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Presidenciável

“Quem deve explicações é Lula”, diz Flávio sobre relação com dono do Banco Master

Flávio Bolsonaro
Segundo o senador, a sua relação com Vorcaro se limitava à produção do longa-metragem sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: André Borges/Agência EFE)

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O senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (28) que não vê irregularidades em ter procurado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para obter patrocínio para um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o senador, a relação com Vorcaro se limitava à produção do longa-metragem. Flávio afirmou que o patrocínio não envolveu transferência de recursos para ele.

“Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, disse durante entrevista à Globo.

O senador destacou que não buscou recursos públicos para financiar o filme.

Questionado sobre a mensagem enviada a Vorcaro na qual escreveu “estarei sempre contigo”, Flávio afirmou que a relação entre os dois estava relacionada exclusivamente à produção do longa.

“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”, afirmou.

Senador afirma que produtora prestou contas

Questionado sobre a origem e o destino dos recursos e sobre o contrato de patrocínio com Vorcaro, Flávio afirmou que a produção utilizou integralmente o dinheiro recebido.

O senador disse que havia estabelecido um prazo de 30 dias para que a produtora apresentasse uma prestação de contas e que o documento foi entregue antes do prazo.

“Eu falei: ‘Quero, em 30 dias, que a produtora apresente uma prestação de contas’. E, antes desse prazo, realizaram a prestação de contas, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo”, afirmou.

Flávio também declarou que o filme não recebeu recursos públicos e que o custo da produção superou o valor obtido por meio do patrocínio.

Flávio questiona Lula sobre relação com Vorcaro

Durante a entrevista, os jornalistas questionaram Flávio sobre a visita que ele fez a Vorcaro no fim de 2025.

O senador não respondeu diretamente se considerava adequada a visita e afirmou que não ofereceu qualquer favorecimento ao empresário.

Flávio direcionou a discussão para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o presidente deveria prestar esclarecimentos sobre um encontro com o banqueiro.

“O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então fica a pergunta aqui: quem deve explicações é o Lula”, disse.

O senador afirmou ainda que sua relação com Vorcaro não envolveu qualquer contrapartida para beneficiar o banqueiro.

Vorcaro é investigado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas a crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, intimidação, coerção e invasão de dispositivos informáticos.

Flávio critica condenação de Jair Bolsonaro

Questionado sobre quais garantias daria ao eleitor de que não tentaria uma ruptura institucional caso chegasse à Presidência, Flávio criticou a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador afirmou que uma “grande farsa foi armada” para retirar o ex-presidente da vida pública e disse que Bolsonaro foi “julgado pelos seus inimigos”. Flávio também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Questionado sobre depoimentos de militares que participaram do processo contra o ex-presidente, Flávio afirmou que eventuais crimes cometidos individualmente devem ser atribuídos aos responsáveis.

Sobre o general Mario Fernandes, que teria admitido a elaboração de um documento com planos para matar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, Flávio afirmou: “Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele”.

O senador também contestou a relevância de declarações feitas pelo ex-comandante da Aeronáutica Baptista Júnior e pelo ex-comandante do Exército Freire Gomes sobre pressões para que militares aderissem a uma suposta ruptura institucional.

“Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ao falar sobre sua proposta para o STF, Flávio declarou que pretende restabelecer a “segurança jurídica” e defendeu que o Supremo “volte a cumprir a Constituição”.

Flávio responsabiliza Lula por tarifas dos EUA

Flávio também atribuiu ao presidente Lula a responsabilidade pela imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos.

“Foi o Lula que cavou com força. O Lula procurou muito essa tarifa, xingou, ameaçou. Ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras”, afirmou.

Questionado sobre a atuação do irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos e se ele teria colocado interesses familiares acima dos interesses do país, Flávio defendeu o ex-deputado.

Segundo Flávio, Eduardo nunca pediu ao governo americano a imposição de tarifas contra empresas brasileiras. O senador afirmou ainda que foi contrário às medidas e que atuou nos Estados Unidos para tentar revertê-las.

“Se ele [Eduardo] tivesse colocado os seus próprios interesses na frente do Brasil, ele não teria ficado exilado, como está nos Estados Unidos hoje. Ele faz um trabalho lá de conscientização, de mostrar ao mundo o que está acontecendo no Brasil”, disse.

Flávio admite erro sobre urnas eletrônicas

Flávio também foi questionado sobre declarações anteriores a respeito das urnas eletrônicas brasileiras. O candidato reconheceu que errou ao afirmar que uma empresa venezuelana fabricava os equipamentos utilizados nas eleições do país.

“Eu disse que a empresa que fez as urnas eletrônicas era uma empresa venezuelana. Falei errado”, afirmou.

Segundo Flávio, a empresa apenas participou de alguns processos relacionados à organização eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele disse que, fora essa afirmação, nunca questionou o processo eleitoral.

“Então, tirando essa parte, que de fato eu falei equivocadamente, eu fui bem claro ao dizer que jamais questionei o processo eleitoral”, declarou.

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