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João Doria
Governador de São Paulo, João Doria é pré-candidato ao Palácio do Planalto| Foto: Alexssandro Loyola/PSDB

Pré-candidato a presidente pelo PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, acredita que a chamada terceira via deverá ter uma unificação das candidaturas ao Palácio do Planalto. A expectativa, segundo o tucano, é que o nome escolhido saia entre sua pré-candidatura, a de Sergio Moro (Podemos) e de Simone Tebet (MDB).

No entanto, essa definição só deve ocorrer em junho, onde o trio pretende se reunir para oficializar a candidatura do nome mais viável para a disputa. Em entrevista à Gazeta do Povo, Doria afirmou que ainda é "cedo" para definir se aceitaria ser vice de Moro, por exemplo, mas não está descartada a possibilidade.

"Ainda é cedo, pois será em junho que nós vamos fazer essa avaliação. Agora é precipitado para todos os que estão compondo neste momento essa terceira via. Todos na verdade são três: Sergio Moro, Simone Tebet e eu", afirmou.

Até lá, Doria disse que pretende rodar o país e apresentar os programas feitos no estado de São Paulo como pano de fundo da sua campanha. O tucano ainda criticou a possibilidade de o ex-governador Geraldo Alckmin, que deixou o PSDB em dezembro, compor uma chapa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Lamento que o governador Alckmin esteja ao lado de Lula, que sempre foi um adversário histórico do PSDB ao longo de 33 anos, pelos equívocos que cometeu, pelos assaltos ao dinheiro público que promoveu", afirmou.

Leia abaixo a entrevista completa.

As prévias do PSDB foram marcadas por diversas polêmicas e a pré-candidatura do senhor ainda enfrenta resistências dentro do partido. Como está o trabalho para que haja uma unificação da sigla em torno do seu nome?

João Doria: O partido está serenado e o comando da campanha passou a ser do Bruno Araújo. A campanha agora tem a coordenação geral do presidente nacional do PSDB. Então estamos unidos e fortalecidos pelas prévias para disputar as eleições agora em outubro deste ano.

Mas ainda existem nomes dentro do PSDB que defendem a retirada da sua pré-candidatura. Existe espaço para vencer essas resistências? 

João Doria: Essa é a tarefa do Bruno Araújo como coordenador geral da campanha.

Como pré-candidato o senhor já se reuniu com alguns nomes da terceira via, como o ex-ministro Sergio Moro (Podemos) e a senadora Simone Tebet (MDB). Existe acordo para unificação das candidaturas em torno de um único nome?

João Doria: Nós caminharemos com as nossas candidaturas dialogando, como já fizemos exatamente com o Sergio Moro, Simone Tebet e também o senador Alessandro Vieira [pré-candidato pelo Cidadania]. Vamos caminhar com as nossas candidaturas sabendo que ao início de junho poderemos fazer uma avaliação sobre as condições para a convergência em torno de uma candidatura para a presidência da República em nome dessa chamada terceira via.

Então existe essa convergência para que haja apenas uma candidatura na terceira via? O senhor, por exemplo, aceitaria ser vice na chapa de Moro?

Sim, existe essa convergência. Ainda é cedo, pois será em junho que nós vamos fazer essa avaliação. Agora é precipitado para todos os que estão compondo neste momento essa terceira via. Todos na verdade são três: Sergio Moro, Simone Tebet e eu.

O senhor mencionou que se fosse candidato sua vice seria uma mulher. Continua com essa pretensão? A Simone Tebet seria um bom nome para sua chapa?

Um bom nome feminino. Eu não posso evidentemente designar a senadora Simone Tebet até porque ela segue e postulando a sua candidatura com todo direito. Mas é um excelente nome.

Além destes pré-candidatos, o senhor tem buscado partidos para sua composição. O União Brasil, fruto da fusão do DEM e o PSL, pode estar no seu palanque em 2022?

