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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) partiu para o ataque ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na manhã deste sábado (29), pelas respostas em relação às questões ambientais dadas à sabatina da TV Globo realizada na véspera. Na entrevista, o candidato do PL à presidência da República resumiu suas propostas de combate às mudanças climáticas a projetos de saneamento básico.
Ainda durante a entrevista, o senador evitou reconhecer a existência de um aquecimento global e disse acreditar que o planeta passa por “eventos climáticos”. Flávio Bolsonaro afirmou que o planeta passa por “épocas cíclicas que fazem mais calor” e outras “que fazem mais frio”, e que atualmente se faz um “discurso apocalíptico” para barrar o progresso.
Lula retrucou afirmando que “reduzir o combate às mudanças climáticas a saneamento básico dá a dimensão do amadorismo irresponsável” do candidato e que Flávio faz parte de um grupo de políticos que “vende soluções simples para problemas complexos”.
Ainda na resposta a Flávio Bolsonaro, Lula o chamou de negacionista de vacinas e que “anda acompanhado de quem prega o fim do voto feminino”, em referência a uma declaração do jornalista Paulo Figueiredo sobre o tema.
“Governar o Brasil não é para aventureiros. Quem não entende a gravidade das questões conectadas ao clima, opera na lógica de ‘passar a boiada’ e enxerga o mundo com a lente embaçada do negacionismo, certamente não tem preparo para guiar o futuro de uma nação”, completou Lula em uma longa declaração em uma rede social.
Na mesma mensagem, o presidente apresentou números para defender as ações de seu governo na área ambiental e no enfrentamento de eventos climáticos extremos. Lula destacou que “saneamento básico é fundamental”, mas que a resposta às mudanças climáticas envolve medidas em diferentes frentes de combate.
“Mas enfrentar a crise climática de verdade exige muito mais. Demanda compromisso. Antecipação. Trabalho em várias frentes”, pontuou.
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Entre os investimentos e ações citados pelo presidente estão:
- Criação de uma “Sala de Situação” que reúne 24 ministérios e “dezenas de especialistas” para monitorar e discutir os impactos do fenômeno El Niño, que se projeta ser o mais forte neste ano;
- Estoques de emergência de alimentos essenciais para momentos de crise;
- R$ 23 bilhões destinados, desde 2023, a abastecimento, esgoto e resíduos, além de R$ 3,5 bilhões para obras que, em sua visão, foram abandonadas pelo governo anterior;
- R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas à prevenção e resposta a desastres;
- R$ 18,6 bilhões do Novo PAC para drenagem urbana e contenção de encostas;
- Alertas climáticos modernizados pelo Cemaden em 1,4 mil municípios;
- R$ 500 milhões do Fundo Amazônia para equipamentos, veículos e estrutura de combate a incêndios;
- R$ 118 bilhões em geração de energia renovável e R$ 107 bilhões em transmissão;
- R$ 15 bilhões do Novo PAC para obras de segurança hídrica no Nordeste.
Lula também afirmou que seu governo reduziu o desmatamento em 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal, além de ampliar o número de brigadistas federais para 4,4 mil em 2026. Na avaliação do presidente, as medidas representam uma mudança em relação à política ambiental da gestão anterior.
“É com essa perspectiva que revertemos o abandono da gestão ambiental anterior”, disse.
O petista encerrou a manifestação destacando a realização da COP30 no Brasil e a atuação do país nas discussões internacionais sobre financiamento climático e preservação das florestas.








