Publicidade
Chapa do PL

Como Alfredo Gaspar chegou à vice e qual será seu papel na campanha de Flávio

Alfredo Gaspar vice de Flávio Bolsonaro
Estratégia é colocar Gaspar em confronto com Lula e com o PT e preservar Flávio para apresentação das propostas. (Foto: Beto Barata/ PL Nacional)

Ouça este conteúdo

A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi definida apenas na véspera do anúncio e surpreendeu até aliados que acompanhavam as negociações. Fora da lista de favoritos, o deputado federal ganhou espaço depois que o PL decidiu manter o senador Rogério Marinho (PL-RN) na coordenação da campanha e identificou no ex-promotor um nome para reforçar as bandeiras de combate à corrupção e da segurança pública.

Gaspar já vinha sendo avaliado reservadamente há alguns dias, mas o convite definitivo só chegou na reta final. A escolha foi mantida sob sigilo a ponto de o próprio deputado ter lançado, na terça-feira (4), a pré-candidatura ao Senado durante a convenção do PL em Alagoas. No dia seguinte, ele apareceu ao lado de Flávio como candidato a vice-presidente, surpreendendo inclusive integrantes do campo político que acompanhavam a definição da chapa.

A mudança ocorreu depois de Rogério Marinho ganhar força para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial, após as tentativas do PL em formalizar uma aliança com partidos do Centrão. Segundo aliados ouvidos pela Gazeta do Povo, pesou contra a escolha a avaliação de que Marinho já concentra funções consideradas estratégicas na coordenação da campanha.

O senador ainda gerencia as candidaturas estaduais do PL pelo país e trabalha na elaboração do programa de governo de Flávio. Neste cenário, integrantes do partido avaliam que mantê-lo nessa posição abriu caminho para a busca de um nome que pudesse assumir uma missão de viés eleitoral.

Gaspar entrou na equação política, principalmente pela projeção conquistada como relator da CPMI do INSS e pela trajetória de mais de duas décadas no Ministério Público em Alagoas. A campanha pretende dar ao candidato a vice espaço para explorar as irregularidades envolvendo aposentados e pensionistas e reforçar os discursos sobre corrupção, crime organizado e segurança pública. O deputado também deverá participar da elaboração das propostas de combate à corrupção do programa de governo.

Além da atuação nessas áreas, a origem nordestina entrou no cálculo eleitoral do PL. Ao apresentar o vice, Flávio destacou que Gaspar “representa o Nordeste de fato” e mencionou a passagem do aliado pela chefia da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas.

O perfil de Gaspar será explorado durante os próximos dois meses pela campanha do PL, dando ao candidato a vice-presidente uma agenda que combine o enfrentamento ao governo Lula com pautas alinhadas à carreira no MP alagoano, anterior à chegada à Câmara dos Deputados.

“Fico muito feliz com a escolha do Alfredo Gaspar para vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Um homem honrado, que sempre lutou contra a corrupção e realizou um trabalho brilhante na CPMI do INSS”, afirmou o senador Izalci Lucas (PL-DF), que participou da investigação ao lado de Alfredo Gaspar.

Flávio escala Gaspar para explorar fraudes do INSS

A estratégia eleitoral da campanha de Flávio é dar espaço para Gaspar abordar as irregularidades investigadas pela CPMI do INSS e associar o caso ao governo Lula, especialmente a partir das suspeitas levantadas sobre pessoas próximas ao presidente.

Gaspar ganhou projeção nacional ao conduzir as investigações sobre descontos associativos e empréstimos fraudulentos que atingiram aposentados e pensionistas. No relatório final, o deputado estimou que as irregularidades movimentaram mais de R$ 7 bilhões entre 2015 e 2025 e propôs o indiciamento de 216 pessoas. O parecer, porém, acabou rejeitado pela comissão.

Entre os nomes incluídos por Gaspar estava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A intenção da campanha é usar a experiência acumulada pelo deputado para manter o episódio no debate eleitoral e ampliar as críticas ao governo petista. Ao anunciar o vice, Flávio antecipou essa estratégia ao dizer que escolheu alguém que "pediu a prisão do Lulinha porque ele tinha culpa no cartório".

A declaração ocorre em meio às investigações abertas para apurar suspeitas envolvendo o filho do presidente, que deverão ser exploradas pela oposição durante a campanha. A estratégia também atribui a Gaspar uma função de enfrentamento político contra o PT enquanto Flávio direciona a agenda da campanha para outros temas.

“Com coragem, ele enfrentou a quadrilha do PT que roubou os aposentados, defendeu a quebra de sigilo de Lulinha e expôs o assalto aos velhinhos do INSS”, declarou Marinho, dando o tom da participação de Gaspar na futura campanha.

Fator Nordeste e aceno a Arthur Lira também pesaram na escolha de Alfredo Gaspar

A origem de Alfredo Gaspar também entrou no cálculo da campanha de Flávio Bolsonaro. Alagoano, o deputado é visto como uma forma de reforçar a presença da chapa presidencial do PL no Nordeste.

A escolha ocorre em um momento de redução da vantagem de Lula no Nordeste, região que concentra parte importante do eleitorado petista. A pesquisa BTG/Nexus mais recente mostra Flávio avançando entre os eleitores nordestinos, embora o presidente ainda mantenha a liderança.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 48% das intenções de voto na região, ante 34% de Flávio. Na rodada anterior, o petista registrava 57%, enquanto o pré-candidato do PL tinha 24%. A distância entre os dois, portanto, passou de 33 para 14 pontos percentuais entre as duas pesquisas.

A saída de Gaspar da corrida pelo Senado também deixa um concorrente a menos para o ex-presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato Arthur Lira (PP-AL), que disputará o Senado em Alagoas.

Nos bastidores, o movimento é visto como um aceno do PL ao grupo de Lira justamente depois de o PP ter decidido não integrar formalmente a coligação presidencial de Flávio. Conforme apuração da Gazeta do Povo, o ex-presidente da Câmara já havia demonstrado descontentamento com a candidatura de Gaspar ao Senado, pois contava com o apoio do PL na eleição por uma cadeira na Alta Casa.

Para o cientista político e consultor eleitoral Paulo Kramer, o efeito da escolha de Gaspar pode ultrapassar a composição da chapa presidencial. “A escolha abre caminho para a eleição de Arthur Lira para o Senado e leva a crer que, nos bastidores, o PP pode ajudar a campanha presidencial do PL”, opina.

Metodologia das pesquisas citadas:

  • A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores entre 31 de julho e 2 de agosto de 2026. O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais no resultado geral. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02874/2026.
  • A rodada anterior da pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.004 eleitores entre os dias 24 e 26 de julho de 2026. O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-01489/2026.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.