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R$ 40 milhões

Dívida de ex-marqueteiro respinga na campanha de Flávio e leva Justiça a cobrar gabinete

Juíza reiterou pedido de esclarecimentos sobre contrato com Eduardo Fischer e já adverte sobre desobediência.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Juíza reiterou pedido de esclarecimentos sobre contrato com Eduardo Fischer e já adverte sobre desobediência. Em foco, à bancada, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Carlos Moura/Agência Senado (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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A Justiça de São Paulo reiterou uma ordem para que o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresente informações sobre a eventual contratação do ex-marqueteiro Eduardo Fischer para sua pré-campanha. Na decisão desta terça-feira (18), a juíza Bruna Lyrio Martins descartou aplicar multa neste momento, mas advertiu que, se o gabinete continuar sem responder, o ofício poderá ser reenviado por oficial de Justiça. Neste caso, a persistência do silêncio poderá levar a uma apuração por crime de desobediência.

O processo em questão é a execução de uma dívida de quase R$ 40 milhões movida por um fundo de investimentos contra Fischer e a Totalcom Comunicação e Participações, vinculada a seu grupo de comunicação. A ação tramita na 5ª Vara Cível de Barueri.

Em junho, outra ação judicial determinou a penhora de pagamentos que o PL e Flávio fariam a Fischer, com depósito dos valores em conta judicial. Nesse caso, a dívida cobrada do publicitário era de cerca de R$ 114 milhões.

Nos autos, o PL esclareceu que não possui vínculo contratual com Fischer ou com as empresas das quais ele é sócio. Depois disso, o publicitário pediu a anulação do envio de um ofício ao partido, sob a alegação de que não haveria urgência e de que a negativa "esvazia por completo" a liminar solicitada pelo credor.

A magistrada negou a anulação, afirmando que "a providência foi calcada em indícios suficientes, em sede de cognição sumária, acerca de eventual atuação do devedor na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro", mas reconheceu que não há elementos para desqualificar a afirmação do tesoureiro nacional do PL sobre a inexistência de vínculo.

A decisão, no entanto, pontua que, apesar disso, não há a menção a contratações diretamente com Flávio, o que seria o núcleo da investigação patrimonial em questão. A justificativa serviu para reiterar o pedido de explicações ao gabinete.

O fundo de investimentos insistiu, anexando reportagens sobre a atuação de Fischer na pré-campanha de Flávio e sugerindo que o publicitário estaria ocultando seus honorários por meio de outras pessoas. Com isso, pediu que fossem enviados ofícios ao coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), e ao Podemos, por conta da participação na campanha presidencial do ex-governador do Paraná Álvaro Dias (Podemos). Ambos os pedidos foram negados

Fischer deixou a campanha de Flávio em julho de 2026, junto com Alexandre Oltramari, sendo substituído pelo publicitário Duda Lima. A saída foi motivada pela dificuldade de acesso por parte da cúpula do PL e da família Bolsonaro, além da ausência de um discurso claro para um candidato.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o gabinete de Flávio e com as defesas dos citados. O espaço segue aberto para manifestação.

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