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Maioria do eleitorado

7 de Setembro vira aposta de Flávio para demonstrar força no Sudeste

Flávio Bolsonaro Tarcísio de Freitas Sudeste São Paulo
Campanha do PL quer reforçar agendas de Flávio ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), antes do primeiro turno. (Foto: Charles Vieira/Campanha Presidencial Flávio Bolsonaro)

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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara o ato deste feriado de Sete de Setembro, na próxima segunda-feira, como uma demonstração de força política em São Paulo. A expectativa, segundo integrantes do PL ouvidos pela Gazeta do Povo, é de uma tentativa de mobilizar o eleitorado da direita e dar visibilidade à candidatura nesta reta final rumo ao primeiro turno.

O principal ato está previsto para a Avenida Paulista, palco de mobilizações que marcaram as campanhas de Jair Bolsonaro (PL), e deve reunir lideranças do partido e aliados do ex-presidente. A estratégia é usar a data para concentrar parte das principais figuras da direita em torno de Flávio.

Entre os nomes esperados estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o deputado federal Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF). A campanha também tem pedido que apoiadores e lideranças gravem vídeos de convocação para o ato.

O próprio Flávio passou a tratar a mobilização como uma oportunidade de apresentar a candidatura como parte de um movimento mais amplo. Em uma das convocações, afirmou que o 7 de Setembro seria “dia de mostrar a força de quem acredita em um Brasil diferente”. A mensagem da campanha termina com o chamado: “Vamos juntos resgatar o Brasil”.

A campanha do PL também pretende aproveitar a mobilização para ampliar as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo aliados, a intenção é transformar o 7 de Setembro em uma espécie de “dia D” contra o ministro. “O 7 de Setembro será o dia ‘em que o Brasil vai parar os intocáveis’”, defendeu Nikolas Ferreira.

Campanha de Flávio dobra atenção com desempenho da candidatura no Sudeste

Com cerca de 42% do eleitorado brasileiro, a Região Sudeste se tornou decisiva para a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) para a reta final da campanha rumo ao primeiro turno. Faltando cerca de 30 dias para os eleitores irem às urnas, a cúpula do PL trabalha para que o candidato melhore seu desempenho em relação ao patamar alcançado por Jair Bolsonaro em 2022. E prepara uma ofensiva nos quatro estados da região.

Levantamentos da Quaest analisados pela reportagem da Gazeta do Povo mostram uma disputa equilibrada entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos principais colégios eleitorais do Sudeste. O candidato do PL aparece numericamente à frente nos quatro estados, mas por apenas um ponto em São Paulo e Minas Gerais e por dois pontos no Rio de Janeiro.

A vantagem mais ampla está no Espírito Santo, onde Flávio lidera Lula por sete pontos. “Nós estamos numa situação um pouco pior do que estávamos em relação a 2022. É uma região que nós vamos ter um cuidado todo especial, até para que a população desta região, que tem uma condição econômica diferente, possa de fato fazer a comparação do que ocorreu nos dois governos”, admitiu Rogério Marinho, coordenador da campanha do PL, durante encontro com empresários.

Em São Paulo, estado que é o maior colégio eleitoral do país, Flávio e Lula aparecem praticamente empatados, segundo a pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto. No cenário estimulado, o candidato do PL tem 30% das intenções de voto, contra 29% do petista. Com a inclusão do nome do candidato Pablo Marçal (PRTB), os dois passam a registrar 30%.

Ao mesmo tempo, uma parcela relevante do eleitorado ainda pode mudar de posição até a votação: 13% dos paulistas estão indecisos e outros 12% afirmam que votarão em branco, nulo ou não pretendem votar. Para Beto Vasques, cientista político do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fesp-SP, esse grupo ganha atenção própria em uma disputa tão equilibrada.

“O foco estratégico da disputa agora se divide nessas dimensões: o comportamento do eleitor indeciso e pendular; o peso do eleitor abstencionista ou que opta pelo voto em branco e nulo”, afirma. Segundo Vasques, a proximidade entre os dois candidatos deixa a eleição mais imprevisível.

Ele avalia ainda que os eleitores indecisos são especialmente sensíveis ao noticiário das próximas semanas, em um cenário que pode ser influenciado por acontecimentos políticos e pela repercussão de temas como o caso do Banco Master e as votações no Congresso.

Minas, Rio e Espírito Santo mostram diferentes desafios para Flávio

Em Minas Gerais, o cenário de equilíbrio é ainda maior. No levantamento da Quaest sem Pablo Marçal, Flávio aparece com 31% das intenções de voto, contra 30% de Lula. Com a inclusão do candidato do PRTB, os dois passam a ter 31%.

A região tem peso estratégico adicional para Flávio porque, além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, tem concentrado boa parte das agendas do candidato. Até o primeiro turno, são esperadas ao menos cinco visitas do candidato ao estado mineiro.

Flávio já participou de eventos em Belo Horizonte, incluindo compromissos ao lado do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), e deve realizar ainda uma motociata em Juiz de Fora, cidade onde o pai dele, Jair Bolsonaro, sofreu o atentado com faca em 2018.

No Rio de Janeiro, Flávio tem uma vantagem numérica um pouco maior, mas ainda abaixo do esperado pela campanha, já que a região é o reduto eleitoral da família Bolsonaro. Segundo a Quaest, o candidato do PL aparece com 31%, contra 29% de Lula no cenário sem Marçal. Com o nome do PRTB, Flávio vai a 33%, enquanto o petista chega a 31%. A diferença permanece dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

Por outro lado, o Espírito Santo apresenta o cenário mais favorável ao candidato do PL entre os quatro estados do Sudeste. Sem Marçal, Flávio registra 37%, contra 30% de Lula. Com a entrada do candidato do PRTB, a vantagem diminui, mas ainda é de cinco pontos: 34% a 29%. O estado, no entanto, concentra apenas cerca de 3 milhões de eleitores, o menor colégio eleitoral do Sudeste.

A avaliação de Jairo Pimentel, cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fesp-SP, é que os dados apontam para uma nova etapa da disputa, na qual a polarização continua relevante, mas não explica sozinha o comportamento do eleitorado. “A Quaest sugere que a eleição entrou em uma fase na qual a polarização continua organizando a disputa, mas já não consegue monopolizá-la”, afirma Pimentel.

Segundo ele, Lula preserva um piso eleitoral robusto, mas encontra dificuldade para ampliar sua coalizão além do campo governista, enquanto Flávio consegue transformar com mais eficiência o antipetismo em voto para sua candidatura.

Metodologia das pesquisas citadas na reportagem

  • Espírito Santo: levantamento realizado entre 23 e 26 de agosto, com 804 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-06255/2026.
  • São Paulo: pesquisa realizada pela Quaest entre 21 e 24 de agosto, com 1.800 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-02096/2026.
  • Minas Gerais: levantamento realizado entre 21 e 24 de agosto, com 1.506 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-09818/2026.
  • Rio de Janeiro: pesquisa feita entre 21 e 24 de agosto, com 1.302 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-09895/2026.

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