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Início da Campanha

Flávio aposta na memória de Bolsonaro para mobilizar eleitorado e enfrentar Lula

Flávio Bolsonaro campanha PL
Em Copacabana, Flávio afirmou que aceitou a missão de disputar a Presidência dada pelo pai, Jair Bolsonaro. (Foto: Charles Vieira/Divulgação campanha Flávio Bolsonaro)

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Na largada oficial da campanha presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) aposta na memória política de Jair Bolsonaro para mobilizar o eleitorado e enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador tenta se apresentar como o sucessor escolhido pelo pai, retomando símbolos e formatos associados ao ex-presidente e recorrendo a locais que marcaram sua trajetória política, como Copacabana, no Rio de Janeiro, e Juiz de Fora (MG), onde Jair Bolsonaro sofreu uma facada em 2018.

A estratégia busca transformar a identificação de Flávio com o pai em demonstração de força da militância de direita nas ruas. A campanha prevê ainda a retomada das motociatas e das lives semanais, formatos que se tornaram marcas do governo Jair Bolsonaro.

Em outra frente, também pretende explorar a ausência de Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, como parte do discurso eleitoral. Em Copacabana, onde deu início à campanha no último domingo (16), Flávio afirmou que aceitou a missão de disputar a Presidência dada pelo pai e disse ter convicção de que existe “um propósito de Deus” para o país. Em outro momento, resumiu a dificuldade de sucedê-lo: “É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé.”

“E a gente está aqui hoje, ocupando a rua, a gente está em um lugar onde o atual presidente da República não pode pisar porque é alguém odiado pelo povo. É o presidente da República que está deixando de legado o sofrimento, a perseguição, a incompetência e a corrupção", disse Flávio em seu discurso.

O roteiro desenhado pela campanha previa uma nova demonstração dessa conexão nesta segunda-feira (17), em Juiz de Fora, mas a agenda foi cancelada por causa das condições meteorológicas. Flávio faria uma motociata do aeroporto até o centro da cidade e um comício no local onde Jair Bolsonaro foi atingido durante a campanha de 2018. Segundo integrantes do PL, a expectativa é de que a agenda seja remarcada nas próximas semanas.

Sem a passagem por Juiz de Fora, o candidato do PL seguiu diretamente para Belo Horizonte, onde participou do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe (PL) ao governo de Minas Gerais. Ao mesmo tempo em que resgata a imagem do pai, Flávio tenta construir a própria campanha em torno de uma oposição direta a Lula.

Os símbolos e recados da campanha de Flávio Bolsonaro

Em Copacabana, Flávio chamou o presidente Lula de “caloteiro da esperança” e associou o governo petista à inflação, ao endividamento, à criminalidade e à corrupção. A campanha pretende condensar essa mensagem no novo slogan criado pelo marqueteiro Duda Lima: “O Brasil vai vencer”.

A escolha de Copacabana também tem um significado político para a campanha. Segundo Victor Missiato, analista político e professor do Colégio Presbiteriano Mackenzie, Flávio volta ao território onde a direita encontrou uma de suas principais bases eleitorais para tentar projetar a candidatura para uma nova etapa.

“No Rio de Janeiro, berço político do bolsonarismo, a escolha de Copacabana recupera um dos principais símbolos utilizados por Jair Bolsonaro ao longo de sua trajetória. A praia, as ruas, as grandes avenidas e as multidões funcionam como elementos de uma estética política associada à ocupação do espaço público e à mobilização popular”, afirma Missiato.

Assim como Jair Bolsonaro em 2022, Flávio tem usado colete à prova de balas durante os atos de campanha. O senador disse ter recebido mais de 1,8 mil ameaças de morte e afirmou que a Polícia do Senado conduziu à delegacia, no sábado (15), uma pessoa que planejava um atentado contra sua vida na passagem por Juiz de Fora.

"Vocês estão vendo aí. Foi só eu dizer que vou classificar PCC, CV e milícias como organizações terroristas, já recebi mais de 1,8 mil ameaças de morte", afirmou o candidato.

Em outro simbolismo para a direita, a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, usou um batom para escrever a frase “O Brasil vai vencer” na camisa do candidato durante o ato no Rio de Janeiro. A escolha do símbolo foi interpretada como uma referência à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos.

Conhecida como “Débora do Batom”, a mulher foi condenada a 14 anos de prisão pela participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, ela escreveu, com batom, a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, localizada em frente ao edifício-sede do Supremo Tribunal Federal (STF).

