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Guerra dos sigilos

Flávio Bolsonaro abre sigilos ao TSE e cobra Lula a revelar gastos do cartão corporativo

Flávio Bolsonaro
Senador autoriza divulgação de dados bancários e telefônicos e cobra transparência sobre despesas e visitas ao gabinete de Lula. (Foto: Charles Vieira/campanha de Flávio Bolsonaro)

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira (23), as autorizações para divulgar seus dados bancários e telefônicos em resposta ao desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último final de semana. Além de liberar as informações, o parlamentar cobrou que o petista revele os gastos do cartão corporativo da presidência e os registros de visitas ao gabinete presidencial.

Na petição encaminhada à Corte, Flávio argumentou que a divulgação das despesas pagas com dinheiro público deve ter prioridade no debate sobre transparência entre os candidatos. Na véspera, a advogada da campanha afirmou que entregaria os dados apenas após confirmar que Lula encaminhasse todas as 19 exigências feitas pelo candidato.

“Os gastos do cartão corporativo da Presidência da República são pagos com dinheiro do contribuinte, e auditoria do Tribunal de Contas da União apontou que 99,55% deles foram classificados como sigilosos ou reservados entre janeiro de 2023 e abril de 2025”, afirmou.

Flávio Bolsonaro também pediu a divulgação dos registros de pessoas que visitaram o gabinete presidencial, por considerar que essas informações são públicas. Ao longo da campanha eleitoral, a oposição a Lula cobrou explicações sobre uma reunião do presidente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e sua relação com a lobista Roberta Luchsinger, que seria sócia do filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”.

“Basta cumprir a promessa e abrir o cartão corporativo e as visitas do gabinete, para que o eleitor saiba, antes de domingo, qual tratamento tem sido dado ao numerário público”, declarou, ao relembrar a promessa de Lula, feita durante a campanha de 2022, de acabar com o sigilo de cem anos no primeiro dia de governo.

A abertura dos sigilos de Flávio ocorre um dia depois de a campanha de Lula entregar ao TSE documentos relacionados aos sigilos bancário e telemático do presidente. A equipe do petista havia solicitado que a Justiça Eleitoral atuasse como intermediária na divulgação das informações.

O vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, decidiu que os próprios candidatos podem autorizar a divulgação de seus dados, sem necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral. Segundo o magistrado, os sigilos bancário, fiscal e telefônico protegem seus titulares, que podem abrir mão dessa garantia mediante consentimento.

A campanha de Flávio também convocou Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito pelo Paraná, para examinar os documentos apresentados por Lula. Dallagnol afirmou que pretende verificar se o material está completo e declarou que o presidente é “especialista em ocultar patrimônio”.

“A primeira parte do meu trabalho será analisar a completude dos documentos entregues pelo presidente Lula”, disse Dallagnol.

Segundo Dallagnol, a análise buscará reunir informações fiscais e bancárias do presidente e de parentes, conforme os documentos que foram apresentados. Ele afirmou, ainda, que focará a análise principalmente no período compreendido pelas investigações da Lava Jato.

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