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A virada sofrida para Lula (PT) no segundo turno das eleições 2026 para presidente da República não é uma derrota qualquer para Flávio Bolsonaro (PL). O resultado impõe a ele um futuro político incerto. Sem mandato de senador a partir de fevereiro do ano que vem e com investigações em andamento contra ele, entrará de vez no alvo da Justiça.
Desde que foi eleito pela primeira vez a um cargo público, ele não sabe o que não é ser parlamentar. Em 2003 se tornou deputado estadual pelo Rio de Janeiro, onde emendou quatro mandatos consecutivos. Em 2018, na esteira da eleição de seu pai, Jair Bolsonaro, elegeu-se senador.
Os oito anos no Senado Federal, porém, acabam em 31 de janeiro de 2027. Como perdeu a eleição para presidente, ficará sem cargo eletivo por pelo menos dois anos, quando haverá eleições municipais. Mas não ter um cargo das urnas não significa que ele cairá no ostracismo. Pelo contrário.
Quando anunciou que disputaria a corrida presidencial, em dezembro do ano passado, a própria direita virou os olhos. O preferido e considerado o mais competitivo para derrotar Lula era o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se reelegeu em primeiro turno.
Apesar disso, Flávio insistiu na candidatura e conseguiu se firmar como o legítimo herdeiro político de Jair Bolsonaro. E teve um desempenho melhor que o do pai no primeiro turno, abrindo quase dois pontos percentuais de vantagem para Lula — em 2022, o patriarca ficou mais de cinco pontos percentuais atrás do petista. No fim, foi capaz de aglutinar a direita contra o PT. E ficou muito perto de evitar um quarto mandato de Lula.
Flávio Bolsonaro enfrentará inquéritos e investigações
O fim do mandato de senador tem um peso significativo para o futuro de Flávio Bolsonaro. Fora do Senado Federal, ele perde automaticamente o foro por prerrogativa de função e pode ver sua situação jurídica mudar rapidamente. E para pior.
Ele enfrenta dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro está relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Polícia Federal investiga o caminho do dinheiro. O ministro André Mendonça está à frente do caso na Corte.
Na semana que antecedeu a votação do segundo turno, o senador se tornou alvo de um novo inquérito, dessa vez conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, que foi escolhido relator por sorteio na Suprema Corte.
As suspeitas são de lavagem de dinheiro envolvendo o amigo dele e advogado, Willer Tomaz. A Polícia Federal apura se Tomaz era uma espécie de operador financeiro de Flávio. Na sexta-feira (23), Moraes autorizou a quebra de sigilo da empresa offshore Alcazar Holdings, de Tomaz. O ministro também mandou bloquear até R$ 6 bilhões do advogado.
Eduardo Bolsonaro sugere que irmão se mude para os EUA
A situação jurídica de Flávio Bolsonaro, que perderá a imunidade parlamentar, fez com que o irmão dele, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, sugerisse que o senador deixe o Brasil e se mude para os Estados Unidos.
“Eu suponho que, se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país. Sim, com certeza”, falou Eduardo, na última sexta-feira (23), em entrevista ao programa “Louder with Crowder”, do comentarista político Steven Crowder.
A declaração ocorreu após o debate da Band, em 18 de outubro, quando Lula falou sobre o futuro político de Flávio no caso de derrota. O tom de ameaça preocupou Eduardo, que se mudou para os Estados Unidos em 2025, alegando perseguição política. “Você vai perder a imunidade. Você tem muitos inquéritos. Se prepare. Se seus amigos não estão deixando andar. Agora vai andar”, afirmou o petista durante o debate.




