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Centrão na mira

Flávio e Tarcísio se descolam de Ciro Nogueira após nova operação contra Banco Master

Senador Ciro Nogueira, alvo da operação contra o Banco Master.
Presidente nacional do PP, Ciro Nogueira passou a discutir apoio a Flávio após fracasso da plano presidencial para lançar Tarcísio. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

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Mesmo sem citar o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI) — principal alvo político da quinta fase da operação Compliance Zero — o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo que vai disputar a reeleição estadual, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), distanciaram-se do aliado. A estratégia passa pela tentativa de evitar repercussões negativas no ano eleitoral.

Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que Nogueira é suspeito de receber uma mesada de até R$ 500 mil do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ex-chefe da Casa Civil da gestão presidencial de Jair Bolsonaro, Nogueira é presidente nacional do Progressistas, que forma com o União Brasil a maior federação partidária do país.

A entrada da federação União Progressista na coligação de Flávio era vista como estratégica para assegurar um maior tempo de televisão e recursos para a campanha nacional, além do apoio da grande bancada dos dois partidos no Congresso. Os nomes de duas mulheres do PP também são cotados como vice na chapa de Flávio: a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).

Em São Paulo, Nogueira é um dos maiores aliados da gestão Tarcísio de Freitas e foi um dos principais fiadores do Centrão no projeto de lançar o governador paulista à Presidência da República, plano abortado com a escolha de Flávio para concorrer contra a reeleição de Lula, no fim de 2025. Logo após o anúncio da escolha de Flávio, Nogueira disse que ele era o principal herdeiro político de Jair Bolsonaro, entretanto, defendeu a participação das outras siglas da centro-direita na construção de uma frente em oposição ao PT nas urnas.

“Se eu tivesse que escolher um nome, não tenha dúvida, seria o senador Flávio pela minha relação próxima a ele. Mas política não se faz só com amizade, se faz com pesquisa, com viabilidade e ouvindo os partidos aliados. Isso não pode ser uma decisão apenas do PL, tem de ser uma decisão construída”, disse à época o cacique do Progressistas.

Se depender de pesquisa eleitoral, o retrato de momento evidencia que a aposta em Flávio tem viabilidade: sondagens das últimas semanas mostram o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) numericamente — e até mesmo além da margem de erro — à frente de Lula*.

A ligação de Nogueira com Flávio Bolsonaro já passou a ser explorada pela esquerda, que busca assumir o controle de uma eventual CPI do Banco Master no Congresso Nacional.

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Flávio Bolsonaro defende atuação de André Mendonça no STF e instalação da CPI do Banco Master

Após o cumprimento de mandados de busca e apreensão pela PF no Piauí (estado do senador Ciro Nogueira), em São Paulo, em Minas Gerais e no Distrito Federal, Flávio Bolsonaro saiu em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Relator do caso Master, ele foi o responsável por autorizar a quinta fase da operação, que mirou o braço político do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O primo dele, Felipe Cançado Vorcaro, também foi preso temporariamente.

"As denúncias do Caso Master são muito graves e o ministro André Mendonça agiu corretamente ao autorizar a operação. Eu acredito que, se há qualquer suspeita, ela tem que ser investigada. Agora, o que o Brasil espera é que tudo seja apurado até o fim, sem blindagem, sem ‘acordão’ e sem proteção política”, declarou Flávio.

Além disso, o pré-candidato ao Palácio do Planalto defendeu a abertura da CPI do Master para investigar as irregularidades e a influência política do banco comandado por Vorcaro. “Por isso que a CPI do Banco Master precisa sair do papel. O povo brasileiro merece saber toda a verdade, como esse banco cresceu, quem estava por trás, quem se beneficiou e quais são as ligações do Master com a alta cúpula do PT Nacional e da Bahia. Não podemos deixar que empurrem esse assunto para debaixo do tapete”, completou o senador.

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Evento de apoio à reeleição de Tarcísio com Ciro Nogueira é adiado em São Paulo      

Nesta sexta-feira (8), o PP de São Paulo comunicou um novo adiamento do evento em apoio à pré-candidatura do governador Tarcísio de Freitas em uma casa de shows na capital paulista. O evento havia sido programado para o início do mês no diretório estadual do partido em São Paulo e chegou a ser remarcado para a próxima segunda-feira (11).

Um dia após a operação contra Ciro Nogueira, que tinha presença confirmada na agenda, o evento foi novamente adiado, sem uma nova data prevista até o momento. Além do cacique, o presidente estadual do Progressistas, deputado federal Mauricio Neves (PP-SP), e o pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) participariam do ato em apoio ao governador paulista.

Derrite é ex-secretário da Segurança Pública do estado e tem o apoio de Tarcísio de Freitas na chapa ao Senado, que ainda conta com o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL-SP).

Procurado pela Gazeta do Povo, o PP de São Paulo justificou o adiamento do evento por incompatibilidade com a agenda do governador. A assessoria de imprensa do estado não retornou ao pedido de posicionamento do governador Tarcísio de Freitas até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

*A conclusão vem da análise das seguintes pesquisas:

  • Quaest 15/4/2026: A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 9 e 13 de abril. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-09285/2026.
  • Futura Inteligência 14/4/2026: 2.000 entrevistados pelo instituto Futura Inteligência entre os dias 7 a 11 de abril de 2026. A pesquisa para presidente da República foi contratada pelo Futura Pesquisas e Assessorias Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-08282/2026.
  • Datafolha 11/4/2026: 2.004 entrevistados pelo Datafolha entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03770/2026.
  • Meio/Ideia 8/4/2026: O Instituto Ideia ouviu 1.500 eleitores entre 3 e 7 de abril de 2026. A pesquisa foi encomendada pelo Canal Meio S.A. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00605/2026.

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