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Autodeclaração

Deputado se diz “preto” em registro de candidatura e alega erro de digitação

Elmar Nascimento já alterou sua autodeclaração de branco para pardo após instituição de cota de campanha
Elmar Nascimento já alterou sua autodeclaração de branco para pardo após instituição de cota de campanha (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

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O deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) se autodeclarou preto no registro de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). À Folha de São Paulo, o parlamentar alegou que, na verdade, ocorreu um erro de digitação e que já solicitou a correção.

Não é a primeira vez que a autodeclaração racial do deputado muda. Nas eleições de 2018, Elmar se declarou branco. Em 2022, passou a se declarar pardo. Agora, no registro da candidatura de 2026, consta como preto.

As mudanças ocorreram em meio às alterações nas regras de financiamento das campanhas para candidaturas negras. Em 2020, o TSE determinou a distribuição proporcional de recursos dos fundos eleitoral e partidário para candidatos pretos e pardos. Para as eleições de 2026, a legislação passou a prever que os partidos destinem ao menos 30% desses recursos a candidaturas de pessoas negras.

A Gazeta do Povo entrou em contato com Elmar e aguarda retorno.

Indicação de Dino ao STF marcou crise da autodeclaração até entre progressistas

O caso de Elmar está longe de ser único. Outro exemplo é o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Quando concorreu ao governo do Maranhão, em 2014, ele se disse branco. No pleito de 2018, em que disputou o Senado, sua autodeclaração passou para pardo.

Após a abertura da vaga no Supremo, grupos progressistas defenderam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicasse uma mulher, uma pessoa negra ou, preferencialmente, alguém que reunisse as duas características. Como, para fins estatísticos e de políticas públicas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera pretos e pardos como população negra, a autodeclaração de Dino passou a ser citada por apoiadores como um dos elementos que atendiam a esse pleito.

O movimento, no entanto, gerou desagrado a grupos identitários. Em artigo divulgado na Revista Afirmativa, a professora Rosane Borges usou o termo "afroconveniência" para definir o episódio.

"A afroconveniência é duplamente uma armadilha, porque eles usam de um recurso que nem eles acreditam, porque ninguém na esquerda vê Flávio Dino como negro, mas agora dizem que ele é", apontou.

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