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A petista Maria Marighella, 50 anos, neta do guerrilheiro Carlos Marighella, foi eleita deputada federal na Bahia com um pouco mais de 108 mil votos e fará parte da bancada do PT no Congresso Nacional a partir do próximo ano. Apesar do parentesco com o ex-deputado comunista, que rompeu com o PCB e fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional (ALN) para combater a ditadura militar, a atriz e produtora cultural entrou na política apenas em 2020, quando foi eleita vereadora em Salvador.
Após a posse do presidente Lula (PT), ela foi nomeada presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), do Ministério da Cultura, em fevereiro de 2023, tendo deixado o cargo neste ano para disputar as eleições. Durante a gestão Dilma Rousseff (PT), Maria Marighella ocupou a Coordenação de Teatro da Funarte, entre os anos de 2015 e 2016.
A deputada eleita é formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e trabalhou como atriz, professora e produtora teatral. Durante o mandato de vereadora na capital, criou a Frente Parlamentar Mista Ambientalista de Salvador e assumiu o cargo de conselheira da Academia de Letras da Bahia.
Na campanha ao Congresso Nacional, a candidata a deputada federal teve o apoio do ator Wagner Moura, que produziu a cinebiografia “Marighella”, filme lançado em 2021 e estrelado pelo cantor e ator Seu Jorge. “Há 80 anos, Carlos Marighella era eleito deputado federal. A Bahia precisa ter novamente uma Marighella no Congresso”, disse o ator brasileiro indicado ao Oscar 2026.
A campanha da neta de Marighella teve a adesão dos artistas Silvero Pereira, Caetano Veloso e Daniela Mercury. Além disso, Maria teve forte apoio de professores e acadêmicos para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Marighella foi considerado “inimigo 1” do regime militar
Depois de deixar a política partidária em 1967 e com treinamento em Cuba, Marighella liderou a ALN com atividades armadas e operações de guerrilha urbana em oposição à ditadura militar. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, a organização do ex-deputado baiano participou de assaltos a bancos e outras operações destinadas à obtenção de recursos para combater o regime.
Em 1969, ele escreveu o “Minimanual do guerrilheiro urbano” para detalhar o planejamento de atos considerados como terroristas pelo governo militar, que passou a considerar Marighella como “inimigo 1 do Estado”. Em novembro do mesmo ano, ele foi morto por policiais do Departamento de Operações Especiais (Dops) na alameda Casa Branca, nos Jardins, em São Paulo.
O regime militar divulgou à época que o guerrilheiro havia sido baleado durante um tiroteio, ao ser abordado em um veículo na operação que contava com aproximadamente 150 homens, sob a liderança do delegado Sérgio Paranhos Fleury. A versão oficial foi contestada após a redemocratização do país pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em 1996, e pela Comissão Nacional da Verdade, em 2012. Ambas defenderam que Marighella foi executado, com responsabilização do Estado brasileiro.








