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| Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

A conclusão das eleições de 2020, com a realização do segundo turno do pleito neste domingo (29), confirmou a tendência que já havia dado as caras no primeiro turno: partidos de centro, como PP, PSD e DEM foram os grandes vencedores do pleito. Ao mesmo tempo, a disputa pelas prefeituras marcou o encolhimento de legendas tradicionais, como PT, PSDB e MDB.

Entender como as legendas saem deste 29 de novembro, porém, não é tarefa simples. A análise dos resultados das eleições municipais não é nada trivial, devido às dimensões do território nacional – são 5.570 municípios, afinal. O cálculo de perdedores e ganhadores é ainda mais difícil se considerarmos que as prefeituras conquistadas nem sempre têm o mesmo peso. O que vale mais: vencer em capitais e grandes cidades ou fazer muitas prefeituras pequenas?

Apesar das nuances, há resultados que se repetem nos três recortes – e que indicam, portanto, resultados difíceis de questionar, independentemente da perspectiva que tomarmos.

Vamos começar pelas capitais. Nesse recorte, o partido que mais cresceu foi o DEM – a legenda saiu de apenas uma prefeitura em 2016 (Salvador, na Bahia) para quatro em 2020 (além da manutenção de Salvador, o partido conquistou Florianópolis, SC; Curitiba, PR; e Rio de Janeiro, RJ).

Ainda no recorte das capitais, o partido dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), só perde em número de prefeituras para o MDB, que tem cinco Executivos municipais (Cuiabá, MT; Boa Vista, RR; Goiânia, GO; Teresina, PI; e Porto Alegre, RS).

O PSDB, assim como o DEM, também conquistou quatro capitais (Porto Velho, RO; Natal, RN; Palmas, TO; e São Paulo, a maior cidade do país). O resultado, entretanto, é inferior ao de 2016, quando o partido comandava 7 capitais.

A derrota mais significativa, porém, foi do PT: o partido não conquistou nenhuma capital em 2020, algo que nunca havia ocorrido na história da legenda.

PT e PSDB eram os que mais disputavam o segundo turno. O que sobrou?

Nas cidades com mais de 200 mil eleitores – isto é, aquelas em que há segundo turno, incluindo capitais – há um alento para o PT. O partido cresceu nesse recorte, e conseguiu eleger quatro prefeitos: Filippi, em Diadema (SP); Marcelo Oliveira, em Mauá (SP); Marília, em Contagem (MG); e Margarida Salomão, em Juiz de Fora (MG). O partido, no entanto, disputava o segundo turno em 15 cidades com mais de 200 mil eleitores.

O PSDB, por sua vez, conquistou 17 prefeituras entre esses municípios. Com isso, a legenda é a que mais tem prefeituras nas grandes cidades, seguido pelo MDB (que comandará 16 municípios com mais de 200 mil eleitores). Das prefeituras conquistadas pelos tucanos, nove já haviam sido definidas no primeiro turno. O partido, contudo, disputava a segunda etapa do pleito em 16 cidades – ou seja, ganhou apenas em metade delas.

Mais uma vez, o DEM aparece como um dos partidos que cresceram em 2020: a legenda foi de 5 prefeituras das grandes cidades para 10. O Republicanos, por sua vez, foi de duas para três. O Solidariedade, de uma para duas prefeituras.

O mapa completo das eleições de 2020

Se considerarmos todos os municípios do país, pouco muda desde o primeiro turno. Isso porque apenas 57 municípios ainda estavam com os novos prefeitos indefinidos.

Os resultados consagraram partidos com o PL, o PP e o DEM, que cresceram de 2016 para cá. O MDB continua sendo o partido com mais prefeituras, mas encolheu neste pleito (foi de 1.046 prefeitos para 782).

O PT, que em 2016 já havia registrado um desempenho ruim (conquistando apenas 256 prefeituras), ficou ainda menor: a legenda ganhou em apenas 181 cidades. O PSDB também encolheu, de 804 para 519 municípios.

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