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“Coragem cívica”

Senadores que já defenderam Moraes evitam se posicionar após crise no STF

Os senadores Beto Faro (PT-PA), Fabiano Contarato (PT-ES), Teresa Leitão (PT-PE) e Marcelo Castro (MDB-PI) eram contrários ao impeachment de Alexandre de Moraes, em 2024, mas agora preferem não se manifestar sobre o tema.
Os senadores Beto Faro (PT-PA), Fabiano Contarato (PT-ES), Teresa Leitão (PT-PE) e Marcelo Castro (MDB-PI) eram contrários ao impeachment de Alexandre de Moraes, em 2024, mas agora preferem não se manifestar sobre o tema. (Foto: Agência Senado/Carlos Moura/Ton Molina/Jefferson Rudy)

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Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), senadores da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm mudado de posicionamento em relação à abertura do processo de impeachment de Alexandre de Moraes. Até este domingo (13), ao menos cinco senadores que já defenderam o ministro abertamente em 2024 afirmaram à Gazeta do Povo que agora preferem não se posicionar sobre o caso, enquanto outros dois senadores que apresentavam o mesmo posicionamento em 2024 não atenderam a reportagem atualmente para confirmar se ainda são contrários à abertura do processo.

Além desses parlamentares, três senadores da base governista, que antes não se tratavam sobre o tema, passaram a assinar pedidos de impeachment contra o ministro nas últimas semanas. O movimento tira os pedidos da ala da oposição, que tradicionalmente concentra as iniciativas contra Moraes no Senado, e pode revelar interesses eleitoreiros.

Os dados são de dois levantamentos realizados pela Gazeta do Povo com os 81 senadores, em 2024 e 2026. Na primeira pesquisa, as respostas foram coletadas pela equipe de reportagem após a divulgação de mensagens que revelavam ações “fora do rito” orquestradas pelo ministro Alexandre de Moraes, além da decisão assinada por ele de suspender a rede social X no Brasil.

Ao ler todas essas denúncias que estão às claras na imprensa, tive a coragem cívica de assinar o impeachment do ministro.

Senador Chico Rodrigues (PSB/RR)

Já o levantamento atual iniciou no último dia 2 de setembro, após o levantamento do sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Nas mensagens há informações a respeito de um contrato de R$ 131 milhões com o escritório da esposa do ministro, concessão de benefícios de luxo e pedidos feitos pelo ex-banqueiro a Moraes nos dias que antecederam a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.

"Essa situação é gravíssima no país!”, apontou o senador Chico Rodrigues (PSB/RR) pelas redes sociais na última terça-feira (8). “Ao ler todas essas denúncias que estão às claras na imprensa, tive a coragem cívica de assinar o impeachment do ministro”, continuou o parlamentar. Ele assinou o pedido protocolado pela senadora Damares Alves (REP-DF).

Assim como ele, os senadores Leila Barros (PDT-DF) e Flávio Arns (PSB-PR) também desistiram do sigilo de posicionamento e passaram a apoiar abertamente o processo de impeachment. "Acredito que ninguém deve estar acima da lei e que as investigações devem ocorrer de forma transparente e sem interferências, em respeito absoluto à nossa Constituição", disse Arns.

Conforme o levantamento atual realizado pela reportagem, ao menos cinco senadores — ou seus respectivos suplentes — que antes apoiavam Alexandre de Moraes também decidiram recuar. Eles afirmaram à Gazeta do Povo, em 2024, que eram contrários ao impeachment de Moraes, mas preferiram não se manifestar atualmente. Os parlamentares não apontaram os motivos da mudança de posição, mas o cientista político Fernando Schüler aponta duas possibilidades, apresentadas após o infográfico abaixo.

Veja abaixo senadores que mudaram de opinião sobre o impeachment de Moraes: 

Caso Master muda o cálculo político de senadores, diz cientista político

Para Fernando Schüler, professor do Insper, a mudança de comportamento dos senadores revela que a crise deixou de envolver apenas controvérsias sobre liberdade de expressão, garantias individuais e limites de atuação do Supremo.

“Quando entrou em jogo a relação do ministro com Vorcaro, houve uma mudança de patamar. O problema migrou da questão democrática para a questão ética, porque o tema da corrupção entrou em jogo”, afirmou o cientista político à Gazeta do Povo.

Na avaliação dele, as mensagens envolvendo relações de Moraes com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, alteraram o custo político de uma defesa explícita do ministro. “Muita gente tolera a censura, o que está errado, obviamente, mas tende a ter uma visão mais crítica em relação à corrupção ou à suspeita de corrupção”, disse Schüler, ao apontar ainda um segundo fator para o recuo de parlamentares: a proximidade das eleições.

Segundo o especialista, à medida que a percepção pública sobre Moraes se deteriora, senadores que antes faziam sua defesa precisam calcular o impacto eleitoral de manter a mesma posição.

“O Congresso é muito sensível à opinião pública, e como estamos nos aproximando das eleições, os senadores tendem a migrar de posição ou simplesmente a não se manifestar”, afirmou.

Esse movimento, de acordo com ele, ajuda a explicar por que antigos defensores do ministro passaram a evitar dar declarações sobre os fatos. Em vez de uma uma mudança definitiva de convicção, a estratégia pode ser simplesmente tirar o assunto do discurso eleitoral. “Uma posição estratégica”, finalizou.

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