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Estela Aranha beneficiou Flávio ao proibir púlpito vazio de Lula, avalia marqueteiro

Decisão da ministra nomeada por Lula fez com que emissora cancelasse debate no primeiro turno.
Decisão da ministra nomeada por Lula fez com que emissora cancelasse debate no primeiro turno. (Foto: Luiz Roberto/TSE)

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O marqueteiro de campanha do candidato ao governo do Rio de Janeiro Douglas Ruas (PL), Paulo Vasconcelos, avaliou que a decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha de proibir o púlpito vazio destinado ao presidente Lula (PT) no debate presidencial da Globo afetou os resultados, beneficiando o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Aranha chegou à Corte por nomeação de Lula, após atuar em seu governo. Posteriormente, sua decisão foi citada pela emissora como justificativa para cancelar o debate, alegando insegurança jurídica. Vasconcelos destaca a repercussão da decisão diante de um cenário de incômodo com o Judiciário.

"A caneta da juíza dá aquele voto de censura, mudando completamente o que se via em todos os debates históricos, que é, quando o candidato falta, fica lá o púlpito. Para piorar, a Globo cancela o debate. Todo mundo ficou sabendo disso porque o debate da Globo, que não tem a audiência que já teve no passado, é muito simbólico", opinou o publicitário.

Publicitário compara decisão a caso Zambelli

Para Vasconcelos, o episódio teve efeitos semelhantes ao da perseguição armada da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) a um eleitor na véspera do segundo turno. Por isso, recebeu uma condenação criminal no Brasil e enfrenta um processo de extradição na Itália.

"Acho que a canetada de agora foi a Zambelli de 2022. O Bolsonaro creditou à Zambelli, naquela época, o desgaste dele. Só estou juntando as pontas, porque acredito que o cancelamento de debate mexeu num voto que estava acomodado", argumentou.

O publicitário citou exemplos dos cenários que acredita que foram especialmente afetados. Como decisões já no primeiro turno, menciona Cleitinho (MG) e Sergio Moro (PR), eleitos para chefiar o Executivo de seus estados. Também citou Douglas Ruas, que liderou a votação no Rio de Janeiro. Pelo resultado atualmente considerado, ele disputará o segundo turno contra Eduardo Paes (PSD), embora a situação ainda dependa de uma decisão judicial sobre os votos atribuídos a Anthony Garotinho.

STF "chupou" caso Master, avalia Vasconcelos

Outra avaliação é de que o Supremo Tribunal Federal (STF) "chupou" o caso Master com as revelações das relações entre os ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto o envolvimento de outros políticos acabou minimizado.

"O assunto Vorcaro se juntou ao STF, e, potencialmente, ficou uma coisa muito maior lá. O que aconteceu debaixo disso foram questões pontuais, umas muito relevantes, outras menos", ressaltou.

Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos. Lula, em contrapartida, chegou a 45,16%. Desde a redemocratização, todos os candidatos que terminaram em primeiro lugar no primeiro turno acabaram eleitos no segundo. Ainda assim, Vasconcelos acredita que o cenário não é irreversível ao petista, mas fala na necessidade de autocrítica.

O publicitário vê no impulsionamento de conteúdos nas redes sociais o mecanismo mais eficiente. Segundo ele, o alcance orgânico atinge apenas os que já se decidiram. Com o tráfego pago, haveria a oportunidade de alcançar públicos específicos, como mães de crianças autistas.

"As redes sociais afastaram a política. Especialmente em época de eleição, é mentira de um lado, mentira do outro. Elas deixaram de ser um canal de comunicação confortável, compreensível para o eleitor", completa.

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