Nós temos dialogado e as conversas vão bastante bem com o União Brasil, tão bem que já definimos o apoio do União Brasil à sucessão aqui no governo do estado de São Paulo com o Rodrigo Garcia. Portanto, estamos evoluindo o diálogo, que está sendo bastante construtivo.

O senhor se afastou do cenário político nas últimas semanas e tem focado sua agenda no governo de São Paulo. Qual é a estratégia para até o final de março, quando deve deixar o comando do estado?

Até o final de março o foco é a gestão no governo do estado de São Paulo. São 8 mil obras em realização aqui em São Paulo. É o maior número de obras da história de todos os governos de São Paulo. Muitas obras já serão inauguradas nesse período e outras serão executadas ao longo deste ano. Então o foco aqui é o governo de São Paulo até o dia 31 de março, porque depois eu tenho que me desincompatibilizar.

Um dos focos da campanha eleitoral deste ano será a recuperação da economia e em propostas para combater as desigualdades. Como o senhor pretende se tornar conhecido pela fatia mais pobre do eleitorado?

Vamos reproduzir nacionalmente aquilo que estamos fazendo localmente. São Paulo fez programas rigorosos de combate à pobreza e o maior programa social da história de São Paulo, que é o "Bolsa do Povo". Em contrapartida há trabalho. Aqui nós não damos dinheiro para as pessoas ficarem em casa. Aqui as pessoas são remuneradas pelo trabalho. Também fizemos o "Alimento Solidário", com 4,3 milhões cestas do alimento solidário já distribuídos e agora mais 4 milhões nesse primeiro semestre deste ano 2022. Colocamos os 59 restaurantes "Bom Prato" oferecendo café da manhã, almoço e jantar gratuitamente para a população em situação de rua. Criamos também o "Vale Gás", que é o nosso programa mais denso e que vem atendendo 1 milhão de pessoas. Muito antes do governo federal pensar em fazer, nós já estávamos fazendo aqui em São Paulo.

Mas o senhor acredita que o mesmo modelo adotado em São Paulo pode ser replicado em um país com tantas diferenças sociais e regionais como o Brasil? 

Pode e deve. As diferenças sociais não significam barreiras, empecilhos e sim a determinação e a vontade de quem governa o país de priorizar sua gestão aos mais pobres e aos chamados vulneráveis. Isso não importa, seja a região Norte, região Nordeste, ou região Centro-Oeste, região Sul ou Sudeste. O importante é que você defina claramente a política social e que, ao defini-la, possa pratica-la, como nós estamos fazendo aqui em São Paulo. Incluindo a educação, porque nesse contexto a educação assume um papel relevante.

O ex-governador Geraldo Alckmin deixou o PSDB e agora conversa para ser vice na chapa do ex-presidente Lula (PT). Como que o senhor avalia essa composição "Lula Alckmin", já que o PSDB sempre foi crítico aos governos do PT?

Lamento que o governador Alckmin esteja ao lado de Lula, que sempre foi um adversário histórico do PSDB ao longo de 33 anos, pelos equívocos que cometeu, pelos assaltos ao dinheiro público que promoveu. E agora tem Geraldo Alckmin como pré-candidato a vice-presidente da República. Embora eu respeite Alckmin, se de fato ele for candidato como vice-presidente na chapa com Lula, eu o combaterei, assim como combaterei com muita firmeza a candidatura de Lula.

Lula passou a defender a revogação de reformas apoiadas pelo PSDB nos últimos anos, como a do teto de gastos e da reforma trabalhista. Como o senhor ver essas sinalizações?

Somos contra. A reforma trabalhista foi uma conquista do país. Revogar a reforma trabalhista é colocar o Brasil no atraso, na obscuridade. É jogar o país outra vez no caos e no desastre que tínhamos nessa relação trabalhista antes da reforma que foi feita no governo [Michel] Temer. Além do que colocaria em risco as relações trabalhistas, a confiabilidade inclusive de investidores nacionais e internacionais e, obviamente, geraria instabilidade também para aqueles que neste momento estão empregados. Seria um atraso e um equívoco do PT.

