Publicidade
A partir de sexta-feira

Horário eleitoral vira tentativa de capturar atenção dos eleitores desinteressados

Desinteresse pelo horário eleitoral gratuito
A inserção rápida com nomes de candidatos e menos debate propositivo deve ser a tônica da campanha eleitoral, avalia especialista. (Foto: Imagem criada utilizando o ChatGPT/Gazeta do Povo)

Ouça este conteúdo

A campanha política de 2026 avança a partir desta sexta-feira (28) com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A chegada dos jingles e das peças publicitárias é a tentativa dos candidatos nesta etapa da campanha, principalmente aqueles que disputam cargos legislativos, diante do desinteresse do eleitorado pela definição do voto a menos de 40 dias do primeiro turno, que ocorre em 4 de outubro. 

Segundo levantamento da Quaest divulgado no início deste mês, 32% dos eleitores afirmaram que vão definir os votos para as duas cadeiras ao Senado na semana da eleição ou no dia da votação. Outros 29% responderam que pretendem escolher os candidatos no último mês ou nas últimas semanas antes do primeiro turno. 

Neste ano, o eleitor vai votar para dois senadores, presidente da República, governador, deputado estadual e deputado federal. Ainda conforme a pesquisa Quaest, 34% dos eleitores entrevistados não souberam responder em quantos senadores o brasileiro irá votar no início de outubro. Apenas 34% responderam corretamente; outros 32% responderam um ou três candidatos ao Senado.

Em cenários espontâneos — quando os nomes dos candidatos não são listados previamente para escolha do entrevistado — a indefinição domina grande parte do eleitorado, como aponta um levantamento no maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo. Novo levantamento da Quaest divulgado na terça-feira (25) revela que 91% dos entrevistados paulistas afirmaram estar indecisos sobre em quem votar para o Senado.

Horário eleitoral no rádio e na TV ainda tem força para "furar bolha digital"

Para a analista política especializada em processos eleitorais Yolanda Tolentino, o horário eleitoral coloca a eleição obrigatoriamente no cotidiano das pessoas. Consequentemente, a política e a disputa eleitoral passam a fazer parte das conversas do dia a dia.

“Nesse sentido, o horário eleitoral reduz a desatenção, que é aquele desinteresse passageiro de quem simplesmente ainda não havia parado para pensar no pleito. O problema é que o formato não consegue curar a desafeição, entendida como a descrença profunda na política, nos partidos e no próprio sistema. São dois desinteresses diferentes, e a propaganda só atua sobre o primeiro”, avalia.

Tolentino aponta que, apesar dos avanços da propaganda eleitoral nas redes sociais, o rádio e a TV aberta continuam sendo o principal, e por vezes o único, canal de contato com a política para a parcela da população que não consome notícias por conta própria na internet. “O horário eleitoral não é um fóssil analógico, mas um mecanismo vital de acesso democrático para quem está fora da bolha digital”, ressalta. 

“A partir desta sexta-feira, o eleitorado não fica mais interessado por passe de mágica, mas estará mais exposto. O que cada candidatura fará com essa exposição — informando ou cansando, propondo ou atacando — é o que definirá se o interesse se transformará em voto ou rejeição”, comenta a analista.

Especialista prevê “bombardeio” de propagandas menos propositivas

Para combater a falta de interesse e de conhecimento sobre o pleito em outubro, o professor de marketing político da FGV João Ricardo Matta prevê um “bombardeio” de informações sobre o eleitorado até o início de outubro. Na avaliação dele, a propaganda eleitoral no rádio e na TV perdeu o peso político na eleição para a Presidência a partir de 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) venceu a corrida ao Planalto ancorado em uma estratégia nas redes sociais.

“A importância maior se dá, sem nenhuma dúvida, no Legislativo. A intenção da propaganda gratuita está muito mais focada em dizer para o eleitor ‘olha, eu sou candidato’ do que em tentar passar algum tipo de proposta. É muito mais enunciativa do que propositiva”, analisa.

Com a mudança na forma de consumo de conteúdos multimídia pelas redes sociais, Matta destaca que as inserções durante a programação no rádio e na TV serão estratégicas para a apresentação dos candidatos aos eleitores.

“Quando a gente fala dos programas de televisão, eles são menos relevantes porque o telespectador ou ouvinte tem a sensação de ser um programa longo. Já as inserções eleitorais passam durante todo o dia. Não tem como fugir e o eleitor acaba sendo impactado. [...] A pessoa começa, sem querer, a perceber que a eleição está chegando”, comenta. 

Candidatos devem adotar "memes" como estratégia eleitoral

Na avaliação do professor de marketing da FGV, a propaganda eleitoral será centrada mais em "memes" do que em propostas, com uma estratégia ancorada no aspecto emocional do eleitorado. “O 'meme' cumpre uma missão de tentar, de uma forma muito curta, muito breve, quase instantânea, passar uma mensagem. Essa eleição terá pouco conteúdo e muitas ideias ou tentativas de passar conceitos”, analisa.

Para Matta, os principais nomes na corrida presidencial devem manter a estratégia de evitar debates e confrontos com os adversários. “No caso dos presidenciáveis, eles vão fugir da discussão pragmática e objetiva para falar de contexto, alegria e felicidade. As propostas são conceitos”, resume. 

Ainda de acordo com ele, dados internacionais mostram que 78% dos consumidores não acreditam em propagandas pagas. “Isso fortalece as redes sociais, que mascaram a propaganda como algo autêntico. A tônica desta eleição são os vídeos que parecem mais amadores que os de anos anteriores — um filme profissional, feito no celular, passando a impressão de ser mais verdadeiro.”

Metodologia das pesquisas citadas

  • 1.800 entrevistados pela Quaest de 21 a 24 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A - TV/Rede/Globo.com/canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº SP-06946/2026.
  • 2.004 entrevistados pela Genial/Quaest de 31 de julho a 3 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-06591/2026.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.