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O ex-candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou neste domingo (4) que não continuará na política e descartou declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Os dois candidatos disputarão a Presidência em 25 de outubro.
Cury acompanhou a apuração em Ribeirão Preto (SP), ao lado do candidato a vice, Júlio Delgado (Avante). Em entrevista coletiva, afirmou ter “100% de convicção” de que deixará a política.
“Hoje eu tenho claro dentro de mim, 100% de convicção, que eu não vou continuar na política. Amanhã ninguém sabe, mas eu costumo não mudar de opinião quando eu tenho uma convicção muito grande, até porque nós temos vários projetos”, disse.
O ex-candidato também afirmou que respeita o resultado das urnas, apesar de se declarar triste com a continuidade da polarização política.
“Eu me coloquei agora, dessa vez, se o povo brasileiro entendeu que deve continuar essa polarização, eu só posso respeitar a vontade soberana do povo brasileiro, sem qualquer mágoa. Estou triste porque eu sei que eu poderia fazer muito junto com o Júlio Delgado, mas, por outro lado, é o exercício da democracia. A beleza da democracia está na divergência, e não na unanimidade”, afirmou.
Cury evita declarar apoio
Sobre o segundo turno, Cury afirmou que não pretende apoiar nenhum dos dois candidatos e proibiu que terceiros usem seu nome ou o de Júlio Delgado para declarar apoio.
“Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno, se é que vai haver segundo turno, e dizendo o seguinte, que ninguém está autorizado em meu nome e nem em nome do Júlio a pedir ou dizer que vai apoiar qualquer um dos candidatos. E eu gostaria de me silenciar em relação a isso. Eu não quero fazer nenhuma, não quero responder nada em relação ao segundo turno, porque para mim isso é completo", disse.
Cury também afirmou que Lula e Flávio podem aproveitar propostas apresentadas durante sua campanha, mas descartou apoio aos dois.
“Os dois candidatos, se quiserem aproveitar nossas propostas, elas estão disponíveis para serem aproveitadas”, afirmou.
Crítica ao voto útil
Cury agradeceu aos eleitores que apoiaram sua candidatura e criticou o chamado voto útil. Segundo ele, essa estratégia reduz a liberdade de escolha do eleitor.
“A doença da polarização leva as pessoas a um superficialismo em relação à política de Estado. Nada é tão triste. Eu aceito plenamente os resultados da eleição, tanto eu como o Júlio Delgado, plenamente", destacou.
“Isso é cruel, porque você retira das pessoas a liberdade delas poderem exercer o seu direito solene de votar", completou.
Com 99,67% das urnas apuradas, Cury tinha 2,89% dos votos, o equivalente a 3.441.555 votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Planos fora da política
Cury afirmou que pretende se dedicar a projetos voltados à sociedade depois da eleição.
Questionado sobre a possibilidade de participar do próximo governo, disse que não pretende assumir um cargo, mas admitiu atuar como conselheiro.
“Eu não quero ser ministro de nenhum governo, tenho vários projetos, mas estaria aberto para ser uma espécie de professor e conselheiro, sem participação em nenhum governo”, afirmou.







