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Sílvio Ribas

Sílvio Ribas

Crise institucional

Como o explosivo relatório da PF afeta a parceria entre Lula e Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes e Lula no Palácio do Planalto
Ministro Alexandre de Moraes, do STF, se encontra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, antes de reunião reservada. (Foto: Luiz Silveira/STF)

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A crise histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a calibrar a parceria com o ministro Alexandre de Moraes, alvejado por 52 mensagens de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, captadas pela Polícia Federal (PF) e tornadas públicas.

Lula tenta se distanciar de Moraes, sem rompimento, só para impedir que o desgaste do ministro, extensivo ao STF, contamine a sua campanha pela reeleição. Indicado por Michel Temer (MDB) em 2017, Moraes enfrentou resistência da esquerda, mas o antagonismo virou aliança contra a direita.

O Inquérito das Fake News (2019) marcou a virada na relação de Moraes e Lula. O juiz ganhou ilimitado poder para conter políticos da direita e, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conduziu o pleito de 2022. Apesar do autoritarismo, a esquerda passou a enxergá-lo como parceiro.

A aliança se consolidou depois do 8 de Janeiro e ganhou dimensão brutal com os processos contra Jair Bolsonaro (PL). Enquanto procedimentos e limites das decisões de Moraes eram criticados, o lulopetismo assumiu sua defesa política, associando as ações do ministro à proteção da democracia.

Moraes vira agente da contenção de Bolsonaro e aliado estratégico de Lula

A combinação de Lula e Moraes foi além das decisões judiciais. O presidente e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, fizeram gestos públicos de apreço pelo magistrado em cerimônias e reuniões. Até a alcunha de “Xandão” foi adotada por Lula, como símbolo de algoz do rival Bolsonaro.

Esse alinhamento produziu para Lula um efeito conveniente. Decisões do STF reduziram espaços de atuação de adversários e deram sustentação jurídica a agendas contestadas pela oposição. Moraes, Gilmar Mendes e, depois, Flávio Dino e Cristiano Zanin consagraram o núcleo lulista da Corte.

A relação, porém, não impediu divergências. A sucessão de Luís Roberto Barroso no STF criou atritos após a indicação por Lula de Jorge Messias. Movimentações de bastidor evidenciaram que proximidade não significou total convergência de interesses no jogo para a composição futura da Corte.

O estremecimento durou pouco. O “café” de Lula com Moraes no Palácio do Planalto antecedeu decisão do ministro como presidente interino do STF a favor de Fábio Luiz, o Lulinha, filho do presidente. Depois, Moraes mediou o reatamento de Lula e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado.  

O Master pautou novamente a relação. Metadados analisados pela PF indicam que Moraes editou contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da mulher, Viviane Barci, e o banco de Daniel Vorcaro. Conforme relato da PF, o ministro atuou como consultor, advogado e protetor do líder mafioso.  

Antes escudo contra a direita, Moraes se tornou passivo eleitoral de Lula

Diante do explosivo relatório da PF, com mensagens desabonadoras sobre Moraes, o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF, levou o conflito ao plenário. O presidente da Corte, Edson Fachin, promete dar aos indícios o devido encaminhamento institucional, sem qualquer detalhe.  

Essa pressão já chegou ao Palácio do Planalto. Gilmar procurou Lula para cobrar apoio à cúpula da PF no embate com Mendonça. O presidente evita assumir ostensivamente um lado: defender Moraes significaria incorporar à campanha o custo político de suspeitas que ainda precisam ser esclarecidas.

A saída eleitoral já aparece na propaganda. O PT passou a associar Flávio Bolsonaro ao Master pelo pedido de R$ 134 milhões a Vorcaro para o filme Dark Horse. Nunes Marques manteve a peça no ar, entendendo que a relação existente entre os dois pode, sim, integrar debates da campanha.  

A estratégia permite a Lula sustentar que “ninguém está acima da lei” sem abandonar Moraes e, ao mesmo tempo, dividir com Flávio o desgaste do Master. A parceria entra, assim, na fase mais pragmática: distância capaz de proteger Lula nas urnas e proximidade suficiente para não confrontar o STF.

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