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Eleições 2024

Sistema das urnas eletrônicas recebe assinaturas digitais e é lacrado pelo TSE

Após assinaturas digitais, TSE garante que sistema das urnas eletrônicas não pode mais ser modificado.
Após assinaturas digitais, TSE garante que sistema das urnas eletrônicas não pode mais ser modificado. (Foto: José Cruz / Arquivo / Agência Brasil)

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu nesta terça-feira (10) a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais. O evento marca o fim do ciclo de desenvolvimento dos sistemas utilizados nas urnas eletrônicas e na totalização dos votos, a serem utilizados nas eleições 2024. De acordo com a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, o processo dá “a toda cidadã, todo cidadão brasileiro a certeza de dormir em sossego quanto ao processo eleitoral”.

Durante a cerimônia, foram aplicadas assinaturas digitais aos programas utilizados nas urnas e na apuração. Antes desta etapa, os códigos-fonte haviam sido compilados, isto é, transformados em uma linguagem de máquina que seja compreendida pelo sistema de votação. Com as assinaturas, garante o TSE, é possível identificar quaisquer tentativas de modificação.

Júlio Valente, secretário de Tecnologia de Informação do TSE, explicou que a cerimonia cumpre vários papéis dentro do processo eleitoral. O primeiro é obedecer o que dispõe a legislação, dando visibilidade aos processos de tecnologia da informação ligados à eleição. O segundo, ressaltou, é a confirmação de que os sistemas estão prontos para o dia da votação e a consequente apuração.

O terceiro aspecto, reforçou Valente, é a segurança envolvida no processo. Comparando a aplicação das assinaturas digitais àquelas impostas em um contrato, o secretário de TI do TSE explicou que “mesmo que uma das partes desejasse fazer uma alteração unilateral, isso não seria possível. Quando as autoridades presentes aqui assinaram o sistema [da urna eletrônica], o TSE, mesmo que quisesse, não poderia mais alterar esse sistema”.

Por fim, destacou o caráter de referência desta etapa. De acordo com Valente, “todos os procedimentos de fiscalização e auditoria do processo eleitoral, ao todo são 40, tomam como referência esta lacração do sistema”. As assinaturas digitais geram uma blindagem em todos os códigos-fonte e programas e ainda garantem a autoria e a integridade das informações. Cada uma das assinaturas feitas gera um resumo digital, que corresponde a um código único. Dessa forma, caso haja alteração no arquivo lacrado, a alteração será facilmente detectada.

Para presidente do TSE, sistema das urnas eletrônicas é "absolutamente seguro"

Em sua fala, a presidente do TSE garantiu que a urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras “se mostra absolutamente segura, confiável e indevassável”. Além de enfatizar o caráter de integridade do sistema como um todo, Cármen Lúcia reforçou que o processo eleitoral garante que cada eleitor possa escolher seus representantes.

“O sistema garante que cada eleitor brasileiro chegue a uma cabine [de votação] e ali ponha sua escolha, livremente. O que for colocado será apurado. O que for apurado será proclamado. E o que for proclamado levará o eleito a ser empossado. Democracia não é palavra, não é meramente retórica. Democracia é uma experiência de vida que nós praticamos todos os dias”, completou.

Código-fonte foi aberto para auditoria há cerca de um ano

De acordo com o TSE, o código-fonte das urnas eletrônicas que será utilizado nestas eleições foi aberto para verificação e conferência em 6 de outubro de 2023. A inspeção poderia ser feita pelas seguintes entidades:

  • Partidos políticos, federações e coligações
  • Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
  • Ministério Público
  • Membros do Congresso Nacional
  • Controladoria-Geral da União (CGU)
  • Polícia Federal (PF)
  • Sociedade Brasileira de Computação (SBC)
  • Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea)
  • Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
  • Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP)
  • Tribunal de Contas da União (TCU)
  •  Instituições do Sistema S
  • Entidades privadas de fiscalização e transparência
  • Universidades credenciadas no TSE

De acordo com o tribunal, apenas cinco instituições participaram das vistorias prévias: o partido União Brasil (10/11/2023); SBC (29 e 30/01/2024); Senado Federal (20/2/2024); CGU (10 a 14/06/2024) e Ministério Público Federal (5 e 6/8/2024). A inspeção, reforçou o TSE no evento, é uma das ferramentas de auditoria e transparência do processo eleitoral brasileiro.

O processo de compilação dos códigos-fonte das urnas eletrônicas começou na última quinta-feira (5). De acordo com o TSE, acompanharam esta etapa representantes do Conselho Federal da OAB, da Procuradoria-Geral da República e do partido Podemos.

O código-fonte é o conjunto de comandos existentes nas urnas eletrônicas e nos sistemas eleitorais. Ele é escrito em linguagem de programação, no formato de texto, e contém todas as instruções que devem ser executadas pelo software. Essa codificação – presente em páginas da internet, aplicativos e sistemas operacionais, por exemplo – determina o que um programa de computador deve fazer, apresentar e como deve se comportar.

Conforme previsto no calendário eleitoral, após a cerimônia, a próxima etapa será distribuir aos tribunais regionais eleitorais (TREs) cópias dos programas lacrados para que possam ser inseridos nas urnas eletrônicas, juntamente com os dados de eleitoras, eleitores, candidatas e candidatos.

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