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Eleições 2026

Augusto Cury defende taxação de 52% sobre bets, corte de ministérios e secretaria de IA

Durante entrevista à TV Globo, candidato também propôs medidas para reduzir despesas públicas e modernizar a administração com inteligência artificial. (Foto: Reprodução/TV Globo)

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O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defendeu o aumento da tributação sobre as empresas de apostas esportivas, as chamadas bets. Durante entrevista à TV Globo neste sábado (29), o candidato afirmou que uma alíquota de 52% seria “razoável” e disse que a medida poderia contribuir para melhorar as contas públicas.

Cury também falou sobre redução do número de ministérios, valorização do salário mínimo, combate à corrupção, inteligência artificial e responsabilidade fiscal.

Taxação das bets

Ao tratar das contas do governo, Cury afirmou que pretende elevar significativamente a tributação das empresas de apostas. Segundo o candidato, a medida poderia ajudar a reduzir a dívida pública em até 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Eu taxaria as bets seriamente. Sabe quanto as bets pagam de imposto? Pagam 12%. Alimento, 18%. E, por incrível que pareça, luz, 30%, 33%. Se nós não taxarmos as bets... E deveríamos taxá-las, tá, é pelo menos com 50%, nós vamos ter uma economia muito grande. Talvez 40% a mais em relação aos 12%, 52% seria uma taxação razoável”, afirmou.

Cury disse ainda que seriam necessárias outras medidas para melhorar as contas públicas. Entre as propostas citadas estão o financiamento de 10 milhões de microempresas, uma auditoria na administração pública, a revisão de 50 mil cargos comissionados e a análise de contratos públicos com o objetivo de combater a corrupção.

O candidato afirmou que a dívida pública está em “números estratosféricos” e defendeu uma atuação mais responsável do governo.

Corte de ministérios

Cury afirmou que pretende reduzir o número de ministérios caso seja eleito. As estimativas apresentadas por ele variaram entre oito e dez pastas, mas o candidato não especificou quais seriam extintas.

Segundo Cury, a definição dependeria de uma “análise criteriosa”, com possibilidade de fusão de estruturas e busca por maior eficiência nos gastos públicos.

Ao mesmo tempo, o candidato afirmou que pretende criar novas estruturas. Entre elas estaria um Ministério da Segurança Pública. Cury também disse que Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência e ex-governador de Goiás, seria convidado para comandar a pasta.

Na ocasião, Cury disse que pretende criar uma secretaria executiva de Inteligência Artificial e Robótica.

“Nós precisamos modernizar a máquina pública. Temos que ter pelo menos 10 mil jovens fazendo doutorado em inteligência artificial. Já que não temos recursos para termos uma Anthropic, ter um ChatGPT, um Gemini, nós temos que ter os melhores pilotos. Se não, como nós vamos desenvolver a produção adequada de medicamentos, desenvolver a agricultura 4.0 e uma indústria muito mais produtiva e proativa?”, argumentou.

O candidato também defendeu a adoção de indicadores de desempenho para funcionários públicos.

“É uma máquina pública com centenas de milhares de funcionários. Eles têm que ter indicadores de desempenho, sim. Se não tiverem um desempenho adequado, eles vão ser treinados e equipados”, afirmou.

Cury também relacionou a modernização da administração pública ao uso de inteligência artificial. “Se nós não tivermos uma secretaria executiva ou o Ministério da Inteligência Artificial e Robótica, o Brasil vai ser atropelado e pode ser que haja dezenas de milhões de desempregados, e ninguém fala sobre isso”, disse.

Salário mínimo

Na entrevista, Cury também apresentou sua proposta para a política de valorização do salário mínimo. O candidato afirmou que pretende garantir a reposição da inflação acrescida de 1% de ganho real por ano.

Segundo ele, a manutenção desse ganho real poderia levar a uma alta acumulada de 50% a 60% no salário mínimo ao longo de quatro anos.

“Se controlarmos as contas públicas e formos mais responsáveis, certamente vai haver espaço para você ter, pelo menos, 1% ao ano a mais do que a inflação”, declarou.

Cury relacionou a política de valorização do piso salarial ao fortalecimento da classe média. Para ele, o aumento do poder de compra seria importante para o funcionamento do comércio.

O candidato também disse que, em um período de oito a dez anos, o salário mínimo poderia alcançar US$ 300.

Arcabouço fiscal e contas públicas

Questionado sobre o arcabouço fiscal, Cury afirmou que ainda estudava possíveis mudanças e evitou apresentar uma proposta definitiva.

“Eu não posso me antecipar. Seria ingênuo e até eleitoreiro, seria populista falar de uma mudança”, afirmou.

O candidato defendeu o controle das despesas públicas e afirmou que a responsabilidade fiscal seria necessária para criar condições para a redução da taxa Selic.

Entre as medidas mencionadas estão a maior tributação das bets e a digitalização da administração pública por meio de inteligência artificial, sem novas contratações. Segundo Cury, esse conjunto de ações poderia gerar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões.

Sexta entrevista com candidatos

Cury foi o sexto e último candidato à Presidência entrevistado pela TV Globo em uma série realizada com os nomes mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto da Quaest divulgada em 14 de agosto.

A sequência teve início na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo), seguido por Ronaldo Caiado (PSD), na terça-feira, 25, e Renan Santos (Missão), na quarta-feira, 26. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da entrevista na quinta-feira, 27, e Flávio Bolsonaro (PL), na sexta-feira, 28.

A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com participação de representantes dos partidos. A entrevista de Cury encerrou a série neste sábado.

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