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O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), convidou o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, recém filiado ao partido, para ser o candidato da legenda à presidência da República em outubro. O convite ocorre quatro anos depois do cearense ter afirmado que se aposentaria de disputas políticas eletivas.
Aécio afirmou ter feito um apelo direto ao ex-ministro para liderar um novo projeto político contra os pré-candidatos já apresentados, como o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela oposição e o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD-GO) como uma terceira via.
“Fiz um apelo para que ele se disponha a liderar um novo caminho para o Brasil, o caminho do centro democrático, liberal na economia, inclusivo do ponto de vista social, responsável no campo da gestão pública”, afirmou Aécio Neves em um encontro com correligionários na Câmara dos Deputados.
Ciro Gomes disse que recebeu o convite com “surpresa e alegria”, mas indicou que ainda não tomou uma decisão. Ele ressaltou que, até o momento, vinha estruturando uma possível candidatura ao governo do Ceará, cargo que já ocupou entre 1991 e 1994.
“No entanto, um apelo, uma lembrança ou convocação como essa que me foi feita agora não pode ser considerada apenas um agrado ao meu sofrido coração”, afirmou.
Aécio defendeu que o partido precisa ir além das disputas estaduais e apresentar um projeto nacional competitivo. Segundo ele, embora o PSDB já tenha nomes para governos estaduais, “isso não é o suficiente para a responsabilidade que o PSDB tem para com o Brasil”.
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Ainda durante o encontro com correligionários, Aécio Neves elogiou o perfil de Ciro Gomes ao convidá-lo para entrar na disputa presidencial pelo partido. O parlamentar afirmou que o político cearense reúne qualificações necessárias para concorrer na eleição de outubro.
“Eu estou estimulando o companheiro Ciro Gomes a se colocar como uma alternativa para o Brasil. Não encontro hoje no quadro político nacional alguém com tantas qualificações, tão atualizado em relação à realidade brasileiro e com tanta contribuição a dar ao Brasil”, completou.
Como resposta, Ciro sinalizou preocupação com a economia do país e afirmou que isso será um fator decisivo para aceitar ou não o convite. Ele mencionou o alto endividamento das famílias como um dos pontos que exigem atenção e debate no cenário eleitoral.
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Quatro tentativas frustradas de ser presidente
Ciro Gomes disputou quatro eleições presidenciais nos anos de 1998, 2002, 2018 e 2022, mas não chegou ao segundo lugar em nenhuma delas. A última, em que concorreu contra Lula e Jair Bolsonaro (PL), teve seu pior desempenho com 3,04% dos votos após uma campanha marcada por fortes críticas e ataques a ambos os candidatos – mas, principalmente ao antigo aliado petista.
Após a última eleição, Ciro chegou a indicar que poderia deixar de disputar cargos eletivos.
“Eu pretendo parar por aqui... e se eu não vencer, eu quero ajudar a juventude a pensar coisas sem a suspeição de uma candidatura”, declarou à época.
Mais recentemente, Lula afirmou manter respeito por Ciro, apesar dos ataques em 2022, e que ele “pode prestar bons serviços ao Brasil”. No entanto, o petista apontou fortes divergências e classificou o ex-aliado como alguém que “fala sem pensar” e é “um pouco destemperado”.
“O Ciro é muito destemperado, aquela pessoa que acha que pode falar tudo, que pode ofender todo mundo, que pode ser melhor que todo mundo. [...] Ele é assim, e isso na política não dá resultado”, completou o petista.
Ciro Gomes não comentou as declarações do presidente.