Campanha investe em herança de Bolsonaro para mobilizar apoiadores

Mais do que associar Flávio à imagem do pai, a estratégia da campanha do PL é produzir demonstrações públicas de que essa identificação também se converta em capacidade de mobilização. A escolha de formatos como motociatas e transmissões semanais busca recuperar mecanismos que ajudaram Jair Bolsonaro a manter uma relação direta com apoiadores e a ocupar as ruas durante sua trajetória política.

A aposta também tem um componente visual. Os atos de campanha foram planejados em espaços capazes de remeter imediatamente à história de Jair Bolsonaro, criando imagens que reforcem a ideia de continuidade entre o ex-presidente e seu sucessor. A avaliação da equipe da campanha é que a identificação apontada por sondagens junto ao eleitorado precisa aparecer também na mobilização presencial.

A campanha pretende repetir a fórmula em outras regiões ao longo da disputa, combinando atos públicos, motociatas e conteúdos digitais. A intenção é criar uma rotina de mobilização capaz de manter os apoiadores engajados durante a campanha e, ao mesmo tempo, associar Flávio aos símbolos que marcaram a ascensão política de Jair Bolsonaro.

No próximo final de semana, por exemplo, a campanha do PL articula uma agenda política em Barretos, no interior de São Paulo, durante a Festa do Peão, com a participação de aliados e artistas de apelo popular. A estratégia é aproveitar a visibilidade do evento para aproximar Flávio de lideranças políticas e produzir imagens que reforcem sua força eleitoral.

Flávio deve estar em Barretos no sábado (22), ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB); do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP). Também está prevista para sábado a gravação de um conteúdo com Flávio, outras lideranças da direita e o cantor Felipe Araújo.

A programação inclui ainda uma espécie de “cavalgada da direita” na manhã de domingo (23). A expectativa é de que o cantor Gusttavo Lima participe da movimentação. "Nós estamos começando um processo ao lado do Flávio Bolsonaro. Precisamos da nossa militância em cada rua e em cada casa pulsando o vigor de Jair Bolsonaro", defendeu o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara.

Outro grande ato está sendo organizado pelo PL para o feriado de Sete de Setembro na Avenida Paulista. Ao longo dos últimos anos, o local foi palco de diversas manifestações da direita.

“Flávio e Alfredo Gaspar [vice na chapa do PL] foram escolhidos porque são os melhores do nosso partido. Estaremos juntos para caminhar pelo Brasil. E já convoco todos para o dia 7 de setembro, para a maior marcha que esse Brasil já viu”, disse o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto.

“O Brasil vai vencer”: Flávio transforma críticas a Lula em slogan de campanha

Além de se associar aos locais da campanha e à imagem de Jair Bolsonaro, Flávio tenta construir uma identidade própria para a disputa presidencial por meio de uma nova marca eleitoral. O slogan “O Brasil vai vencer”, criado pelo marqueteiro Duda Lima, sintetiza a estratégia de apresentar a eleição como uma escolha entre o diagnóstico negativo que a campanha faz do governo Lula e a promessa de recuperação a partir de 2027.

O discurso parte da ideia de que o país teria acumulado perdas durante o atual governo, principalmente em renda, poder de compra e segurança. A campanha do PL pretende traduzir esse diagnóstico em exemplos do cotidiano, como o aumento do endividamento das famílias e a redução da quantidade de produtos vendidos pelo mesmo preço, fenômeno citado por Flávio como “reduflação”.

Na apresentação do plano de governo, o candidato do PL relacionou esse cenário à política fiscal do governo federal. “O governo gasta mais do que arrecada. Isso gera inflação, gera juros altos, gera inadimplência, gera informalidade, gera um ciclo vicioso negativo na economia”, afirmou.

A mensagem também serve para conectar o discurso de oposição às principais propostas da candidatura. Responsabilidade fiscal, redução de impostos, combate ao crime e mudanças na relação entre os Poderes são apresentados como respostas ao diagnóstico de que o país precisa mudar de direção. “O Brasil vai vencer porque farei um tesouraço em 2027, com corte de impostos, na burocracia e na corrupção, além de corte nos ‘carguinhos’ do PT que mamam nas tetas do governo”, afirmou Flávio.

A identidade visual completa a estratégia. O slogan parte da forma da letra “V”, presente no nome Flávio, combinada ao verde e ao amarelo, em uma referência à identidade nacional. A campanha pretende levar a marca para a propaganda institucional e transformá-la na principal mensagem da candidatura ao longo da disputa presidencial.

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