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Pré-campanha

Lula demonstra cofiança na reeleição: “Não há razão para não votarem em mim”

Dados oficiais e histórico de corrupção contrariam otimismo de Lula
Dados oficiais e histórico de corrupção contrariam otimismo de Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que encara com confiança a disputa pela reeleição e disse acreditar que seu governo oferece resultados suficientes para conquistar um novo mandato.

Lula deu a declaração durante entrevista ao canal Meteoro Brasil e ao podcast Três Elementos, no YouTube, nesta quarta-feira (5).

Ao comentar o cenário eleitoral, Lula afirmou que não vê motivos para que os eleitores deixem de renovar sua confiança no governo petista: "Não há razão para não votarem em mim".

Segundo Lula, a avaliação do eleitorado será influenciada pelo desempenho de sua gestão.

O petista citou a recuperação da atividade econômica, a geração de empregos, a queda do desemprego e a retomada de programas sociais como credenciais para a campanha à reeleição.

Dados oficiais contrariam otimismo de Lula

Apesar de Lula citar a geração de empregos como um dos principais resultados de seu governo, os dados mais recentes mostram desaceleração no mercado de trabalho.

O Brasil criou 921,6 mil vagas formais no primeiro semestre de 2026, número 25% inferior ao registrado no mesmo período de 2025 e o pior resultado para um primeiro semestre desde 2020, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

A perda de ritmo também aparece nos dados mensais. Em janeiro, o país abriu 112,3 mil empregos com carteira assinada, queda de 27,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Rombo histórico nas estatais

Além do mercado de trabalho e dos indicadores econômicos, o desempenho das empresas estatais se tornou outro ponto de desgaste para o governo Lula durante a pré-campanha eleitoral.

Dados do Banco Central mostram que as estatais federais não dependentes do Tesouro acumularam déficit recorde nos primeiros meses de 2026.

O grupo de empresas que inclui Correios, Infraero, Serpro, Dataprev, Casa da Moeda e outras companhias registrou resultado negativo de R$ 5,93 bilhões entre janeiro e abril de 2026, o pior desempenho para o período desde o início da série histórica, em 2002.

O valor já supera o déficit de R$ 5,1 bilhões registrado por essas empresas em todo o ano de 2025.

Os Correios concentram parte relevante do desequilíbrio. A estatal registrou déficit de R$ 3,2 bilhões em 2024, equivalente a cerca de metade do resultado negativo das empresas estatais federais consideradas no levantamento daquele ano.

Outras empresas, como Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda, também aparecem no cálculo do Banco Central, que não inclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos.

Histórico de escândalos volta ao debate eleitoral

Além dos indicadores econômicos, o governo Lula enfrenta o desgaste político provocado por escândalos de corrupção que marcaram administrações petistas anteriores e por investigações recentes envolvendo pessoas próximas ao presidente.

O Mensalão, revelado em 2005, tornou-se um dos episódios mais conhecidos desse período.

O esquema envolveu o pagamento de vantagens indevidas a parlamentares em troca de apoio político no Congresso Nacional e resultou em condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Anos depois, a Operação Lava Jato revelou o chamado Petrolão, esquema de corrupção envolvendo contratos da Petrobras, grandes empreiteiras, dirigentes da estatal e partidos políticos.

As investigações apontaram pagamento sistemático de propinas em contratos públicos e levaram à condenação de empresários, ex-dirigentes da Petrobras e políticos.

No âmbito da Lava Jato, Lula foi condenado nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.

As condenações foram posteriormente anuladas pelo STF por questões relacionadas à competência da Justiça Federal e à condução dos processos, sem análise do mérito das acusações.

Mais recentemente, as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltaram a colocar o tema da corrupção no centro do debate político.

O esquema envolveu entidades historicamente ligadas ao PT que realizaram cobranças não autorizadas em aposentadorias e pensões, com milhares de beneficiários afetados.

O caso também atingiu o entorno do presidente. Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que chefiou o gabinete pessoal de Lula, confirmou ter recebido valores de Roberta Luchsinger, empresária ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Marcola afirmou que se tratou de um empréstimo já quitado e negou qualquer irregularidade.

Além disso, a Polícia Federal investiga a relação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, com pessoas envolvidas nas apurações sobre o caso.

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