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Palanque de Flávio

Com impasse sobre Cleitinho, direita reabre disputa pelo governo de Minas Gerais

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Flávio Bolsonaro apostava em Cleitinho como principal nome para liderar seu palanque em Minas Gerais na disputa presidencial. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

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A disputa dentro do Republicanos sobre a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais embaralhou o cenário da direita no estado a poucos dias do fim das convenções partidárias. Líder da corrida eleitoral, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (28), o senador era tratado como o principal nome para unificar o campo conservador.

A indefinição sobre a candidatura dele, porém, levou o partido a interromper as negociações e obrigou aliados a reorganizar a estratégia eleitoral no estado mineiro. Em nota divulgada nesta quarta-feira (29), o Republicanos atribuiu ao próprio senador a responsabilidade pelo fracasso das negociações.

A legenda afirmou que manteve diálogo aberto durante meses, ofereceu as condições políticas para viabilizar a candidatura e adiou decisões estratégicas à espera de uma definição. Contudo, a ausência de Cleitinho na convenção estadual realizada no último dia 25 teria tornado inevitável a busca por uma alternativa, na avaliação da legenda.

Líderes do partido ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que o tom adotado na nota divulgada pela Executiva nacional evidenciou o desgaste provocado pelas sucessivas indefinições de Cleitinho. Sem citar diretamente um rompimento, a direção estadual afirmou ainda que "o partido esteve pronto" para lançar a candidatura, mas que faltou "a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo".

Dirigentes do PL admitem que a competitividade eleitoral nunca eliminou as dúvidas sobre o comportamento político do senador.

A insistência do Republicanos em manter as negociações até os últimos dias se explica pelo desempenho eleitoral de Cleitinho. A pesquisa Genial/Quaest desta semana mostrou o senador como o nome mais competitivo da disputa pelo Palácio Tiradentes, sede do governo mineiro, liderando com ampla vantagem todos os cenários de primeiro turno testados pelo instituto.

No principal cenário estimulado, Cleitinho aparece com 35% das intenções de voto, mais de 20 pontos percentuais à frente do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que registra 12%. O deputado federal Patrus Ananias (PT) soma 10%, enquanto o governador Mateus Simões (PSD) tem 6%. Nas simulações de segundo turno, o senador também venceria Kalil, Patrus e Mateus Simões.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.482 eleitores em Minas Gerais entre os dias 22 e 26 de julho de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial S.A. e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MG-03490/2026.

Horas depois da divulgação da nota, Cleitinho reagiu e afirmou que continua tentando viabilizar sua candidatura ao governo de Minas. Durante entrevista coletiva, o senador disse que a decisão dependerá do desempenho nas pesquisas de intenção de voto.

"Em todos os cenários eu lidero as pesquisas. O que eu falei é que, se até o final eu estiver liderando, eu serei candidato. A voz do povo é a voz de Deus. Eu serei candidato", declarou.

O senador também anunciou o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão como pré-candidato a vice na disputa estadual. Cleitinho sinalizou que deve buscar a cúpula do partido nos próximos dias para tentar reverter a posição da direção nacional do Republicanos.

Aliados de Flávio aceleram novo acordo após impasse sobre Cleitinho

Diante da indefinição sobre a candidatura de Cleitinho, PL, Republicanos e PP passaram a discutir uma alternativa para manter unida a direita na disputa pelo Palácio Tiradentes. O nome que ganhou força nas últimas semanas é o do ex-secretário da Casa Civil de Romeu Zema, Marcelo Aro (PP), que deixou as negociações para disputar o Senado e passou a ser tratado como opção para encabeçar a chapa ao governo.

A reorganização das articulações ganhou impulso após a convenção estadual do Republicanos e diante da avaliação de que já não havia tempo hábil para aguardar uma definição de Cleitinho. Integrantes das legendas afirmam que a prioridade agora é construir uma candidatura capaz de preservar a aliança entre PL, Republicanos e PP e evitar uma fragmentação do campo conservador em Minas Gerais.

A tendência é que Marcelo Aro seja o principal beneficiado pelo novo cenário. Até então cotado para disputar uma vaga ao Senado na chapa do governador Mateus Simões (PSD), o ex-secretário rompeu as tratativas com o grupo governista depois que o PSD filiou o senador Carlos Viana para concorrer ao cargo. Com isso, voltou a ser considerado uma alternativa para liderar a chapa da direita.

A pressão por uma definição teve início ainda na terça-feira (28), durante uma reunião da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, em Brasília. Participaram do encontro o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), o deputado federal Zé Vitor (PL-MG), o deputado Domingos Sávio (PL-MG), o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e o próprio Marcelo Aro.

Durante a reunião, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, foi acionado por telefone e concordou com a avaliação de que a indefinição em Minas não poderia se prolongar. Segundo apurou a reportagem da Gazeta do Povo, a conversa consolidou o entendimento de que seria necessário acelerar a construção de uma alternativa caso Cleitinho continuasse sem assumir formalmente a candidatura.

A tendência passou a ser o apoio do Republicanos ao nome de Marcelo Aro, movimento que também vinha sendo discutido pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, cuja convenção estadual está marcada para 3 de agosto. Reservadamente, dirigentes do PL e do Republicanos afirmam que a indefinição de Cleitinho passou a ser interpretada como uma estratégia do senador para medir o ambiente político antes de assumir qualquer compromisso.

A avaliação predominante entre os dirigentes era de que já não havia segurança de que, mesmo anunciando a candidatura, Cleitinho a manteria até o prazo final de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 15 de agosto.

Palanque em Minas Gerais vira prioridade para Flávio Bolsonaro

A definição do palanque em Minas Gerais tornou-se uma das prioridades da campanha de Flávio Bolsonaro por envolver o segundo maior colégio eleitoral do país. A estratégia do PL é repetir em outros estados a aliança construída em São Paulo com Tarcísio de Freitas, reunindo partidos de direita e legendas de centro.

Nesse cenário, Cleitinho era visto como o nome mais competitivo para liderar a chapa estadual e ampliar o alcance da candidatura presidencial do senador do PL. Além da liderança na intenção de voto, ele reunia potencial para atrair eleitores além do núcleo tradicional dos apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), razão pela qual o partido insistiu durante meses na tentativa de convencê-lo a disputar o Palácio Tiradentes.

Nos bastidores, porém, dirigentes do PL admitem que a competitividade eleitoral nunca eliminou as dúvidas sobre o comportamento político do senador. A avaliação era de que Cleitinho mantém atuação independente e evita compromissos partidários, o que gerava incertezas sobre seu alinhamento durante a campanha presidencial.

Integrantes da legenda temiam que, diante de mudanças no cenário eleitoral mineiro, ele optasse por não nacionalizar a disputa ou até adotasse posições diferentes da estratégia do partido de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, dirigentes do PL disseram à Gazeta do Povo, nesta quinta-feira (30), que Cleitinho continua sendo a prioridade da legenda para disputar o governo de Minas.

Segundo interlocutores, o impasse é uma questão interna do Republicanos e o partido não pretende interferir na decisão da legenda aliada. Para o analista de políticas públicas Mano Ferreira, cofundador e diretor de operações do Livres, a construção de palanques como em Minas ganha importância justamente porque a tendência é de uma eleição presidencial equilibrada.

"Quanto maior o equilíbrio, maior a chance de que a eleição seja definida no detalhe. Isso faz com que cada apoio de palanque regional ganhe um potencial decisivo, que aumenta o poder de barganha do Centrão", afirma.

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