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A governadora Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos) vão disputar o segundo turno para o governo do Acre nas eleições 2026. A votação ocorre no dia 25 de outubro.
No primeiro turno realizado neste domingo (4), com 100% das seções eleitorais totalizadas, Mailza Assis registrou 49,76% dos votos válidos (218.760 votos) enquanto Alan Rick teve 32,27% (141.859 votos).
Na sequência, Tião Bocalom (PSDB) ficou com 10,22% (44.946 votos), Thor Dantas (PSB) fez 7,50% (32.963 votos), Eudo Raffael (PCB) 0,16% (715 votos) e Dr. Luisinho (Agir) com 0,09% (404 votos).
Disputa reúne ex-aliados de Gladson Cameli em campos opostos
A eleição acreana coloca em disputa a sucessão de Gladson Cameli (PP), eleito governador em 2018, reeleito em 2022 e que deixou o Palácio Rio Branco, sede do governo estadual, em abril deste ano para concorrer ao Senado. Mailza Assis, vice de Cameli desde 2023, assumiu o governo.
A governadora chegou na eleição de 2026 à frente da coligação Avança Acre, formada por Federação União Progressista (PP/União Brasil), MDB, PL, PDT e Democrata, com Jéssica Sales (MDB) como candidata a vice.
Mailza Assis e Jéssica Sales formam a primeira chapa exclusivamente feminina a disputar o governo do Acre. Cameli e Márcio Bittar (PL) foram lançados pela coligação para as duas vagas ao Senado.
Alan Rick, eleito senador em 2022, também integrou a base de Cameli antes de se lançar ao Executivo estadual. A ruptura entre os dois se consolidou no último ano. Em fevereiro de 2025, Cameli exonerou integrantes ligados ao senador, incluindo familiares de Rick e aliados políticos, em meio ao processo de definição dos nomes para a sucessão estadual.
O episódio aprofundou o afastamento entre os dois grupos e foi seguido por uma reorganização das alianças para a eleição de 2026. A candidatura dele reúne Republicanos, PSD, Novo, Avante, Democracia Cristã e Democrata, com o empresário Ricardo Leite (Republicanos), o Rico, como vice. A disputa deste ano, portanto, coloca em lados opostos nomes que integraram o mesmo grupo político nos últimos anos — uma característica recorrente na política acreana, marcada por realinhamentos frequentes entre as mesmas lideranças.
Tião Bocalom (PSDB) chegou para a disputa estadual após dois mandatos à frente da prefeitura da capital Rio Branco. Ele foi eleito prefeito em 2020 e reeleito em 2024, tendo deixado o cargo em abril deste ano para disputar o governo do Acre. O ex-prefeito integra a coligação "Produzir para empregar", formada por PSDB, Cidadania e Solidariedade, com Sargento Adonis (PSDB) como candidato a vice.
Como foi a construção das candidaturas a governador do Acre
Rick concentrou críticas à gestão atual na área da saúde durante a campanha, citando o caso de um paciente de Santa Rosa do Purus que teria esperado cerca de 12 horas por transporte aéreo antes de morrer. Ele apresentou um plano de governo de 80 páginas estruturado em sete eixos — entre eles desenvolvimento econômico, saúde, educação e segurança pública, com defesa das fronteiras.
Por sua vez, a governadora Mailza Assis construiu a campanha sobre o mote da continuidade, destacando obras em andamento, como o Hospital da Mulher, a ampliação do programa "Opera Acre" e a adesão ao "Agora tem especialista".
Bocalom apresentou como principal eixo de candidatura a mudança da matriz econômica do Acre, com o agronegócio como motor da produção e da geração de empregos. O plano de governo sob o lema “Produzir para Empregar” focou no fortalecimento da agropecuária, do comércio, da indústria, da bioeconomia e do turismo, além de medidas para reduzir custos logísticos e ampliar a integração do estado com os mercados externos.
Na infraestrutura, o candidato propôs investimentos em estradas e logística e a modernização das alfândegas de Epitaciolândia e Assis Brasil, além da criação de um Porto Seco integrado à Zona de Processamento de Exportação de Senador Guiomard.
Acre está entre os estados de menor renda do país
O estado do Acre é detentor de um dos menores rendimentos domiciliares per capita do país. Em 2025, registrou R$ 1.392 por morador, segundo o IBGE, apenas R$ 2 a mais que o Ceará (R$ 1.390) e acima do Maranhão (R$ 1.219), que teve o menor valor entre as unidades da Federação. A média brasileira foi de R$ 2.316, cerca de 66% superior à do Acre.
No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, elaborado pelo Imazon com base em 57 indicadores sociais e ambientais — entre eles saúde, educação, segurança, moradia e saneamento básico —, o Acre ocupa a 24ª posição entre as unidades da federação, com pontuação de 58,03, à frente apenas do Maranhão e do Pará.
O Bolsa Família tem forte presença no estado. Em julho de 2026, cerca de 48 em cada 100 domicílios do Acre foram contemplados com o pagamento do programa, segundo levantamento da plataforma Atlas Dados, elaborado a partir de informações do Portal da Transparência e de estimativas populacionais do Censo 2022. A proporção foi quase o dobro da média nacional, de aproximadamente 26 em cada 100 domicílios.








