
Ouça este conteúdo
Dois candidatos da direita alcançaram neste domingo (4) as duas maiores votações em números totais já registradas para o cargo de deputado federal no Brasil. O verador Lucas Pavanato, em São Paulo, e o deputado federal Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, ambos do Partido Liberal (PL), ultrapassaram a marca de Eduardo Bolsonaro, que havia recebido 1.843.735 votos em 2018.
Com a apuração ainda em andamento, Pavanato tem 2.856.411 votos em São Paulo, o equivalente a 12,84% dos votos para deputado federal no estado. Nikolas aparece logo atrás em números totais, com 2.794.182 votos em Minas Gerais. Proporcionalmente, no entanto, a votação de Nikolas é bem maior, já que os votos recebidos pelo deputado representavam neste momento 27,97% do total para o cargo em Minas Gerais.
Os resultados colocam os dois nomes da direita nas duas primeiras posições entre as maiores votações já alcançadas por candidatos a deputado federal no país.
Até esta eleição, a maior votação para o cargo havia sido registrada por Eduardo Bolsonaro em São Paulo. Em 2018, ele recebeu 1.843.735 votos, então equivalentes a cerca de 10% dos votos válidos para deputado federal no estado. Antes dele, o recorde pertencia a Enéas Carneiro, que recebeu 1.573.642 votos por São Paulo nas eleições de 2002.
Nikolas já aparecia entre as maiores votações da história antes da eleição deste domingo. Em 2022, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara, o mineiro recebeu 1.492.047 votos e terminou como o deputado federal mais votado do país naquele ano.
Pavanato, por sua vez, disputa pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele chegou à eleição depois de ter sido o vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024, quando recebeu 161.386 votos.
Quem são Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato
Nikolas Ferreira, de 30 anos, nasceu em Belo Horizonte e é formado em Direito. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, ele foi vereador da capital mineira. Atual deputado federal, Nikolas ganhou projeção nacional principalmente por sua atuação nas redes sociais e se tornou um dos principais nomes do PL e da direita brasileira no ambiente digital.
Durante seu primeiro mandato como deputado federal, Nikolas ampliou essa projeção e passou a participar também de campanhas de aliados em diferentes estados. Na eleição deste ano, além de pedir votos para a própria reeleição em Minas Gerais, divulgou candidatos apoiados por ele em outras partes do país, entre eles Pavanato em São Paulo.
A campanha do mineiro teve entre suas principais bandeiras a oposição ao governo Lula, o combate ao aborto, a defesa da liberdade de expressão e críticas à regulação das redes sociais. Nikolas também defendeu a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Lucas Pavanato, de 28 anos, nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, e ganhou projeção política também por meio das redes sociais. Antes de se filiar ao PL, ele passou pelo Novo e disputou uma vaga de deputado estadual em 2022. Na campanha deste ano, Pavanato buscou ampliar para todo o estado a projeção que conquistou na eleição municipal de 2024. O vereador recebeu o apoio de Nikolas e manteve uma campanha fortemente concentrada nas redes sociais, onde reúne milhões de seguidores.
Entre as bandeiras defendidas por Pavanato durante a campanha estiveram o endurecimento das leis penais, a liberdade de expressão e a oposição à regulação das redes sociais. Na área da educação, ele defendeu substituir cotas raciais e de gênero por critérios socioeconômicos.
O vereador também defendeu restrições ao aborto, a proibição de tratamentos hormonais para transição de gênero em menores de 18 anos e a proibição da participação de atletas trans em categorias femininas.
Após a votação deste domingo, Pavanato atribuiu, em coletiva de imprensa, o resultado a uma insatisfação dos eleitores com o governo Lula e com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, sua votação não foi resultado apenas das propostas apresentadas durante a campanha, mas de uma “indignação do povo”.
“O eleitor está de saco cheio de alguns poderosos, de alguns ministros da Suprema Corte que se consideram acima da Constituição. O povo está de saco cheio de um desgoverno que torra dinheiro público”, afirmou.
Pavanato também citou o ministro Alexandre de Moraes e disse que passou a expressar essa insatisfação contra a Corte e o governo Lula quando outros políticos, segundo ele, tinham receio de fazer críticas. “Eu, um simples vereador, estava dizendo o que o povo acreditava. Então acho que é isso que as pessoas enxergaram”, disse.





