empresas, principalmente as multinacionais, dão muita importância ao intercâmbio voluntário, que já é comum entre os europeus e americanos."
Mais que trabalho
O objetivo principal do intercâmbio seja ele um programa de recuperação de animais na África ou o trabalho com crianças carentes de países da América Latina é o voluntariado. Mas sempre sobra um tempo para o turismo e para a diversão. "Depois do trabalho na fazenda, que ficava perto de Pretória, fiz um mochilão pela África do Sul", diz Natália.Para curtir essa aventura, que durou um mês, ela calcula que tenha investido em torno de R$ 8 mil.
Segundo Gisele Mainardi, da CI, o valor varia de acordo com o país e o projeto. "O custo gira em torno de 800 dólares por semana, em média. Esse valor refere-se à alimentação, à acomodação e ao transporte interno e não considera a passagem aérea." Quanto à duração, Emília Miguel, da Experimento, afirma que os programas são bem flexíveis. "A maioria tem de seis a oito semanas, mas há programas de duas semanas e de até um ano."
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