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Discursos no plenário

O que as falas de Flávio Bolsonaro no Senado podem indicar sobre temas na campanha presidencial

Flávio Bolsonaro em um dos discursos no Senado
Flávio Bolsonaro foi eleito senador em 2018. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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Flávio Bolsonaro (PL) foi empossado senador em 1º de fevereiro de 2019, um mês depois de o pai dele, Jair Bolsonaro (PL), ter assumido a Presidência da República. Desde então, ele usou os microfones do plenário da Câmara Alta em quase 200 ocasiões, fornecendo indícios de temas que devem permear a campanha dele para presidente contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

Ao todo, a reportagem da Gazeta do Povo analisou, com auxílio da ferramenta Pinpoint, do Google, os 193 momentos em que Flávio falou no plenário, seja em discursos, discussões, pedidos de ordem, orientações de bancada e de votos ou encaminhamentos. Foram considerados os pronunciamentos obtidos no sistema do Senado, de fevereiro de 2019 a dezembro de 2025, sem contar participações em comissões. A coleção completa com os discursos do senador pode ser acessada no Pinpoint.

A participação de Flávio nas discussões do Senado aumentou com o passar dos anos, saindo de um período discreto entre 2019 e 2021 — com 23 discursos no total — e crescendo até chegar ao recorde anual em 2024, com 83 intervenções. No último ano, ele falou 19 vezes no plenário. Na análise de todos os discursos, alguns assuntos sobressaíram:

  • menções ao pai Jair Bolsonaro, exaltando o período dele como presidente e eventuais perseguições;
  • discussão sobre segurança pública e combate à criminalidade, incluindo o uso de armas por civis;
  • críticas ao presidente Lula e à esquerda de forma geral;
  • críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes;
  • comentários sobre os atos de 8 de janeiro de 2023 e defesa dos condenados.

Flávio exalta Jair Bolsonaro ao mesmo tempo que critica Lula

Flávio Bolsonaro carrega não apenas o sobrenome do pai como toma para si uma herança de quatro anos de mandato e a influência do ex-presidente no campo da direita. Dessa maneira, Flávio mesclou as citações a Jair Bolsonaro entre comparações com o governo de Lula — e críticas diretas ao petistas — e eventuais perseguições ao pai a partir de 2023. Lula é, hoje, o principal adversário de Flávio nas eleições presidenciais deste ano.

“Se há uma coisa que é consenso no Brasil hoje é uma tentativa orquestrada e declarada de assassinar a reputação do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Como não conseguem envolvê-lo em esquema de corrupção nenhum, ficam buscando qualquer coisa que resulte numa prisão arbitrária dele ou numa inelegibilidade sem qualquer fundamento”, falou Flávio em 3 de maio de 2023, pouco antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter tornado Jair Bolsonaro inelegível.

O senador também defendeu em algumas ocasiões o trabalho de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Em uma delas, em 15 de maio de 2024, disse que ele “não deixou faltar nada para ninguém neste país durante a pandemia” e que junto com o Congresso foi responsável por “salvar milhões de pessoas neste país.” A comparação entre Jair Bolsonaro e Lula é constante nas falas do senador. Em relação ao petista, Flávio afirma que o atual presidente “faz política com vingança”.

“Quando não é aliado, ele desconta nesse adversário político. O Bolsonaro nunca fez isso em quatro anos de governo”, declarou em 8 de maio de 2024.

Flávio não se limita a criticar Lula e o PT, mas a esquerda de forma geral, inclusive em temas internacionais, como a guerra entre Israel e Hamas ou o assassinato de Charlie Kirk nos Estados. “Podem reparar na história: as vítimas quase sempre são de direita, e os algozes, de esquerda. Foi assim na facada com Bolsonaro, foi assim com a tentativa de assassinar o Trump, foi assim agora com o Charlie Kirk, está sendo assim com Israel. Então, aqui, todo o meu sentimento, a minha eterna gratidão ao que o povo de Israel sempre fez pelo mundo”, discursou em 7 de outubro de 2025.

