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Campanha

Flávio Bolsonaro lança candidatura com discurso contra o “sistema” e foco em segurança

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lança sua campanha em Copacabana ao lado do vice, Alfredo Gaspar (PL-AL). (Foto: Fábio Pereira/Especial para a Gazeta do Povo)

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou por volta das 9h30 deste domingo (16) a Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, onde participa do ato de lançamento de sua candidatura à Presidência da República. A atividade ocorre em frente ao hotel usado como QG da campanha e integra a estratégia de priorizar a região Sudeste no início do período eleitoral.

Flávio chegou ao trio elétrico pela Avenida Atlântica usando colete à prova de balas e uma camisa verde e amarela com a frase “Meu partido é o Brasil”. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, além de Douglas Ruas e Daniella Marques. Alfredo Gaspar também participa da cerimônia.

A escolha de Copacabana busca associar a imagem de Flávio à do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um local que se tornou palco de manifestações anteriores da família.

Desde o início da manhã deste domingo apoiadores de Flávio Bolsonaro se reúnem na praia de Copacabana para o lançamento da campanha. (Foto: Fábio Pereira/Especial para a Gazeta do Povo)

As principais lideranças e candidatos do PL fazem seus pronunciamentos antes do discurso de Flávio. Entre eles estão Douglas Ruas (PL-RJ); os candidatos ao Senado Carlos Portinho (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ); o candidato a vice-presidente, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL); o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN); o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; e o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Um áudio do pastor Silas Malafaia foi exibido durante a cerimônia. Principal interlocutor de Jair Bolsonaro no segmento evangélico, Malafaia declarou apoio à candidatura de Flávio e explicou que não poderia comparecer. A presidente do PL Mulher no Rio de Janeiro, Chris Tonietto, também está presente e manifestou apoio ao presidenciável.

Logo no início do discurso, Flávio comparou o pai a Pelé, numa referência ao tamanho da popularidade e da influência que o ex-presidente ainda exerce sobre o eleitorado bolsonarista. Um áudio antigo de Jair Bolsonaro foi reproduzido durante o ato, em um recurso destinado a reforçar a presença simbólica do ex-presidente, que está em prisão domiciliar e não pode participar presencialmente da campanha.

A associação entre pai e filho também apareceu nos rituais que antecederam o lançamento. Na véspera do evento, Flávio tomou café e comeu pão na chapa com leite condensado em uma padaria na Barra da Tijuca, repetindo um hábito que se tornou associado à rotina de Jair Bolsonaro.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não participou da atividade. A ausência foi justificada pela necessidade de cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e pela dedicação à própria campanha ao Senado pelo Distrito Federal.

Discurso antisistema enfatiza segurança, soberania e críticas a Lula

Em seu discurso, Flávio Bolsonaro procurou apresentar sua candidatura como uma reação ao que chamou de “sistema” político. “Vou ser o próximo presidente da República porque vou enfrentar esse sistema”, afirmou. Em outro momento, disse que o restante do país olha para Brasília “com nojo”.

O senador afirmou ter assumido a missão que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, lhe designou e disse estar “preparado para dar continuidade ao projeto político” da família.

Sob o slogan de campanha “O Brasil vai vencer”, o discurso foi permeado pelo nacionalismo e pela promessa de enfrentamento ao crime organizado. A campanha também pretende explorar o eixo da soberania, estabelecendo uma disputa direta com uma das bandeiras que Lula vem utilizando.

Flávio associou o conceito à segurança pública e ao domínio territorial, enquanto procurou caracterizar o governo petista como incapaz de enfrentar as organizações criminosas. “Nós perdemos a soberania. Não temos mais soberania sobre nosso celular, nosso carro, sua bolsa, nossa casa”, afirmou.

Também contrapôs a política externa do governo Lula à atuação contra o crime organizado ao criticar os embates diplomáticos do presidente com os Estados Unidos. Segundo Flávio, o governo prefere confrontar outros países a enfrentar as organizações criminosas que atuam dentro do território brasileiro. “Briga com um país a 10 mil quilômetros de distância, mas não briga com traficante”, disse.

Corrupção, custo de vida e aceno às mulheres

O passivo da corrupção petista também foi explorado pelo candidato, que defendeu seu companheiro de chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL), alvo de acusações que a campanha classifica como politicamente motivadas por estar “investigando o filho do presidente Lula”. Gaspar foi relator da CPMI do INSS e pediu o indiciamento de Lulinha no parecer, que acabou rejeitado por 19 votos a 12.

Na área econômica, Flávio prometeu uma administração voltada à redução da máquina pública. Atribuiu a inflação e o custo de vida à gestão fiscal do governo Lula.

O candidato também fez um aceno específico ao eleitorado feminino ao prometer medidas de combate à violência contra a mulher. Flávio criticou o número de mortes de mulheres registrado durante o atual governo e incorporou a pauta à plataforma de segurança pública da candidatura.

Enquanto Flávio falava no Rio, um evento paralelo ocorria em Brasília para as candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL-DF) ao Senado. Michelle reforçou publicamente seu apoio ao enteado.

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