Recentemente o governo Bolsonaro abriu uma nova crise sobre a vacinação infantil depois que a Anvisa aprovou o uso de um imunizante para esse público. Porque o senhor acredita que o presidente se voltou contra essa decisão, mesmo depois da maioria da população ter aderido as vacinas?

Porque ele é um negacionista. Os negacionistas seguem sendo negacionistas, não mudaram. E é por isso que houve esse retardamento lamentável na vacinação de crianças. Já podíamos ter iniciado a vacinação há pelo menos 60 dias. O governo negacionista postergou, protelou, fez consultas públicas desnecessárias diante de um fato notório que era necessidade de vacinação de crianças. Ameaçou até exigir atestado médico pra vacinar a criança, o que é um absurdo completo.

Acha que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, passou a adotar a mesma postura do ex-ministro Eduardo Pazuello?

Ele [Queiroga] já está seguindo a cartilha negacionista do presidente Bolsonaro há meses. Se tornou um negacionista. Temos um ministro da Saúde que é um negacionista, que condena quem usa máscaras, que posterga a vacinação de crianças e que não se esforça pra dar um bom exemplo ao país que já perdeu 620 mil vidas até o presente momento para a Covid-19. Lamentável.

Nos últimos dias, vimos o presidente Bolsonaro voltando seu discurso para o seu eleitorado mais fiel. O senhor acha que, diante das pesquisas, o presidente está se sentindo ameaçado por Lula ou algum nome da terceira via?

Bolsonaro não irá para o segundo turno porque ele é o maior produtor de fatos contra si próprio. Embora ele tenha esse eleitorado bolsonarista. Esse é um eleitorado que, de acordo com pesquisas, varia entre 18% e 20%. Esses irão com Bolsonaro até a cova se necessário. Mas não serão suficientes para reeleger Bolsonaro. Portanto, as chances dele seguir para o segundo turno são cada vez menores.

Lula ao contrário, vem mantendo estabilidade nas pesquisas e tem chances de disputar o segundo turno, mas não chances de vencer no primeiro turno. Teremos dois turnos nas eleições de outubro. O segundo turno, ao meu ver, será entre Lula e um candidato da terceira via que seja capaz de enfrentar os debates no primeiro turno e de enfrentar Lula no segundo turno.

Como o senhor acredita que o nome da terceira via poderá reverter o favoritismo de Lula e com isso ganhar no segundo turno?

Falando a verdade, debatendo e mostrando os equívocos tanto da extrema esquerda representada pelo lulismo, quanto da extrema direita representada pelo bolsonarismo.

Apesar de governar São Paulo, o senhor ainda é desconhecido pela maioria dos brasileiros. Qual o cronograma da sua campanha e como pretende se viabilizar?

De janeiro até o final de março o foco total é em São Paulo, interior, região metropolitana e litoral. A partir de abril vamos viajar o Brasil, começando por Minas e pelo Nordeste. E na sequência Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

Uma das fatias do eleitorados mais cortejadas tanto por Lula quanto por Bolsonaro é o nordestino. O senhor também pretende investir nessa região?

Sim. Eu sou filho de nordestino. Meu pai era baiano, portanto eu tenho raízes no Nordeste e tenho autoridade, com o sangue nordestino que tenho também nas minhas veias, de falar com o meu povo. A começar pela Bahia. No Nordeste, vou começar exatamente pela minha terra, que é a Bahia.

Lembrando também que São Paulo é a maior região nordestina do país fora do Nordeste. Aqui nós temos o maior contingente de baianos, piauienses, maranhenses, pernambucanos, alagoanos, sergipanos, paraibanos e aqueles do Rio Grande do Norte fora dos seus estados estão aqui, vivem no estado de São Paulo. Os próprios nordestinos que aqui vivem serão testemunhas também para os seus parentes de um governo eficiente, transformador e honesto que estamos fazendo aqui em São Paulo. Por isso que São Paulo é o espelho do Brasil.

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