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Segurança pública e combate à criminalidade acompanham mandato de Flávio Bolsonaro

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro começou a dar sinais de que a segurança pública será um tema central até o pleito de outubro. No Nordeste, no fim de março, ele defendeu o endurecimento das leis penais e o combate mais pesado às facções criminosas em um movimento que vai de encontro ao governo Lula que, segundo Flávio, “solta marginal da cadeia.”

Esse posicionamento do senador não é novo. Na atividade parlamentar, ele — e a família Bolsonaro de forma geral — traz em diversos momentos o tema da segurança, geralmente exaltando as forças policiais. “Eu fui deputado estadual por quatro mandatos no Rio de Janeiro, sempre trabalhando pelo reconhecimento e valorização dos nossos policiais”, falou em 24 de outubro de 2023.

Ele acrescentou: “[A categoria dos] Policiais civis é responsável por combater o câncer hoje da nossa sociedade, que é a sensação de impunidade.” O combate à criminalidade, segundo Flávio Bolsonaro, passa pelo endurecimento das leis.

Por isso, ele foi enfático ao criticar a descriminalização do porte de maconha, em 16 de abril de 2024. “Vai ter uma esquadrilha do tráfico no Brasil inteiro, vários aviõezinhos levando droga até o usuário final! É isso que a gente quer para o nosso país? Este é o impacto que vai ter na segurança pública. É esse dinheiro que financia a compra de fuzil, de armas ilegais, que promove assaltos, roubos e assassinatos, o poder paralelo”, falou. A descriminalização seria confirmada pelo STF em junho de 2024.

Ainda na área da segurança, o senador Flávio Bolsonaro defendeu frequentemente em seus discursos o acesso a armas para civis como forma de defesa pessoal. Essa, aliás, foi uma bandeira nos quatro anos de mandato de Jair Bolsonaro. “Se você não quer ter acesso a uma arma, tudo bem, é uma escolha sua; mas não tente impedir ou tirar o direito daqueles que estão preparados para isso, obedecem aos requisitos legais e podem usar essa arma para defender a própria vida, a sua família, a sua propriedade ou até inocentes. Como restringir o acesso a uma arma de uma pessoa de forma legal?”, questionou em 17 de julho de 2024.

Flávio Bolsonaro critica Alexandre de Moraes e condenações dos atos de 8 de janeiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou um alvo da direita, especialmente após os atos de 8 de janeiro de 2023. Não à toa, senadores deste espectro político vêm articulando o impeachment de ministros, especialmente de Alexandre de Moraes. E esse assunto não passou despercebido por Flávio Bolsonaro no plenário do Senado.

“Já disse uma vez que achava que, antes de fazer impeachment, tínhamos caminhos, degraus a serem perseguidos e percorridos, para se evitar uma medida drástica como essa. Mas simplesmente não adianta. Ele não tem limites, e só quem pode botar limite no Alexandre de Moraes é o Senado Federal”, afirmou em 14 de agosto de 2024.

“Quem é a corregedoria do Supremo? O Senado Federal. Aí, a gente vem aqui defender impeachment, e nós somos o quê? Somos rotulados de antidemocráticos, que estamos atacando o Supremo. Mentira!”, enfatizou Flávio em um dos discursos.

As críticas giram em torno, principalmente, dos atos de 8 de janeiro e da condução do STF em relação ao caso, que classificou como tentativa de golpe de Estado — este foi um dos crimes imputados a Jair Bolsonaro pela Suprema Corte para condená-lo a 27 anos e 3 meses de prisão.

“É uma tentativa de golpe que eu chamo de crime impossível”, disse Flávio em 20 de junho de 2023. “Ou alguém aqui acha que aqueles que depredaram patrimônio público nos prédios dos Três Poderes iam sentar aqui na cadeira do presidente Rodrigo Pacheco [então presidente do Senado], iam sentar na cadeira de presidente do Supremo, iam sentar na cadeira de presidente da República, iam começar a dar ordens, e ia todo mundo cumprir?! É óbvio que não!”, reclamou.

Em outro discurso, então após as primeiras condenações pelos atos, Flávio criticou as penas. “O que temos visto na prática são condenações absurdas, que beiram 17 anos de cadeia em regime fechado. Nem assassinos, pedófilos, estupradores, traficantes de droga, feminicidas que sejam réus primários pegam uma pena tão grande como essa no Brasil”, falou em 21 de novembro de 2023.

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