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Renan Calheiros, Lula e Renan Filho.
O senador Renan Calheiros (AL) (à esq.), e o seu filho, o governador Renan Calheiros (à dir.) encampam movimento para que o MDB apoie o ex-presidente Lula (centro)| Foto: Ricardo Stuckert/PT

A cúpula do PT busca fortalecer a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para isso tem buscado outras legendas com quem havia rompido durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na avaliação de petistas, a chapa de Lula é prioridade máxima, e por isso é preciso ampliar o grupo político da sigla para além do campo da esquerda – incluindo políticos e partidos que defenderam a cassação de Dilma, acusados pelo PT de participaram do que chamam de "golpe".

Até o momento, o ex-presidente Lula tem liderado as pesquisas de intenção de voto para a disputa presidencial deste ano. Contudo, o partido de Lula acredita que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tende a recuperar parte do seu eleitorado conforme a campanha se aproxime.

No último levantamento do instituto PoderData, divulgado em 2 de março, o petista apareceu com 8 pontos à frente de Bolsonaro no primeiro turno, com 40% das intenções de voto, ante 32% do atual presidente. Em 16 de fevereiro, pesquisa do mesmo instituto mostrava vantagem de 9 pontos para o líder petista (40% contra 31%).  Semanas antes, a distância era de 11 pontos: levantamento divulgado no dia 2 de fevereiro mostrava Lula com 41%, ante 30% de Bolsonaro. Em 20 de janeiro, o ex-presidente tinha 42% e Bolsonaro, 28%, ou seja, 14 pontos de margem.

Diante disso, integrantes do PT acreditam que o apoio de outras siglas como MDB, PSD e até do PSDB será primordial para a eleição de Lula neste ano. De acordo com o ex-presidente, o momento é de união para o que o PT diz ser a reconstrução do país.

“Se não é para conversar com quem não votou no impeachment da Dilma, você não tem com quem conversar, porque 90% da classe política votou no impeachment. Se eu ficar pensando só nisso, eu então estou paralisado diante da política”, disse Lula durante entrevista recente à rádio Banda B, do Paraná.

MDB é a sigla pró-impeachment que está mais próxima de Lula

Já com o acordo encaminhado para que Geraldo Alckmin se filie ao PSB e seja vice na chapa presidencial, o ex-presidente Lula pretende voltar a Brasília nos próximos meses para se reunir com lideranças de diversos partidos. O objetivo é fechar acordos com estes líderes políticos, entre eles nomes do MDB, sigla com quem o PT rompeu durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. O sucessor de Dilma, Michel Temer, é do MDB.

De acordo líderes petistas, Lula deve ter o apoio de grande parte do MDB, mesmo com a pré-candidatura da senadora Simone Tebet à Presidência. O movimento deve ocorrer, principalmente, de lideranças emedebistas do Nordeste, entre eles o senador Renan Calheiros (AL). "O impeachment foi circunstância de momento que, não se repetiria neste momento", diz Renan Calheiros, que votou a favor da cassação de Dilma.

Além de Alagoas, PT e MDB devem andar juntos em estados como Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão e Piauí. Há possibilidades ainda de os dois partidos também integrarem alianças no Ceará e na Bahia.

Lideranças destes estados foram os principais articuladores para que o MDB não fechasse uma federação com o União Brasil. O movimento era encampado pelo presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), como uma forma de dar musculatura para a candidatura de Tebet. Diante das resistências, Rossi acabou recuando.

PSD freia apoio no 1.º turno, mas Lula tem aceno de Kassab para o 2.º turno 

Presidido pelo ex-ministro Gilberto Kassab, o PSD rachou diante da ofensiva do ex-presidente Lula para que a sigla integrasse a coligação petista ainda no primeiro turno. Em 2016, a maioria da bancada do PSD votou pela aprovação do impeachment de Dilma Rousseff.

Agora, temendo uma debandada de deputados diante da possibilidade de aliança com Lula, Kassab sinalizou que a sigla irá liberar seus diretórios para que o partido construa alianças de acordo com os interesses regionais caso não tenha candidatura própria.

O presidente do PSD pleiteava lançar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), na disputa à Presidência, mas o parlamentar acabou recuando da candidatura. Kassab tenta ainda atrair o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), como forma de ter uma candidatura própria.

O principal movimento para frear as negociações com Lula veio dos diretórios do Sul, onde parlamentares do PSD acreditam que o antipetismo poderia prejudicar a renovação de seus mandatos. Além disso, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), pretende disputar a reeleição e já sinalizou que pode apoiar o presidente Bolsonaro no estado.

Assim como no MDB, Lula deve atrair o apoio de lideranças do PSD no Nordeste, entre ele o senador Otto Alencar, que pode concorrer ao governo da Bahia ou disputar um novo mandato ao Senado com o apoio do PT. Outro quadro importante do partido, o senador Omar Aziz (AM), também já sinalizou que está inclinado a apoiar a Lula na região Norte.

Até o momento, Kassab indica que estará com Lula na disputa de segundo turno.

Alckmin pode levar tucanos que votaram pelo impeachment para o PSB

Com a possível filiação ao PSB, o ex-governador Geraldo Alckmin pode atrair para a campanha de Lula outros aliados do seu antigo partido, o PSDB – que também defendeu o impeachment de Dilma. Alckmin busca atrair aliados do centro para a campanha petista.

O ex-governador indicou que, além dele, ao menos dez nomes do PSDB devem seguir para o PSB. Entre eles, estão Antonio Carlos Pannunzio, Pedro Tobias, Silvio Torres e Floriano Pesaro. Esses dois últimos, por exemplo, eram deputados federais em 2016 e votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

A filiação de Alckmin e de seus aliados ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer ainda neste mês durante uma cerimônia no estado de São Paulo. A expectativa é de que o ex-governador seja confirmado como vice de Lula nas primeiras semanas de abril. A dupla pretende rodar o país em caravana nos próximos meses.

Metodologia de pesquisa citada na reportagem

O levantamento do instituto PoderData, que contratou a própria pesquisa, ouviu 3 mil pessoas por telefone entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01570/2022.

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