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Eleições para o Senado

Quem é o suplente de Michelle que foi braço direito de Tarcísio e articulou a domiciliar de Jair 

Diego Torres, de óculos e barba, fala ao microfone enquanto lê uma folha de papel em um palco à noite. Ele veste camisa polo azul-marinho sobre camisa social azul-clara. Ao fundo, um telão exibe o logotipo do PL nas cores verde, amarelo e azul. À direita, um homem de camisa verde grava a cena com o celular.
Suplente e irmão de Michelle Bolsonaro, Diego Torres lê discurso por ela na convenção do PL em Brasília: "entrei apenas para blindá-la" (Foto: Bruno Koresawa/Divulgação PL)

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Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, tem como primeiro suplente Diego Torres Dourado (PL), irmão da ex-primeira-dama e articulador político com passagem por Brasília e São Paulo.

Homem de confiança de Jair Bolsonaro (PL), Torres foi assessor especial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atuou na articulação do governo com a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e participou de articulações junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar levar o ex-presidente à prisão domiciliar.

Agora, voltou a Brasília para coordenar a campanha da irmã. A suplência, de acordo com ele, foi uma escolha do próprio Jair Bolsonaro.

"Eu não entrei na suplência dela para assumir alguma coisa. Eu entrei apenas para blindá-la", afirmou. "Nunca tive interesse de ter cargo eletivo, só vim aqui para cumprir um papel que o meu líder me mandou fazer."

Irmão de Michelle era considerado os olhos de Jair Bolsonaro em São Paulo

Diego Torres conhece Jair Bolsonaro desde 2007, quando o ex-presidente iniciou o relacionamento com Michelle. Na época, era militar temporário da Força Aérea Brasileira (FAB). Depois, permaneceu na instituição como servidor civil, passou pelo Ministério da Defesa e pela Primeira-Secretaria do Senado.

Paralelamente, aproximou-se da política e passou a administrar páginas de apoio a Bolsonaro nas redes sociais. "Eu sempre trabalhei pelo e para o presidente. Sempre considerei o presidente como um pai", afirmou Torres à Gazeta do Povo.

A relação com Tarcísio começou ainda quando o atual governador comandava o Ministério da Infraestrutura. Torres criou uma página de apoio ao então ministro, chamada "Tarcisão do Asfalto", e, na eleição de 2022, deixou Brasília para ajudar na campanha paulista.

Depois da vitória, Tarcísio o convidou para permanecer no estado. Torres conta que só aceitou após receber o aval de Bolsonaro, o que demorou a ocorrer.

No governo, a previsão inicial era atuar na comunicação pessoal de Tarcísio. Uma crise com deputados mais alinhados à família Bolsonaro nos primeiros meses de gestão, porém, o levou para a articulação parlamentar.

O trabalho começou com os 19 deputados do PL e depois avançou para outros partidos da base. Tarcísio pediu que ele fosse o interlocutor do governo na Assembleia, posição que também transformou o irmão de Michelle em uma ponte entre Tarcísio e Jair.

"Todas as vezes que ele tinha algum problema com a militância, eu sempre corria para o Jair. Eu era um ponto de contato do Tarcísio direto com o Jair para resolver as coisas", afirmou.

Uma fonte próxima à direita paulista definiu à Gazeta do Povo o papel de Torres no Palácio dos Bandeirantes: os olhos de Jair Bolsonaro em São Paulo.

Torres articulou com ministros do STF pela domiciliar de Jair

A atuação de Torres também alcançou a situação jurídica de Bolsonaro: o irmão de Michelle participou de contatos e articulações junto a integrantes do STF para tentar levar o ex-presidente à prisão domiciliar.

Parte dessa interlocução passava por Tarcísio. Em novembro de 2025, ele deixou oficialmente o governo de São Paulo, quando a possibilidade de integrar a chapa de Michelle já estava em discussão.

Bolsonaro havia tentado convencê-lo outras vezes a disputar eleições, mas recebeu negativas. Ao trabalhar com a candidatura de Michelle ao Senado, apresentou outra proposta: Torres seria o primeiro suplente.

"Eu falei: Presidente, eu não quero. E ele foi explicando que queria alguém de confiança, alguém que conhecesse política, que tivesse articulação e que, se em algum momento a Michelle precisasse se ausentar, não comprometesse a cadeira, as pautas e as votações", relatou.

"Entrei para blindá-la", diz irmão de Michelle

Questionado sobre a possibilidade de ocupar o Senado caso Michelle, se eleita, deixe o mandato no futuro — inclusive para integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) —, Torres disse nunca ter conversado com a irmã sobre essa hipótese.

Depois da eleição, ele disse que pretende retomar o próprio caminho profissional. Já recebeu propostas em Brasília e em São Paulo e ainda não definiu onde permanecerá.

Torres, contudo, descarta retornar ao governo paulista, mas considera voltar a atuar nas áreas de comunicação ou assessoramento político. Casado e pai de dois filhos, Torres vive com a família em São Paulo. Sua esposa trabalha com a vereadora Sonaira Fernandes (PL).

Torres diz preferir a atuação longe dos holofotes. Não mantém redes sociais pessoais, evita podcasts e concentra sua trajetória na articulação política — espaço em que passou de homem de confiança de Jair a interlocutor de Tarcísio em São Paulo e, agora, primeiro suplente de Michelle no Distrito Federal.

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