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O sobrenome de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece no nome de urna de 11 candidatos nas eleições de 2026, sem contar o próprio petista. Os concorrentes não têm parentesco com o presidente e disputam vagas de deputado estadual, deputado federal, governador e senador.
Em cada caso, os candidatos apresentam uma justificativa para adotar “Lula” no nome de urna. As razões incluem identificação política, apelidos e formas pelas quais os concorrentes ficaram conhecidos. A escolha, porém, aproxima a identificação apresentada ao eleitor do nome do presidente.
Entre os 11 candidatos, seis são filiados ao PT. Os demais pertencem a PSB, PP, Avante e Novo. A relação reúne perfis e posicionamentos distintos. Entre eles, há um candidato que declara apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Célio Moraes, identificado na urna como Lula do Bem (PL), disputa uma vaga de deputado federal. Ele afirma que recebeu o apelido por causa da semelhança física com o presidente. Apesar da referência, o candidato não se identifica com a esquerda e declara apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Identificação aparece em diferentes estados
O uso de “Lula” no nome de urna também apareceu em eleições anteriores. Em 2018, dez candidatos sem parentesco com o presidente adotaram o sobrenome. Em 2022, foram sete.
Em 2026, o Maranhão reúne dois dos 11 candidatos que adotam o sobrenome. Carlos Lula (PSB) e Pâmela Maranhão Lula (PT) disputam vagas na Assembleia Legislativa e apoiam o presidente.
Em Alagoas, Lula de Alagoas (PT) concorre a deputado estadual. Minas Gerais também reúne dois candidatos. Carlin Lula (Avante) e Lula Tio do Biscoito (PT) disputam vagas de deputado federal. No Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT) concorre ao governo estadual, enquanto Samanda de Lula (PT) disputa uma vaga no Senado.
No Rio de Janeiro, Panayotis do Lula (PT) concorre a deputado estadual. Na Paraíba, Lula da Tapioca (Novo) disputa uma vaga de deputado federal. Em Pernambuco, Paraíba Lula da Fonte (PP) também concorre à Câmara dos Deputados.
Justiça Eleitoral pode analisar nome de urna após questionamento
A legislação eleitoral permite que o candidato escolha uma identificação para aparecer na urna, mas estabelece limites para evitar confusão ou prejuízo ao eleitor. A Justiça Eleitoral pode analisar determinado nome, caso receba um questionamento formal.
Segundo Adriano Cerqueira, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o questionamento sobre o uso de um “nome fantasia” pode chegar à Justiça Eleitoral quando algum interessado considerar a escolha abusiva.
“Um nome fantasia que os candidatos usam é um assunto que pode ser analisado, desde que a Justiça Eleitoral seja provocada. Se algum candidato, eleitor ou partido achar que aquele nome está sendo usado de alguma forma abusiva, pode levar essa questão para a Justiça”, afirma.
O cientista político também destaca a necessidade de rapidez em eventual contestação. Segundo ele, uma decisão próxima da votação pode dificultar a alteração da identificação registrada nas urnas eletrônicas.
“Isso tem que ser feito de forma rápida porque, com as urnas eletrônicas, a alteração fica difícil de ser feita”, afirma.




