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Guerra dos sigilos

Campanha de Lula acusa Flávio Bolsonaro de não abrir sigilos após acordo no TSE

Lula e Camilo Santana
Camilo Santana afirma que campanha petista entregou documentos dentro do prazo, mas acusa senador do PL de apresentar procurações em vez de dados. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / arquivo)

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O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou nesta sexta-feira (23) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de descumprir o acordo firmado entre os candidatos para a abertura voluntária de sigilos bancários, fiscais e telefônicos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o senador, enquanto a equipe de Lula apresentou os documentos exigidos dentro do prazo, o senador do PL teria recorrido a procurações que condicionam o acesso às informações de uma decisão judicial. Na véspera, a defesa da campanha de Flávio havia afirmado que primeiro verificaria os documentos do petista para depois autorizar o acesso aos dados do senador.

“Flávio Bolsonaro fugiu, não aceitou o desafio do presidente Lula. [...] Demos até 23h59 para que eles apresentassem toda a documentação. Nós fomos lá 20h30, apresentamos inclusive o que eles estavam cobrando, todos os pagamentos do cartão corporativo, apresentamos a agenda do presidente do Palácio da Alvorada, os voos da FAB, está tudo lá protocolado”, declarou o senador em um vídeo publicado em uma rede social.

Camilo Santana afirmou, porém, que a equipe de Flávio não apresentou os documentos esperados dentro do período estabelecido.

“Só hoje eles protocolaram umas procurações absurdas onde eles dizem, em uma delas, que ‘autoriza a partir de uma decisão judicial do Tribunal Superior Eleitoral’”, afirmou sem citar qual processo foi utilizado como condicionante.

Na véspera, o ministro André Mendonça, relator do caso no TSE, esclarecer que os dois candidatos podem divulgar voluntariamente suas informações bancárias, fiscais e telefônicas sem necessidade de autorização judicial. Segundo o entendimento do ministro, cabe aos próprios titulares dos dados decidir quais informações desejam tornar públicas.

“Será que foi combinado com ele [Flávio Bolsonaro]? Porque André Mendonça foi indicado pelo pai dele, o Jair Bolsonaro. E aí não entregaram absolutamente nada. Eles enrolaram até o final para não dizer a verdade, pro povo brasileiro não saber a verdade”, disparou.

Nas procurações enviadas mais cedo, a campanha de Flávio Bolsonaro também cobrou que Lula revele os gastos do cartão corporativo da presidência e os registros de visitas ao gabinete presidencial. A defesa do senador argumentou que a divulgação das despesas pagas com dinheiro público deve ter prioridade no debate sobre transparência entre os candidatos.

Flávio Bolsonaro também pediu a divulgação dos registros de pessoas que visitaram o gabinete presidencial, por considerar que essas informações são públicas.

Ao longo da campanha eleitoral, a oposição a Lula cobrou explicações sobre uma reunião do presidente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e sua relação com a lobista Roberta Luchsinger, que seria sócia do filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”.

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