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Pedido para Vorcaro

AtlasIntel inclui áudio atribuído a Flávio em pesquisa; empresa nega impacto no resultado

AtlasIntel afirma que reprodução do áudio atribuído a Flávio ocorreu apenas após o encerramento das perguntas sobre intenção de voto. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senad)

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A AtlasIntel incluiu, na pesquisa presidencial que será divulgada nesta terça-feira (19), a reprodução do áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O material foi apresentado aos entrevistados na etapa final da pesquisa, após a conclusão do questionário, acompanhado de uma ferramenta para medir, em tempo real, a reação do público ao conteúdo.

Segundo o formulário submetido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os participantes deveriam avaliar o áudio enquanto ouviam a gravação, arrastando o botão para a direita em caso de percepção positiva e para a esquerda em caso de percepção negativa.

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A avaliação previa três classificações para o conteúdo: “terrível”, “neutro” e “excelente”. A submissão da resposta só ocorria após a conclusão da reprodução.

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a inclusão do material não interfere nos cenários eleitorais medidos pela pesquisa. De acordo com ele, o áudio foi reproduzido apenas depois do encerramento do questionário principal.

“O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e portanto não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais. A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica”, declarou.

“AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil mas a nível global”, acrescentou Romain no X, em resposta ao jornalista Claudio Dantas, que revelou o questionário da pesquisa.

Ao site Claudio Dantas, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, afirmou que avalia acionar a AtlasIntel na Justiça por suposta “indução negativa da pesquisa”.

No último dia 13, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria negociado um patrocínio de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.

Inicialmente, o senador disse se tratar de uma mentira, mas horas depois confirmou ter feito o pedido. Ele disse que a negativa inicial foi motivada por uma cláusula de confidencialidade e negou qualquer irregularidade.

Pesquisa AtlasIntel

Após as perguntas sobre as intenções de voto para presidente, a AtlasIntel questionou os entrevistados se ficaram sabendo sobre o áudio, se ouviram a gravação e suas percepções sobre o episódio. O tema é tratado nas perguntas 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19.

Depois disso, o levantamento questionou os participantes sobre os maiores problemas do Brasil, decisões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avaliação de políticos, temas sociais, entre outros.

O áudio é apresentado para avaliação dos entrevistados como o último item do questionário (item 48).

O levantamento é um dos primeiros realizados após a publicação do Intercept. Segundo o registro no TSE (BR-06939/2026), a pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio, com 5 mil entrevistados.

O que diz o áudio atribuído a Flávio

O Intercept teve acesso a mensagens de Vorcaro com diversos interlocutores que abrangem um período de dezembro de 2024 a novembro de 2025. Diversos celulares do banqueiro são analisados pela Polícia Federal. O site ressaltou que as informações contidas nos diálogos foram cruzadas com dados públicos e sigilosos.

No dia 8 de setembro de 2025, Flávio teria dito em um áudio que, apesar de saber que Vorcaro estava “passando por um momento dificílimo” em razão dessa “confusão toda”, precisava cobrá-lo sobre o financiamento prometido para o filme sobre Bolsonaro.

Cinco dias antes, o Banco Central havia rejeitado a compra do Banco Master pelo BRB. Na mensagem, o senador relata que tinha "muita conta para pagar". Veja abaixo a íntegra do áudio atribuído ao presidenciável do PL:

"Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui para frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não, né? Se você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo.

E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim, não é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?

Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, no num Cyrus [Nowrasteh], os caras, pô, renomadíssimos lá no no cinema americano mundial, pô, ia ser muito ruim, né? Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter um efeito elevado a menos. Aí, cara, tá?

Então, se você puder dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que que faz, cara, da vida, porque um tem muita, já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, perde contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podemos dar um toque aí, irmão? Desculpa o áudio longo aí, tá? Um abração. Fica com Deus, cara.”

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