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Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitaram apoio técnico à Polícia Federal (PF) após suas equipes técnicas constatarem a impossibilidade de abrir e examinar os arquivos digitais extraídos de um dos telefones celulares apreendidos com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master.
Em ofício encaminhado diretamente ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Mendonça e Fux formalizaram que o conteúdo do telefone de Vorcaro permanece inteiramente inacessível para trabalho investigativo de seus gabinetes.
De acordo com os documentos, o obstáculo pode decorrer tanto de restrições operacionais nos softwares de visualização quanto de eventuais corrupções ocorridas durante a gravação da mídia digital.
Em razão disso, os ministros pediram assistência pericial urgente e a checagem detalhada da higidez dos arquivos encaminhados.
Corrida pelos dados e embate interno no tribunal
As provocações dos ministros ocorrem em meio a uma disputa acirrada no STF pelo controle e acesso integral ao teor das mensagens e mídias de Vorcaro. Na última quinta-feira (17), a PF concluiu a entrega de cópias do material tanto ao gabinete do relator, André Mendonça, quanto ao do ministro Luiz Fux.
Dias antes, a direção da corporação já havia autorizado o espelhamento do disco para outros magistrados, incluindo Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
Para conter questionamentos sobre manipulação probatória, a cúpula policial reiterou que o aparelho original e a primeira imagem pericial continuam guardados sob protocolo rigoroso de cadeia de custódia, sendo geradas apenas cópias forenses idênticas aos órgãos autorizados.
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Politização das provas e declarações de Lula
A divulgação dos diálogos de Vorcaro intensificou a turbulência interna na Suprema Corte e ganhou forte contorno político-eleitoral. Em entrevista concedida à rádio Itatiaia, na quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra o relator, acusando Mendonça de utilizar o processo para “fazer política” e patrocinar “denúncias seletivas”.
O petista defendeu abertamente que Mendonça e Moraes sejam submetidos a julgamento conjunto no plenário, medida solicitada por Moraes após a revelação de mensagens de texto entre ele e o proprietário do Master.
Além disso, Lula defendeu a circulação pública dos dados apreendidos: “Aquele famoso telefone secreto, agora está na mão do Gilmar [Mendes], na mão do Flávio Dino, tá na mão do [Cristiano] Zanin. Agora, é começar a vazar o que precisa vazar de verdade”.
O processo sobre eventuais apurações mútuas entre os ministros, contudo, segue travado após pedido de vista de Flávio Dino.
Defesa de Vorcaro aciona Fachin e mira plenário
Paralelamente ao impasse sobre as mídias e a condução dos inquéritos, a defesa de Daniel Vorcaro informou que recorrerá diretamente ao plenário do STF caso o presidente do tribunal, Edson Fachin, rejeite o pedido de revogação da prisão preventiva protocolado na Corte.
A representação dos advogados tomou como base a decisão do próprio Fachin, tomada no último dia 12, de avocar para a presidência os autos da Petição 15.556 referente à 3ª fase da Operação Compliance Zero, que originou a prisão de Vorcaro.
A defesa sustenta que a disputa sobre a competência da relatoria paralisou a tramitação regular do inquérito e não pode legitimar a extensão do cárcere por prazo indefinido.
Vorcaro soma seis meses em prisão preventiva sem oferecimento de denúncia, além de período prévio sob prisão domiciliar. Os advogados alegam vencimento do prazo legal de 90 dias para a revisão da medida e relembram que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não identificou urgência necessária ao decretar a medida.
Como alternativa à soltura plena, foram requeridas providências cautelares diversas, como tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte e proibição de viagens internacionais. Por enquanto, Edson Fachin ainda não se manifestou sobre os pedidos da defesa de Vorcaro.







