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Escanteado no PL, Izalci aguarda decisão de Michelle para definir disputa ao Senado

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Izalci Lucas aguarda decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para definir se disputará o Senado ou a Câmara dos Deputados em 2026 (Foto: Natanel Alves/ PL)

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O senador Izalci Lucas (PL-DF) aguarda uma definição de Michelle Bolsonaro (PL) sobre a disputa ao Senado para decidir seu futuro eleitoral. Embora tenha anunciado nesta quinta-feira (23) que será pré-candidato a deputado federal, o parlamentar continua sendo o plano B do PL caso a ex-primeira-dama desista de concorrer a uma das duas vagas pelo Distrito Federal.

A indefinição é resultado da reconfiguração da estratégia do PL na capital federal. Enquanto a direção nacional da legenda concentra esforços para convencer Michelle Bolsonaro a disputar o Senado ao lado da deputada federal Bia Kicis (PL), Izalci permanece em compasso de espera. O senador é tratado como o plano B do partido e só será confirmado como candidato caso a ex-primeira-dama decida não entrar na corrida eleitoral.

A disputa pelo protagonismo da direita no Distrito Federal ganhou força em abril, quando Izalci anunciou publicamente sua pré-candidatura ao Governo do Distrito Federal (GDF). À época, o senador defendia que o PL, por ser o maior partido do país, deveria apresentar uma candidatura própria ao Palácio do Buriti e argumentava que aparecia em posição competitiva nas pesquisas de intenção de voto.

O movimento, no entanto, foi rapidamente contestado por Michelle Bolsonaro. Em nota pública, a ex-primeira-dama afirmou ter recebido o anúncio "com estranheza" e disse que não houve deliberação do diretório regional para respaldar a candidatura. Segundo ela, a direção nacional do PL já havia decidido apoiar a reeleição de Celina Leão, em cumprimento a um compromisso político firmado anteriormente entre as lideranças da legenda e a governadora.

Com a posição da executiva nacional consolidada, Izalci retirou sua pré-candidatura ao governo e passou a reorganizar seus planos para a disputa eleitoral. "O nosso sonho não acabou, apenas foi adiado. Não desisti de ser governador do Distrito Federal, que fique claro. Mas, diante da posição do PL Nacional, não vou conseguir, dessa vez, resgatar o DF", escreveu o senador em publicação nas redes sociais.

O atual senador pelo DF deixou o PSDB em 2024 e migrou para o PL de Jair Bolsonaro numa tentativa de viabilizar sua candidatura ao GDF. Sem o aval da legenda, Izalci também acabou sendo preterido na composição da chapa ao Senado, já que a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram escolhidas pela cúpula partidária.

Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado na última segunda-feira (20), mostrou que, no principal cenário, Michelle aparece com 36% das intenções de voto, atrás apenas da senadora Leila do Vôlei (PDT), com 39,2%. Em um cenário sem a ex-primeira-dama, Izalci registra 12,5% das intenções de voto, ficando atrás de Leila, Erika Kokay (PT), Bia Kicis (PL) e Rafael Prudente (MDB).

A leitura é de que o desempenho de Michelle fortalece a pressão para que ela aceite disputar a eleição. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já declarou que a vaga será da ex-primeira-dama caso ela decida concorrer.

O Paraná Pesquisas entrevistou 1.500 eleitores no Distrito Federal entre os dias 17 e 19 de julho. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-01326/2026.

Flávio faz gesto público para tentar reaproximação com Michelle

A ofensiva do PL para convencer Michelle Bolsonaro a disputar o Senado ocorre em meio à tentativa de superar o desgaste entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Nesta quinta-feira (23), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que elogia a atuação política de Michelle, pede desculpas e defende a união da direita, em um gesto interpretado como uma tentativa de reaproximação.

Na gravação, o senador afirmou que Michelle realizou um "grande trabalho" à frente do PL Mulher, percorrendo o país para incentivar a participação feminina na política. Flávio também reconheceu que o momento é delicado, admitiu suas próprias falhas e disse que a ex-primeira-dama precisa ser "reconhecida e respeitada" pelo papel que exerce como porta-voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está incomunicável por decisão judicial.

"O momento exige união", afirmou o parlamentar, ao pedir que a militância "olhe para o futuro" e ao defender que divergências internas não enfraqueçam o campo da direita. Flávio também afirmou que Michelle tem as "portas abertas" para participar de sua campanha presidencial.

O gesto ocorre dois dias após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, revelar que Michelle esperava uma manifestação pública de Flávio para encerrar o desentendimento. Segundo o dirigente, a própria ex-primeira-dama afirmou, em conversa na semana passada, que gostaria de ver uma demonstração de reconciliação por parte do enteado.

O atrito entre Michelle e Flávio veio a público no fim de junho, quando a ex-primeira-dama afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que foi maltratada e desrespeitada pelo senador durante as discussões sobre a estratégia eleitoral do PL. O desentendimento teve como pano de fundo a composição da chapa da legenda no Ceará.

Michelle defendia a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL) ao Senado, enquanto o grupo de Flávio apoiava o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), em um acordo com aliados de Ciro Gomes (PSDB).

Após a crise, Michelle deixou o comando do PL Mulher e chegou a sinalizar a Valdemar Costa Neto que poderia desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Desde então, a direção nacional da legenda trabalha para reverter a decisão e manter a ex-primeira-dama como principal aposta do partido para a disputa na capital.

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